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    O que é Maya (Ilusão Cósmica) afinal?

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    O que é Maya (Ilusão Cósmica) afinal?

    Mensagem  Admin em Qua Jul 20, 2011 5:33 pm

    Olá a todos. Leiam/critiquem/comentem o texto abaixo:

    Tempos atrás quando o Joaquim adotou o ‘tudo é ilusão’ muito bate boca foi gerado. Alguns, incluindo a mim mesmo, se opuseram a esta verdade. Ok, algumas coisas podem não ser vistas como ilusões para nós, mas muitas com certeza são. Abaixo coloco algumas idéias sobre isso e espero que todos reflitam um pouco sobre as verdadeiras ilusões humanas.

    Ter dor de dente pode não ser ilusão, mas sofrer porque não gostaria que isso estivesse acontecendo é.
    A morte precoce e repentina de um ente querido pode não ser ilusão, mas achar que todos vão morrer com 102 anos de morte natural é.

    Ter o carro novinho em folha arranhado pode não ser ilusão, mas achar que o carro nunca seria arranhado é.

    Receber uma crítica ou xingamento pode não ser ilusão, mas achar que todos deveriam gostar de você é.

    Perder o emprego pode não ser ilusão, mas pensar que você jamais seria demitido é.

    Alguém fazer o que você não gosta pode não ser ilusão, mas achar que todos deveriam satisfazer suas necessidades e expectativas é.

    Ter um filho drogado e marginal pode não ser ilusão, mas ter sonhado que ele seria tudo o que você não pode ser quando jovem, como ser bem sucedido, respeitado, ter uma linda família e ser muito feliz é.

    Ser traído pela grande paixão amorosa pode não ser ilusão, mas acreditar que ela era de sua propriedade e que ficaria ao seu lado até a sua morte é.

    Ter uma doença pode não ser ilusão, mas achar que você jamais ficaria doente é.

    A derrota do seu time de futebol no final de um importante campeonato pode não
    ser ilusão, mas achar que ele deveria ganhar todos os campeonatos é.

    Ter a casa destruída por causa de uma enchente pode não ser ilusão, mas sofrer porque isso aconteceu é.

    Um inimigo passar ao seu lado e virar a cara pode não ser ilusão, mas querer que todos gostem de você é.

    Estar só pode não ser ilusão, mas sofrer porque está sozinho é.

    Ser contrariado pode não ser ilusão, mas achar que você sempre deve ser satisfeito é.

    Ter um problema pessoal pode não ser ilusão, mas se preocupar por causa disso e cair em depressão é.

    Como pode ver nos exemplos acima, as verdadeiras ilusões deste mundo não estão nas coisas que acontecem, mas em como nos relacionamos mentalmente diante das coisas que acontecem.




    Fonte: http://www.universalismo.org/06/05/2009/afinal-o-que-e-ilusao-neste-mundo/



    Última edição por Admin em Qui Jul 21, 2011 8:54 pm, editado 1 vez(es)

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    Convidado

    O QUE É A ILUSÃO

    Mensagem  Convidad em Qui Jul 21, 2011 7:22 pm


    O que é a Ilusão afinal?
    Cel: qdo dizemos q o mundo e tudo mais no espaço-tempo é ilusão, isso significa que não estamos vendo o mundo como ele é na realidade; estamos apenas vendo o que tudo é através dos olhos míopes do ego, q nos dão uma imagem distorcida; não o estamos vendo com os “olhos” límpidos do espirito. Este vê “o que é”; aquele vê o q não é.

    Admin
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    Re: O que é Maya (Ilusão Cósmica) afinal?

    Mensagem  Admin em Qui Jul 21, 2011 8:17 pm

    Vejam que interessante essa estória:

    Certa vez, Narada (um grande sábio) disse a Krishna:
    “Senhor, mostre-me Maya (Ilusão Cósmica)”.

    Alguns dias se passaram e Krishna convidou Narada para um passeio pelo deserto e, depois de andarem algumas milhas, Krishna disse: “Narada, estou com sede; você pode trazer-me um pouco d’água?”

    “Partirei imediatamente, senhor, para buscar sua água.” Assim, Narada partiu.
    Não muito longe havia uma aldeia; entrou nela à procura de água e bateu numa porta, que foi aberta por uma linda mocinha. Ao vê-la, ele se esqueceu, imediatamente, que seu Mestre esperava pela água, talvez morrendo de sede.
    Esqueceu tudo e começou a conversar com a moça. Decorrido o dia todo, ele não voltou ao seu Mestre. No dia seguinte, lá estava ele de novo a conversar com a mocinha. A conversa transformou-se em amor; ele pediu a garota em casamento e eles se casaram e tiveram filhos. Passaram-se assim doze anos.
    Seu sogro faleceu e ele herdou sua propriedade. Vivia, como pensava, uma vida muito feliz com sua esposa e filhos, com seus campos e o gado e assim por diante. Então, houve uma enchente. Certa noite, o rio encheu-se até transbordar e inundar toda a aldeia. As casas caíram, homens e animais foram arrastados e afogados e tudo flutuava na violência da torrente. Narada teve de fugir. Com uma das mãos segurava sua mulher e com a outra dois de seus filhos; outro filho estava em seus ombros e ele tentava atravessar aquela tremenda inundação. Após dar alguns passos, viu que a corrente estava forte demais e a criança que estava em seus ombros caiu e foi carregada pelas águas. Narada soltou um grito de desespero. Ao tentar salvar a criança, largou uma das outras, que também se perdeu. Finalmente, sua mulher, que ele agarrara com toda sua força, foi arrebatada pela torrente e ele foi arremessado às margens, chorando e soluçando com amargas lamentações.

    Atrás dele surgiu uma voz delicada: “Meu filho, onde está a água? Você foi procurar um bocado d’água e estou esperando por você. Já faz meia-hora que você partiu.”

    “Meia-hora!“, exclamou Narada. Doze anos tinham se passado em sua mente e todas essas cenas aconteceram em meia hora! É isto que é Maya.

    E, houve uma interpretação assim do mito:

    "Quando Krishna pede a Narada um pouco de água, seria como uma alma recebendo uma missao a cumprir, logo sua “Verdadeira Vontade”, e sua ida ate a aldeia significaria a “queda”, encarnacao. A bela jovem e o romance que se origina sao como prazeres mundanos, entao Narada opta por nao cumprir sua missao (livre arbitrio) e se entrega a uma vida boa, sem se preocupar com qualquer outra coisa, pois pensa ter tudo que deseja. Mas chega um ponto onde tudo termina, onde tudo em que Narada se prendia foi tirado dele pela mesma coisa que ele deveria buscar, algo como se a morte chegasse e nosso personagem nao entendesse o que acontecera e fica um tempo vendo tudo se perdendo num sofrimento pos morte… limbo ou outra terminologia equivalente. Por fim, Krishna pergunta sobre sua missao e Narada se lembra do que deveria fazer, mas acha que se passou muito tempo, pois tem uma visao limitada sobre o assunto (uma vida sendo muito tempo), ao qual Krishna o consola lembrando que ele ainda tem muito tempo de sobra, ou muitas encarnacoes pela frente."

    Está havendo um debate sobre essse tema aqui: http://www.deldebbio.com.br/index.php/2011/05/18/o-que-e-maya/ Se quiserem conferir...

    Abçs,

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    Máscaras de Deus

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    Re: O que é Maya (Ilusão Cósmica) afinal?

    Mensagem  Máscaras de Deus em Qui Jul 21, 2011 9:14 pm

    Maya - o Mundo das Aparências




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    Máscaras de Deus

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    Re: O que é Maya (Ilusão Cósmica) afinal?

    Mensagem  Máscaras de Deus em Qui Jul 21, 2011 9:15 pm

    Maya - O Mundo das Aparências II



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    Máscaras de Deus

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    Re: O que é Maya (Ilusão Cósmica) afinal?

    Mensagem  Máscaras de Deus em Qui Jul 21, 2011 9:16 pm

    Maya - O Mundo das Aparências III




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    Re: O que é Maya (Ilusão Cósmica) afinal?

    Mensagem  Convidad em Sex Jul 22, 2011 6:19 am

    Admin escreveu:Olá a todos. Leiam/critiquem/comentem o texto abaixo:

    Tempos atrás quando o Joaquim adotou o ‘tudo é ilusão’ muito bate boca foi gerado. Alguns, incluindo a mim mesmo, se opuseram a esta verdade. Ok, algumas coisas podem não ser vistas como ilusões para nós, mas muitas com certeza são. Abaixo coloco algumas idéias sobre isso e espero que todos reflitam um pouco sobre as verdadeiras ilusões humanas.

    Ter dor de dente pode não ser ilusão, mas sofrer porque não gostaria que isso estivesse acontecendo é.
    A morte precoce e repentina de um ente querido pode não ser ilusão, mas achar que todos vão morrer com 102 anos de morte natural é.

    Ter o carro novinho em folha arranhado pode não ser ilusão, mas achar que o carro nunca seria arranhado é.

    Receber uma crítica ou xingamento pode não ser ilusão, mas achar que todos deveriam gostar de você é.

    Perder o emprego pode não ser ilusão, mas pensar que você jamais seria demitido é.

    Alguém fazer o que você não gosta pode não ser ilusão, mas achar que todos deveriam satisfazer suas necessidades e expectativas é.

    Ter um filho drogado e marginal pode não ser ilusão, mas ter sonhado que ele seria tudo o que você não pode ser quando jovem, como ser bem sucedido, respeitado, ter uma linda família e ser muito feliz é.

    Ser traído pela grande paixão amorosa pode não ser ilusão, mas acreditar que ela era de sua propriedade e que ficaria ao seu lado até a sua morte é.

    Ter uma doença pode não ser ilusão, mas achar que você jamais ficaria doente é.

    A derrota do seu time de futebol no final de um importante campeonato pode não
    ser ilusão, mas achar que ele deveria ganhar todos os campeonatos é.

    Ter a casa destruída por causa de uma enchente pode não ser ilusão, mas sofrer porque isso aconteceu é.

    Um inimigo passar ao seu lado e virar a cara pode não ser ilusão, mas querer que todos gostem de você é.

    Estar só pode não ser ilusão, mas sofrer porque está sozinho é.

    Ser contrariado pode não ser ilusão, mas achar que você sempre deve ser satisfeito é.

    Ter um problema pessoal pode não ser ilusão, mas se preocupar por causa disso e cair em depressão é.

    Como pode ver nos exemplos acima, as verdadeiras ilusões deste mundo não estão nas coisas que acontecem, mas em como nos relacionamos mentalmente diante das coisas que acontecem.



    É claro que a liberdade e a compreensão só chegam com a total aceitação que tudo é ilusão.

    Na verdade não existe dores, nem pessoas nem morte ou sofrimento, o que existe são sensações, nem boas nem más, que nos ensinaram a classificar e enfatizar de uma forma completamente ilusória.

    Por isso, todas esses exemplos aí acima só fazem sentido para as pessoas, mas como as pessoas são a maior ilusão que foi ensinada a perceber, pois não existem, todos esses exemplos são apenas ilusões.

    Adeus
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    Monstrinho

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    Re: O que é Maya (Ilusão Cósmica) afinal?

    Mensagem  Monstrinho em Sab Jul 30, 2011 10:45 pm

    Olá,

    Postei esse texto num outro fórum - se bem que o mesmo se encontra num tópico sobre Nietzsche.

    Se quiserem conferir e participar do debate ==> http://forum.consciencia.org/nietzsche/nietzsche-e-talvez-o-unico-filosofo-a-ser-levado-a-serio/msg20584/#new


    Na questão 266 de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec pergunta aos Espíritos se "Não parece ser lógico que os Espíritos escolham as provas menos dolorosas"? E a resposta é "Para vós sim, para o Espírito não; quando ele está liberto da matéria, a ilusão cessa, e o seu modo de pensar é diferente".

    Durante 20 anos como espírita, eu mesmo e de maneira geral, todos os espíritas, não entenderam essa questão a contento. Por isso mesmo, um amigo nosso que é estudioso de O Livro dos Espíritos, se refere a este como o muito citado, pouco lido e raramente compreendido Livro dos Espíritos.

    Vamos analisar essa importante questão, que parece muito simples à primeira vista, mas seja por uma questão de tradução, ou até por uma questão de uma maneira incorreta de expressão, a resposta suscita abordagens dúbias.

    Esse "vós" é o ser humano, que pensa diferente do Espírito, apesar de o "Espírito estar nele" . Esse "liberto" da matéria (é aqui que surge o problema, a dubiedade), não é estar livre do corpo físico apenas - o que gerou a mentalidade em grande parte do movimento espírita de que, uma vez estando desencarnado, o Espírito se livraria não só do corpo, mas das idéias mundanas, e isto não é verdade, em face das comunicações dos Espíritos que continuam após a morte acreditando que têm amigos, inimigos, nome próprio, profissão, esposa, filhos, bens materiais, idéias "próprias", ou seja, continuam vivendo o personagem após a morte, uma prova de que não se libertaram do ego.

    Então esse "liberto da matéria" é quando o Espírito se despiu do ego, e isto pode (deve, de outro modo o Espírito perde a reencarnação e volta para a Roda do Samsara) se dar em "vida".

    Se "a maneira do Espírito pensar" é diferente da do ser humano (o "vós", na resposta), é porque, quem escolhe representar o personagem é o Espírito, ou seja, ele exerce o seu livre-arbítrio na escolha das provas, e Deus, provê os meios (tudo aquilo que o ser humano chama de dores, desgraças, ou contrariamente, prazer, felicidade - isso é tudo ilusão) para que o Espírito cumpra a sua prova.

    Vamos exemplificar. O (a) Mirtes é um Espírito e escolhe nascer como mulher e terá como prova (além de ser mulher, que já é uma prova) ter um marido infiel. Ora, o Espírito é que está pedindo isso, não obstante, uma vez reencarnado, Deus proverá os meios para que a prova seja cumprida, a saber que surgirá em sua vida o homem infiel. A Mirtes se casará com ele, e será traída. Mas a Mirtes, que agora é uma personagem, verá isto como uma dor terrível, como uma injustiça, dirá que ela não merece passar por aquilo, porque ela se dedica ao marido, é fiel, companheira, amiga, batalhadora ao lado dele, e ele é infiel com ela. E aí surge aquele mar de lamentações e imprecações contra Deus e contra a vida.

    Quem está criando essa idéia de "infelicidade" e desventura, é o ego, porque a Mirtes nasceu num mundo, cuja sociedade ensina uma moralidade que preconiza a fidelidade como algo correto, e a infidelidade como algo imoral; preconiza mais: que o ato de ser fiel tráz "recompensas" socialmente falando - e também após morte - e o ato de ser infiel, provoca dor e sofrimento naquele que é alvo da infidelidade. Quer dizer, todas essas idéias são criadas pelo ego, mas o que é o ego senão o próprio ser humano? O que é ego senão esse ser social que é moldado pela sociedade e levado a acreditar nos valores e idéias dominantes dessas sociedade?

    E o Espírito? Onde e como fica nessa? O Espírito está assistindo a tudo isso e pode amar incondicinalmente (= não acreditar nas estorinhas que o ego nos conta) ou não. Quando o Espírito assiste a isso? Nos momentos de desdobramento pelo sono em que algumas vezes toma consciência do que realmente está acontecendo.

    Se ele acredita nas mentiras ou estorinhas que o ego conta, ele não é capaz de amar incondicionalmente, mas se ele duvida das estórias que o ego conta, então vê a infidelidade como algo natural, já que vivemos num mundo de impermanência, que é o mundo de Maya, e o que suscita todos esses "males" são as próprias condições que Maya, suscita ao Espírito, cujo objetivo é fazer este mergulhar na ilusão a fim de poder discernir a realidade.

    Assim, o ser humano não existe. O ego é que cria a idéia de que o ser humano é real. O ego é o próprio ser humano, o que levou Paulo de Tarso a dizer que "O ser humano é inimigo de Deus" (= é inimigo do Espírito, que pensa diferente dele).

    Então, não existe homens e mulheres; pais e filhos; pobres e ricos; poderosos e fracos; sábios e ignorantes. Isso é tudo ilusão! O que existe são Espíritos representando todos esses papéis fictícios.

    Isto fica claro nos romances mediúnicos do Victor Hugo e Manoel Philomeno de Miranda entre outros, quando o filho de um certo pai nesta encarnação, se reencarna como pai daquele que lhe foi pai numa outra encarnação. Então, não faz sentido acreditar que eu tenho um pai, um filho, um inimigo, que eu tenho riquezas ou que sou poderoso.

    Outro exemplo mais contundente: o indivíduo acredita que pessoas "de cor" são inferiores. Ele é racista, e persegue esse tipo de pessoas. Quando ele desencarna, vê que aquilo tudo era ilusão, pois os Espíritos não têm cor! Espírito tem sexo? Espírito tem riquezas? De modo que, ele mesmo pede para reencarnar no meio daquele povo que perseguiu, mas não para "colher o que plantou", "pagar dívidas pretéritas", mas como ensejo para ele compreender, que cor da pele, sexo, classe social, etc, é tudo ilusão.

    Agora, não me faça a complicada pergunta do porquê os Espíritos necessitarem demandar o mundo de Maya, ou seja, encarnarem em mundos materiais em que "os sentidos enganam" (Descartes), porque isso ninguém sabe responder. Pai Joaquim de Aruanda diria que o objetivo da reencarnação é o Espírito "amar incondicionalmente", ou seja, suprimir o dualismo e, em deixando de acreditar na variedade/multiplicidade, que são modos de manifestação da Realidade Absoluta ou Brahman (Se quiser pode chamar isso de "deus" também) enxerga a unidade. Há até uma estória interessante, que, Swami Vivekananda uma vez riu de seu mestre Sri Ramakrihna, quando este dizia ver Deus. E Ramakrishna respondeu que "vejo Deus quando olho você, aquela pedra, aquela mulher, aquele pássaro", etc. E essa foi a grande descoberta de Buda, de que o ego é uma ilusão. Se as representações simbólicas criadas socialmente é que conferem inteligibilidade ao mundo, e se essas representações são construídas por um "ego coletivo", então o mundo e as próprias pessoas são ilusões, o que levou Buda a ver em tudo e em todos apenas modos de manifestação da Realidade Absoluta, e com isso, fez a descoberta do "não-eu", a descoberta mais importante de toda a história da humanidade, na minha opinião.

    Bom, isso do ponto de vista da Doutrina Espírita - quando bem compreendida, é claro.

    Sem levarmos em conta a reencarnação, o EU SOU é a testemunha silenciosa que observa as ações, pensamento e sentimentos do ego. O EU SOU, o EU SUPERIOR não pensa. Pensar é uma atividade exclusiva do ego. O EU verdadeiro, conhece a realidade através da percepção não condicionada, que consiste numa postura céptica, ao questionar todas as estorinhas e mentiras que o ego nos conta. Este mister é passível de obtenção pela meditação, que consiste em observar os pensamentos, observar o ego, mas sem se envolver emocionalmente com ele, advindo então o conhecimento de que, eu não sou o ego, eu não sou fulano e sicrano, pai de beltrano, "eu não sou isto nem aquilo, EU SOU!" (Nisargadatta Maharaj).

    Então o ser humano é uma ilusão, ele não é real. Talvez ele seja real dentro de uma perspectiva relativa, mas de um ponto de vista absoluto "tudo o que existe debaixo do Sol é ilusão e vento que passa", como nos pontuou, sabiamente, o rei Eclesiastes.




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    Re: O que é Maya (Ilusão Cósmica) afinal?

    Mensagem  Convidad em Dom Jul 31, 2011 5:28 pm

    ...este incessante morrer obstinado,
    esta morte vivente,
    que te retalha, oh, Deus,
    em tua rigorosa obra
    nas rosas, nas pedras,
    nos astros indomáveis
    e na carne que se queima,
    como uma fogueira acesa por uma música,
    um sonho,
    um matiz que atinge o olho.
    ...e tu, tu próprio,
    talvez tenhas morrido eternidades de eras aí fora,
    sem que saibamos a respeito,
    nos refugos, migalhas, cinzas de ti;
    tu que ainda estás presente,
    como um astro imitado por sua própria luz,
    uma luz vazia sem astros
    que nos alcança,
    escondendo
    sua infinita catástrofe."

    JOSÉ GOROSTIZA

    Adeus
    http://forum.consciencia.org/questoes-sobre-filosofia-em-geral/a-poesia-como-meditacao/
    Aqui, sou o ajce...
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    Re: O que é Maya (Ilusão Cósmica) afinal?

    Mensagem  Monstrinho em Dom Jul 31, 2011 7:42 pm

    dim-dim escreveu:...este incessante morrer obstinado,
    http://forum.consciencia.org/questoes-sobre-filosofia-em-geral/a-poesia-como-meditacao/
    Aqui, sou o ajce...


    Não tenho pressa. Pressa de quê?
    Não têm pressa o Sol e a Lua: estão certos.
    Ter pressa é crer que a gente passa adiante das pernas,
    Ou que, dando um pulo, salta por cima da sombra.
    Não; não tenho pressa.
    Se estendo o braço, chego exatamente onde o meu braço chega -
    Nem um centímetro mais longe.
    Toco só onde toco, não onde penso.
    Só me posso sentar onde estou.
    E isto faz rir como todas as verdades absolutamente verdadeiras,
    Mas o que faz rir a valer é que nós pensamos sempre noutra coisa,
    E somos vadios do nosso corpo.

    Alberto Caeiro (Fernando Pessoa).


    Abçs,

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    A Felicidade Terrena é uma Ilusão?

    Mensagem  Monstrinho em Dom Jul 31, 2011 11:54 pm

    Olá!! Very Happy

    Segue uma resposta a um artigo do Jorge Hessen sobre a Felicidade, intitulado "CONCISA EXPLANAÇÃO A PROPÓSITO DESSA TAL FELICIDADE" ==> http://jorgehessen.net/index.php


    Olá Jorge e amigos.

    Muito bom o texto sobre a Felicidade. Mas ainda assim resta uma questão: os espíritas estão tentando servir a dois senhores? - e você cita o ESE, segundo o qual, "podemos ter apenas uma felicidade relativa aqui na Terra". Será que podemos mesmo? Do ponto de vista de estar desde já "desligados da matéria" (esse é o termo que os Espíritos utilizam nas obras básicas) essa felicidade pode realmente existir, mas repare que ela independe das condições materiais em que se encontra o Espírito encarnado ou Ser Humano, condições essas que você faz questão de salientar como passíveis e possíveis de serem eliminadas da face da Terra, quando você cita o exemplo do indigente caído com roupas sujas como conseqüência de "quedas morais".

    Quais seriam essas "quedas morais" Jorge? Seriam "quedas" advindas do descuido do próprio homem que dissipa seus bens e cai na pobreza, ou seriam "quedas" carmáticas, ou seja, advindas de práticas ignominiosas praticadas em vidas pretéritas por esse Espírito?

    Porque, os espíritas sempre tem a mania de ir logo dizendo: "olhe lá aquele mendigo, na outra reencarnação deve ter sido um rico que vivia de maneira egoística".

    Muito controversa essa questão, porque o próprio Jesus nasceu pobre e não consta que em reencarnações pretéritas ele teria sido um ricasso maldoso ou um sexólatra, um praticante da luxúria inveterada.

    Então que negócio é esse de ficar dizendo que "se as pessoas seguissem os ensinos do Cristo, o mundo seria pior ou melhor?" De que "Se as pessoas fossem menos egoístas e amassem o próximo não haveria guerras, fome, pobreza e etc?"

    Ora, se conseguissemos transmutar a Terra em um paraíso divino, não teria como os Espíritos imperfeitos demandarem o mergulho na carne para se submeterem a provas e expiações. E é por isso que a Terra é um mundo de Provas e Expiações, pois que, ela está em "igualdade de condições" para receber os Espíritos que precisam dela, para aquilo que os espíritas chamam de "evolução". A "evolução" do planeta, caminha a par com a evolução dos Espíritos que nele habitam" - disso sabemos pela própria Doutrina Espírita.

    O mundo tem que ser exatamente do jeito que ele é - lógico que não precisava piorar na razão inversa das conquistas científicas e tecnológicas - mas, também acreditar que a Terra deveria ser um mundo em que se pudesse viver a "felicidade prometida aos justos" é um engodo.

    E aqui entra a questão, a qual, é tema central do seu artigo: o que é a felicidade? Digo que, nada daquilo que os seres humanos experimentam em termos de "viver em fraternidade", "em paz com a família", "com a sensação de dever cumprido", "ser honesto e colocar a cabeça no travesseiro sem sentimentos de culpa", e tampouco essa felicidade articial que é construída a partir da moralidade socialmente instituída - e essa moralidade é hoje, construída pela ciência e também, à parte, pelos espíritas - pode ser considerado como a felicidade do Espírito, porque tudo isso são PROVAS!!

    Eu não estou vivendo em paz e harmonia com a minha família e com os meus vizinhos - e os espíritas acreditam que, se estão nessa situação, é porque merecem - mas eu estou vivendo nessa "paz e harmonia" como prova. Em que consiste essa prova? Consiste em eu acreditar ou não que eu estou sendo feliz ou não, como na estória de Krishna e Narada, em que Narada pede a Krishna para lhe mostrar o que é Maya (ilusão Cósmica), e quando eles saem pelo deserto, Krishna tem sêde, e pede a Narada que vá em busca de água. Ele vai, e ao longe vê uma aldeia, em que, chegando lá se depara com uma linda mocinha. Se esquece de Krishna que está com sêde, apaixona-se pela moça, se casam, têm filhos, fica rico, e num "belo" dia, surge uma enchente e acaba com tudo, e fica somente ele ao pé de um barranco com amargas lamentações e imprecações, quando então, surge Krishna perguntando, "meu filho, cadê a água? Faz meia hora que foste buscá-la!" "Meia hora! Se passaram doze anos" responde Narada.

    O mito retrata o mergulho do Espírito no mundo de Maya (mundo material), e a felicidade que ele julgava ter com sua mulher, seus filhos e sua riqueza, eram precisamente a ilusão (Maya) que ele pedira a Krishna que lhe mostrasse. A enchente significa a desencarnação e a perturbação espiritual a que está submetido, Narada, e Krishna, é o reencontro com a própria consciência espiritual na sua retomada de consciência como Espírito, que "uma vez liberto da matéria" (liberto das ilusões), "pensa de maneira diferente". E Krishna - que agora pode representar um instrutor espiritual - consola Narada, lembrando-lhe que lhe será dada nova oportunidade para o mergulho em Maya - uma nova reencarnação.

    Mas os espíritas - como vemos lá no seu discurso - acham que "fazer o bem ao próximo, deixando de sermos egoístas" nos libertará de todas as ilusões. Será mesmo assim?? Narada não representa, de fato, senão o homem trabalhador e honesto que vive dignamente, trabalha, constrói, produz riquezas, faz o bem gerando empregos, criando, educando e amando os seus filhos? E ainda assim, esse homem "feliz", retorna ao mundo espiritual todo perturbado, sem consciência da sua natureza espiritual.

    Não existe portanto nenhuma felicidade terrestre. O que se chamam de felicidade não são senão provas para os Espíritos, como no exemplo que você cita da moça bonita, que de tão bela, tem que ir ao psicólogo, porque esta beleza lhe traz perturbações de ordem emocional, e o que para muitos se lhe afiguram uma "felicidade", para aquela moça, para aquele Espírito encarnado não é senão uma prova, e que prova! A prova da beleza física, que leva o indivíduo a acreditar-se melhor do que os outros. E aí vem a questão: qual é a beleza de um Espírito desnudo? (= liberto de todas as ilusões?).

    Decerto também, somos felizes em termos nascidos homens e mulheres, e ter a "felicidade" de utilizar a energia do sexo - que é uma demanda da matéria e não algo que está na mente do Espírito, como afirma a maioria dos espíritas - de podermos procriar e ter a nossa família. Mas esta suposta felicidade não será também uma prova? Espírito tem sexo?

    Se Espírito não tem sexo, qual é a razão de eu acreditar que sou um homem, ou que sou pai ou filho, ou que tenho filhos e filhas, quando na verdade todos esses citados não são senão Espíritos cumprindo provas?

    "Amo minha mãe". Não, você não ama. Você tem apego. Amo meus filhos, minha esposa, mas detesto minha sogra; então você não ama: num caso tem apego pelos filhos e esposa, e noutro, o apego doentio a uma situção de não gostar de alguém que não é capaz de lhe proporcionar algum prazer.

    Sim, amamos nossos amigos, nossa esposa, nossos filhos, na medida em que eles nos dão segurança socialmente, nos dão prazer, nos dão a mão amiga e o carinho de que tanto necessitamos, mas por que razão não amamos a esposa infiel, o amigo traidor, os filhos ingratos e a sogra chata? Porque não sabemos amar incondicionalmente, o que levou Paulo de Tarso a dizer que "O ser humano é inimigo de Deus", ou como disse Fernando Pessoa, "eu digo que uma flor é bonita em troca do perfume que ela me dá". É aí que subjaz o egoísmo que é a causa das nossas misérias, e não pelo fato de fazermos ou não o bem ao próximo!

    Então o Espírito ama de um jeito, e o ser humano ama de outro jeito, porque se o ser humano amasse da forma que o Espírito pretende amar, ele amaria a esposa infiel, pois, não foi ele mesmo que pediu a prova de casar-se com uma mulher que posteriormente lhe seria infiel??

    Como diz Swami Vivekananda: "Se eu for um ladrão, roubarei o tesouro do rei, e se for para eu amar, amarei a Deus". E o que é amar a Deus sobre todas as coisas senão amar tudo "de mal" que nos acontece??

    Voltamos à questão 132 de O Livro dos Espíritos, sobre o Objetivo da reencarnação, e também na questão 258 e seguintes sobre a Escolha do Gênero de Provas, que é o próprio Espírito quem escolhe o Gênero de Provas pelas quais irá passar, e a Deus, cumpre fornecer os meios para que o Espírito se submeta a essas provas.

    Assim, quando eu resmungo e impreco contra a vida, porque minha mulher me traiu, meu sócio me roubou, perdi tudo que eu tinha e estou na miséria, eu estou QUESTIONANDO a sabedoria de Deus, e não amando a Deus.

    Amar a Deus seria "amar o mal" que nos acontece, ou seja, ver e viver com equanimidade tanto o "bem" quanto o "mal" que nos acontece.

    Desse ponto de vista não há nenhuma felicidade possível na Terra, e aqueles que se julgam felizes, e ao olhar o mendigo caído na sarjeta julgam-no infeliz, estão iludidos.

    Foi essa mentalidade que levou Sidarta Gautama, o Buda, a renunciar ao trono e tornar-se mendigo, porque, apesar de a sua condição de príncipe reunir todos os requisistos para que ele fosse o mais feliz dos homens, sabiamente ele fez a seguinte pergunta: "De que vale viver essa felicidade se o destino de todos os homens é a morte"?

    Trata-se de se desumanizar o quanto antes, assim como o Filho do Homem, que, comparado à natureza, "as raposas têm suas tocas, as aves do céu, os seus ninhos" mas ele mesmo "não tem uma pedra onde reclinar a cabeça dolorida".

    Quer dizer, ele, que é o Mestre dos Mestres, não era do mundo "e por isso o mundo me odeia", disse ele. Esse não ser do mundo consiste em negar todas as regras sociais estabelecidas, todos os tabus, tradições e costumes estruturados a partir da moralidade, essa moralidade hipócrita que é apenas uma invenção dos homens, mas que muitos religiosos gostam de fingir que é a "lei de Deus instaurada na Terra". Sim, a "lei de Deus está instaurada na Terra", mas como Deus tem outras ocupações aí pelo Universo afora, então, obviamente há os seus representantes aqui na Terra não é mesmo? (Isto não é nada pessoal, refiro-me a todas as religiões dualistas, incluindo a espírita que não se pretende religião, mas é!).

    Esses representantes - falsos profetas, hipócritas por natureza - já tem de antemão estabelecidos os códigos morais sobre como é que se deve viver para obter a felicidade, e quais normas se devem seguir, qual o comportamento adotado para atingir esse reino de Deus que está dentro de nós. Mas, se o Reino de Deus está dentro de nós, como então as diretrizes e normas de conduta moral para se atingi-lo se encontram fora de nós? ?

    "A felicidade não é deste mundo"; "O meu reino não é deste mundo". Na prática da meditação, por exemplo, não encontramos nenhum estado de êxtase ou uma alegria sem tamanho, mas apenas começamos a enxergar que a busca da felicidade na Terra, é busca do prazer - não falo desse prazer instintivo ao qual você se reportou no seu artigo, por sinal muito bem escrito. Falo desse prazer que consiste em fazer, em viver de tal modo que nada dê errado, e isto é contra as leis da Natureza. Como diz Fernando Pessoa, "quero ser infeliz um pouco também, porque não é normal ser feliz o tempo todo".

    Toda vez que idealizamos uma vida em que tudo corra perfeitamente, em que nos esforçamos ao máximo para que nenhum empecilho surja para estragar os nossos planos de felicidade, lá na frente com certeza, como Narada, vamos nos deparar com a enchente do desgosto e da frustração, porque faz parte deste mundo ser feliz e infeliz, e a felicidade consiste em olhar ambos com os mesmos olhos e com a mesma serenidade.

    O que se demanda é sair deste mundo. É isso o que o Espírito está pensando quando escolhe a prova. Ele não está pensando: "eu vou dar uma melhorada, e na outra reencarnação a coisa fica mais fácil". Não, ele mergulha de cabeça na prova dele! Ele vai confiante! Mas sucede que, é da natureza do próprio mundo que surjam obstáculos inesperados - dentro do contexto das provas, é claro - assim como o homem que olha de cima da montanha o caminho que irá percorrer, mas não sabe se tropeçará em alguma pedra quando estiver em demanda pelo mesmo.

    "Temos várias reencarnações para evoluir", dizem os espíritas. Logo - isso ninguém fala, é claro, mas se deduz - "depois a gente pensa nisso" - na questão da vida interior.

    Como então, está em os Livros dos Espíritos que "desde o princípio uns seguiram o caminho do bem absoluto, e outros seguiram o caminho do mal, e neste último que se encontra a maioria?" Por que nós também não podemos ser como os primeiros que "seguem desde o princípio o caminho do bem absoluto"? Porque estamos iludidos. Servimos a dois senhores, e, as autoridades que instituem a moralidade, já nos livram da preocupação de pensarmos em nós mesmos, da preocupação e da dificílima tarefa que é buscar a verdade por nós mesmos, uma vez que, em se cumprindo à risca os códigos morais estabelecidos, "tudo vos será dado por acréscimo". Será?

    Então "a felicidade não está meramente prometida, ela está no aqui e agora; ela é um estado de Espírito, uma maneira de viver" (Friedrich Nietzsche, ao traçar o perfil psicológico de Jesus, em O Anti-cristo).

    Por felicidade entendo encarar as vicissitudes (altos e baixos da vida) com a mesma serenidade e estado de ânimo: nem se empolgar com um estado feliz de coisas que nos estão acontecendo - porque isto é ilusão - e nem se desesperar ante um estado de coisas em que nada dá certo - idem.


    Azuramaya

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    Re: O que é Maya (Ilusão Cósmica) afinal?

    Mensagem  Azuramaya em Seg Ago 01, 2011 5:02 pm

    Certa vez, depois de haver lido o Bhagavad Gita e algumas outras obras de envergadura, há muito procurava a essência das coisas, percebi que incinerava meus conceitos naturais em detrimento das novas idéias que estranhamente traduziam tudo aquilo numa nova língua. No fundo, não eram idéia novas, mas nomes novos, eu já os havia pensado e percebido, porém, ainda se encontravam sem nomes chave que os definissem.
    Simbolicamente "Maya", era algo que transtornava todos os cristãos, pois não era compreendido em função do vernáculo que criava uma dificuldade. Algo como se um biscoito de maizena com o formato trivial circular fosse apresentado com o formato quadrado. Se a massa era a mesma, qual é o motivo de se deixar levar pelo formato?
    A idéia da Torre de Babel definia bem essa etapa do conhecimento, quando os nomes estivam uma tradição e dinastia do pensar e tudo que deles é, assim as coisas alienígenas pela etimologia do ouvir se tornam pueris. Mas, de forma geral é a nossa métrica e sucumbimos por não aceitar as embalagens antigas ou mais antigas ainda e execramos o novo conceitual sem nos darmos a chance de separar o amor aos antigos e já confirmados modos que dão êxito.
    O "U" me representa Maya.
    Numa de suas pontas cá estou com os olhos fechados a contemplar o meu interior, não tenho visão, nem ouvidos, sentimentos ou ao menos idéia e o pensamento é informe e sem representação; além pálpebras, um novo mundo, o desconhecido, a incerteza e a maravilha que impressionam se comunicam por sentimentos. eles são a outra perna do "U" que de certa forma me é extensão.
    O quanto consigo enxergar dessa perna, o quanto consigo senti-la? Com os olhos abertos, vislumbro o Universo. Somos Eu e Ele, mas parece haver um terceiro elemento que nela jaz e me observa! Não estou só, há outros como eu também me observando. Quem somos nós e o que fazemos? Olhos de um mesmo Cíclope em posições diferentes de tempo e espaço. Descartes estava certo!
    Maya é então o quanto consigo enxergar do Universo e de mim mesmo em outra posição! Na medida em que relaciono minha percepção à minha razão e entedimento mergulho nesse "U" em ambas suas pernas, conseguindo argüir a existência do outro como eu mesmo e destruindo a ilusão de que as pernas são coisa diversas e independentes.
    Na realidade sem Maya não teríamos "ego" e seríamos incapazes de evoluir, pois através de seus tortuosos e errantes caminhos aprendemos a cair e prosseguir.
    Os sentidos nos pregam peças e nos fazem ficar escravos das paixões, mas por elas também aprendemos a transcender as etapas e desmistificar aos sentidos. Sem Maya o caminho para o Paraíso estaria perdido, mais uma prova de que na Natureza apresenta um dualismo perturbador, algo que parece dragar o tempo numa dança de felicidade sobre os ossos do amanhã.

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    Monstrinho

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    Re: O que é Maya (Ilusão Cósmica) afinal?

    Mensagem  Monstrinho em Seg Ago 01, 2011 6:37 pm

    Azuramaya escreveu:Descartes estava certo!

    Os sentidos nos pregam peças e nos fazem ficar escravos das paixões, mas por elas também aprendemos a transcender as etapas e desmistificar aos sentidos. Sem Maya o caminho para o Paraíso estaria perdido, mais uma prova de que na Natureza apresenta um dualismo perturbador, algo que parece dragar o tempo numa dança de felicidade sobre os ossos do amanhã.

    Estava nada! Very Happy. Já fui cartesiano outrora, um fã de Descartes. Adorava o admirável raciocínio de Descartes, que consistiu em retomar a ciência grega no seu ideal de desocultação das coisas, de ver por detrás das aparências:

    Hans-George Gadamer escreveu: [...] A ciência grega é algo totalmente novo em relação a tudo que os homens sabiam anteriormente e a tudo que costumavam cultivar como saber. Quando os gregos formularam esta ciência, separaram o Ocidente do Oriente e colocaram-no em seu próprio caminho.

    [...] Ao recuperar o sentido da palavra grega que designa a verdade, Heiddeger possibilitou em nossa geração um conhecimento promissor. Nâo foi Heiddeger o primeiro a descobrir que Aletheia significa propriamente desocultação (Unverborgenheit). Heiddeger nos ensinou o que significa para o pensamento do ser o fato de a verdade precisar ser arrebatada da ocultação (Verbogenheit) e do velamento (Verhohlenheit) das coisas como um roubo. As coisas mantêm-se por si próprias em estado de ocultação Shocked ; "a natureza ama esconder-se", teria dito Heráclito. (Pp. 59-60 - 'O que é a verdade?'. IN: "Verdade e Método II").

    De certa forma, o cogito cartesiano funda a Ciência Moderna, porque, desde Aristóteles, o ideal, o método da ciência consistia em observar a Natureza e os fenômenos do mundo exterior. Há uma ruptura na chamada "Idade das Trevas", em que o platonismo é retomado, a partir da Filosofia Patrística, com Agostinho, Plotino, e posteriormente atingindo sua expressão mais ambiciosa com Tomás de Aquino, Nicolau de Cusa (Mas Giordano Bruno é um caso à parte) até Galileu.

    Temos, após isso, os empiristas, que retomam o ideal aristotélico de investigação através da observação e, posteriormente, da experimentação. Mas tudo dentro desse ideal de confiança no testemunho dos sentidos; os olhos, a visão é um sentido essencial, e apesar de as matemáticas já estarem de certo modo consolidadas em seus princípios básicos, o critério de compravação de uma verdade continua sendo o experimento e observação.

    E, seguindo a tradição da Escola Céptica, de Michel de Montaigne e David Hume, o que Descartes faz é "levar a sério o processo de duvidar de tudo", de duvidar sobretudo, do testemunho dos sentidos, e com isso, numa noite em que adormece ao lado da lareira, numa noite muito fria, sonha com a teoria do cogito e formula o Penso, logo existo.

    O cogito cartesiano inaugura uma nova era na ciência - claro, ao lado da experimentação e da ascenção e valorização das práticas artesanais, e da ácida e contundente crítica ao "saber livresco" das Universidades controladas pela igreja. Inaugura uma nova era na ciência, pois, com o ideal de que os sentidos enganam, como no exemplo da cera, em que, submetendo-a ao calor, Descartes nota que todas as qualidades antes notadas como dureza, sons, cor, forma, sabor e odor, haviam desaparecido com o aquecimento do pedaço de cera.

    Surge então a dúvida quanto ao testemunho dos sentidos. Não que a ciência, doravante, tenha rejeitado os sentidos como método de conhecimento, pois os telescópios são o que senão uma extensão do sentido visual? Mas a questão é que, de ora em diante, os testemunhos dos sentidos - naturais e artificiais - serão submetidos ao crivo da razão.

    Você diz lá no seu texto que "os sentidos nos pregam peças e nos tornam escravos das paixões", dando margem à ilação de que, a razão se traduziria num meio de identificar essas "peças, essas ilusões dos sentidos, e com isso não só nos afastaria do domínio das paixões, mas teríamos um meio de conhecer a "verdade" ou a "realidade".

    Na verdade o cogito cartesiano - que culmina na Filosofia Idealista após Kant - será alvo de inúmeras críticas, mormente as de Nietzsche, em asseverando que "a razão e o idealismo projetam e constróem um mundo fictício" e portanto ilusório.

    Será, mais que isso, alvo de críticas da Antropologia, desbancando com uma só cartada, o conceito de que "o homem é um animal racional" (conceito esse advindo da tradição cartesiana), para substituí-lo pela arrojada concepção de que "o homem é um animal simbólico", ou seja, constrói representações simbólicas do mundo em que vive, a fim de conferir inteligibilidade ao mesmo; não só ao mundo, mas conferir inteligibilidade às próprias relações e organizações sociais.

    Bom, para eu não me delongar muito, retornemos à questão das ilusões. Diz você que os sentidos nos pregam peças e nos submetem às paixões. Sim, mas e a razão? A razão será tão infalível a ponto de não nos pregar peças ou não nos manter iludidos?

    A razão cria a sua própria lógica em termos de organização social, metodologia científica, organização burocrático-empresarial e com isso, recria o mundo tal "como ele é", se observado unicamente pelos sentidos, a ponto ser reconhecível e inteligível, agora, somente a partir dos próprios cânones e critérios da razão.

    A razão racionaliza o modo de viver das pessoas: sabemos que uma geladeira com a porta aberta gasta mais energia, e que se pisarmos demais no acelerador do carro, ele gasta mais combustível.

    Mas o problema da razão não está somente em que ela determina um novo modo de vida todo condicionado às pessoas, incluindo no seu modo de agir particular, na intimidade do lar, como no exemplo acima. Ela pretende que somente o seu método de conhecimento seja legítimo, e com isso desconsidera, desabona os demais "métodos", sejam os conhecimentos do Misticismo Oriental, ou os conhecimentos de outras sociedades que não a nossa.

    Se a razão recria o mundo e confere uma nova lógica que lhe é peculiar a partir de sua própria lógica e de seus critérios, o que de mais ilusória haveria do que reinventar e recriar uma realidade que, como asseverou Bachelard, "constrói um mundo à imagem e semelhança da razão"?

    O cogito cartesiano não é novo, em certo sentido: ele é de inspiração tomista (Tomás de Aquino), quando este cria Deus e seus atributos a partir da própria razão. Os atributos de Deus, são meramente atributos humanos, e é por isso que o Deus inventado pela razão não existe, e mesmo tudo o mais inventado pela razão só existe no âmbito, na esfera de lógica e inteligibilidade da própria razão.

    E tem mais: o testemunho dos sentidos não fica de modo algum suplantado ou soterrado pelo crivo da razão, porque, em primeira instância, os sentidos é que observam e têm a percepção disso ou daquilo; à razão, cabe somente averiguar e submeter a um "processo de auditoria" aquilo que os sentidos estão percepcionando.

    A percepção da razão, portanto, é uma percepção condicionada pela sua própria lógica.

    Sobre o conceito: "A palavra não é a coisa". Discutir a "revolução lingüística" aqui estaria fora da minha esfera de conhecimentos. Mas sabemos que, a revolução na ciência, a partir do século XVII, veio também acompanhada de uma revolução na linguagem, em que, parou-se de identificar a palavra, o signo com a coisa significada, e assim a razão consegue, de maneira fantástica, separar sujeito de objeto.

    Não temos portanto, conhecimento algum sobre as coisas e sobre nós mesmos. O que temos são conceitos sobre as coisas e sobre nós mesmos. Mas o conceito é a coisa ou uma representação sobre a coisa?

    E fica a pergunta: se coube a razão livrar a humanidade do jugo da religião (cujos "cânones" são similares na sua argúcia em produzir conceitos - "alma" "Deus", "inferno", "anjos" etc.); se coube à razão nos livrar dessas ilusões criadas pela religião, que outros tipos de ilusões a razão produz hoje e como se livrar delas?

    Abçs,



    Última edição por Monstrinho em Ter Ago 02, 2011 4:07 am, editado 3 vez(es)

    Azuramaya

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    Re: O que é Maya (Ilusão Cósmica) afinal?

    Mensagem  Azuramaya em Seg Ago 01, 2011 11:14 pm

    Perfeito e referendado por:

    "A percepção da razão, portanto, é uma percepção condicionada pela sua própria lógica."

    Ou seja:

    Cada Olho aberto é um ponto por onde se olha o espetáculo, um furo na lona do Circo com posição coordenada determinada e que apesar de ser olhada pelo mesmo olho (Mente Universal), ainda é diferente, pois é condicionada por sua própria lógica advinda de fatores limitantes que a impregnam de um caráter único.
    A Lógica é condicionada pelo que?
    Então, as experiências fazem de cada posição de observação, um evento diferenciado e ainda que nós busquemos motivos para estratificar essa hierarquia, jamais o indivíduo que veste essa posição é igual aos outros, mas o é absolutamente em natureza (Mente Universal), quando o "cogito..." se resolve ao dar a característiica marcante da auto-percepção somente àquele que se percebe a também ao fenômeno a sua volta.

    Então, o Universo assume tamanhos diferentes de acordo com a posição de cada um, pois se assim não fosse, a idéia da diversidade não teria razão de ser.

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    Re: O que é Maya (Ilusão Cósmica) afinal?

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