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    A "VISÃO DIVINA"

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    A "VISÃO DIVINA"

    Mensagem  Convidad em Sex Jul 15, 2011 10:14 am

    Amigos do Máscaras, bom dia.

    Uma amiga, se referindo a frases de Pascal, me fez lembrar o q coloco abaixo.

    Pascal foi cientista de renome, matemático, filósofo, teólogo, escritor de tratados de física e matemática e de obras sobre a espiritualidade; é sua a conhecida frase “O coração tem razões q a propria razão desconhece”. Ele passou por uma experiencia a q denominou “visão divina” e, mais tarde, por outra, a q chamou de “novo milagre”; a partir dessas experiências se dedicou profundamente à teologia; nessa época escreveu importantes livros de conteúdo filosófico-religioso. Abaixo, cito sua primeira experiência, “visão divina”:

    A partir de certo dia, ele se afastou da sociedade e se tornou recluso em sua própria casa (como Jesus, nas chamadas tentações, no deserto; Paulo, que foi viver entre tecelões, depois de sua visão na estrada de Damasco, e outros que, depois da experiência, se retiraram para, na solidão, tentar compreender o que lhes havia ocorrido).

    Depois de certo tempo, Pascal recomeçou a escrever, mas suas obras, agora, tinham um caráter mais elevado e direcionado à teologia. Sua compreensão de vida e de mundo tinha se modificado de maneira drástica. Quando morreu, um criado, ao arrumar suas roupas, encontrou, costurado com cuidado dentro da bainha de seu gibão (túnica), um pergaminho onde estavam escritas as seguintes palavras:

    “Ano da graça de 1654, segunda-feira, 23 de novembro... desde cerca das dez e meia da noite até meia-noite e meia... FOGO, FOGO... transfiguração... Deus de Abraão, Deus de Isaac, Deus de Jacob... Certeza, alegria, certeza, sentimento de alegria e paz... Deus de Jesus Cristo, meu Deus e teu Deus... Esqueci-me do mundo e de tudo, exceto de Deus. Ele só é encontrado nos caminhos dos Evangelhos... a GRANDEZA DA ALMA HUMANA... agora vejo que ela é o próprio Deus. Pai justo, o mundo não te conhece, mas eu te conheci. Alegria, alegria, alegria, lágrimas de alegria! Eu não me separarei jamais de ti... Meu Deus, esta é a vida eterna que se ganha depois de te conhecer, o único Deus verdadeiro, e aquele que tu enviaste - o Cristo; com ele, tudo é Um... Renúncia total e doce... submissão total a Cristo... eternamente em alegria por um momento de aprendizado sobre a terra... jamais esquecerei o que hoje me ensinaste... Amém”.

    Esse pergaminho existe até hoje. Recebeu o nome de “amuleto místico de Pascal” e está na Biblioteca Nacional, em Paris.

    Abraços.

    Monstrinho

    Mensagens : 145
    Data de inscrição : 22/05/2011

    Re: A "VISÃO DIVINA"

    Mensagem  Monstrinho em Sex Jul 15, 2011 6:22 pm

    Olá,

    Só não entendi porque esses dados sobre Pascal foi postado aqui no tópico sobre o Zen.

    Mas, complementando, Pascal escreveu "Divertimentos", obra essa em que cita as inumeráveis atividades dos homens com objetivo de se manterem ocupados todo o tempo, e assim, não pensarem (refletirem ou meditarem) sobre suas vidas, sobre a sua Natureza, o famoso "quem somos, de onde viemos e para onde vamos".

    Pascal citava, por exemplo, o rei e a sua côrte. Qual o objetivo da côrte? É distrair o rei, porque se o rei fica um só momento sem diversão, logo tem que pensar nos problemas do seu reino, e isso traz desgosto para ele, "por mais rei que seja", conclui Pascal.

    Assim também, o objetivo da caça não é saboreá-la mais tarde, mas sim o entretenimento da perseguição ao bicho selvagem, de outro modo, se matariam animais domésticos para aproveitar sua carne, o que então, não realizaria a lógica de ficar entretido.

    "O problema de todo homem é não conseguir ficar fechado no seu quarto", dizia Pascal, e por isso, os jogos, as conversações com as mulheres e toda a espécie de ruídos é necessária para o homem não ter que ficar com a mente livre para pensar em si mesmo, no seu íntimo.

    Uma obra atual, portanto. Vejo os jovens hoje, parados nos pontos de ônibus com um fone de ouvidos ou mexendo num celular, como se ficar quieto por um instante fosse algo extremamente penoso.

    As pessoas em geral têm a crença de que ficar quietos, parados sem fazer nada é algo anormal; que o normal é estar se comunicando o tempo todo, ainda que seja ouvindo música num pequeno rádio ou falando ao celular com parentes e amigos. A solidão é crime hediondo: ficar só é sinal de doença.

    Para terminar, cito de memória uma estorinha Zen muito interessante, antípoda dos comportamentos sociais atuais.

    Três homens que passeavam por um local, num campo, viram um homem sentado numa colina, e resolveram ir lá perguntar o que ele estava fazendo.
    O primeiro perguntou: "você está meditando?", e ele respondeu "não, não estou meditando".
    "Então está observando a paisagem", - disse o outro. "Não, também não estou observando a paisagem".
    "Oras - inquiriu o terceiro já preocupado - então está respirando o ar puro da montanha". "Também, não" - retrucou o homem.
    "Mas - perguntaram agora os três juntos, estupefatos - o que fazes aqui então? "Apenas estou aqui", respondeu o homem. Wink

    É isso que falta na nossa civilização ocidental: quietude, tranqüilidade.


    Abçs,


      Data/hora atual: Seg Jan 16, 2017 7:43 pm