Filosofia Oriental e Espiritualismo Prático

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    MISTICISMO - O que é ser místico.

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    MISTICISMO - O que é ser místico.

    Mensagem  Convidad em Dom Jul 24, 2011 6:45 pm

    Um amigo perguntou:

    O amigo: “O que é ser místico, pois sei que místico é "Aquilo em que há mistério ou q é incompreensível”.


    Cel: amigo, essa é uma idéia completamente errada do q sejam o “místico” e o “misticismo”. Veja o q é o místico, não para aqueles de onde vc tirou essa definição totalmente equivocada, talvez um significado popular da palavra, mas para os <buscadores> de Deus. Estas explicações vc pode encontrar até na Internet:

    Mistico é o buscador da comunhão com a verdadeira identidade, com a consciência de uma derradeira realidade, divindade, verdade espiritual, ou Deus através da experiência <direta>.

    Jakob Böhme, místico cristão, em seu "O Príncipe dos Filósofos Divinos", define: o misticismo, em seu mais simples e essencial significado, é um <tipo> de religião profunda que enfatiza a atenção imediata da <relação direta e íntima com Deus>, com a consciência da Divina Presença. É a religião em seu <mais apurado> e <intenso> estágio de vida. Àquele que alcançou o "mistério de Deus" da-se o nome de místico. Os antigos cristãos empregavam a palavra "contemplação" para designar a experiência mística. O místico é aquele que busca uma <união pessoal ou unidade com Deus>, que ele pode chamar de Absoluto, Cósmico, Mente Universal, Ser Supremo, etc.

    A palavra "místico" é usada para os tipos de "conhecimento" esotérico e teosófico, não suscetiveis de verificação, por ninguém nem pela ciencia. A essência do misticismo é a experiência da <comunhão direta com Deus>. (Jesus: “Eu e o Pai somos um”).

    A palavra mistico se refere àquele q busca alcançar comunhão ou identidade consigo mesmo, isto é, a comunhão do “eu” com o “Eu” e, em plena lucidez, perceber-se a si mesmo como sendo a consciência da realidade última, do divino, Verdade espiritual, ou Deus através da experiência <direta>, o que lhe traz entendimento, sabedoria e amor. As tradições afirmam conhecer a existência daquilo que está <além> da percepção do homem, a crença de uma <uma verdadeira fusão> com o Ser Divino q está além do mundo e do raciocínio lógico ou da compreensão de nosso intelecto.

    O termo "misticismo" é usado para se referir a crenças que são externas ou <além> das religiões ou corrente principal, mas relacionado com a corrente principal. Por exemplo, Kabala é a fase (parte) mística do judaísmo, Sufismo é a fase mística do Islamismo.

    Por definição natural, misticismo é a prática, de determinado trabalho que pode vir a unir o homem à Natureza e a Deus. Dessa forma, o misticismo é diferente de todas as Religiões por referir-se à experiência <direta> e <pessoal> com Deus, com o Sagrado q está além do ego, sem a necessidade de intermediários, dogmas ou de uma doutrina teológica.

    Misticismo é o conjunto de práticas que levam à contemplação dos <atributos divinos>. Uma experiência mística significa experimentar a sensação de <fundir sua alma com Deus>. É que o "eu" que conhecemos não é nosso verdadeiro “eu” e os místicos procuram conhecer um "eu" maior que pode possuir várias denominações: Deus, espírito cósmico, consciencia universal etc.

    Encontram-se tendências místicas na maioria das religiões do mundo. Nelas, do Ocidente e do Oriente, o místico afirma que seu encontro com o divino é uma <fusão total com Deus>, o Espírito cósmico.

    As correntes místicas afirmam a experiência <direta> do divino, comumente chamada de experiência mística, e muitas vezes descrita como <iluminação>. A experiência mística é um estado de consciência em que o místico tem a percepção daquilo que está <além> deste plano físico, e muitas vezes é descrita como <união> com o Todo. Isto só pode ser alcançado, segundo os místicos, por uma disciplina espiritual que visa a distanciar-se das coisas mundanas, dos atrativos do mundo.

    Muitas vezes a experiência mística é descrita por aqueles que a sentem como uma "percepção direta de Deus". Essa experiência é o modo como o místico entra em contato com o Divino.


    Cito o amigo: “Em parte gostei bastante desta mensagem, mesmo achando que alguém pode ter incluído algo fora do texto original, devido algumas contradições”.

    Cel: não há nenhuma contradição; o q deve estar acontecendo é q vc encontrou contradição entre o q Krishnamurti afirma e o q as doutrinas afirmam. No texto dele vc não será capaz de apontar qualquer contradição.


    Texto de Krishnamurti:
    “Fechamo-nos (e fugimos) ao fato da morte porque não queremos olhá-lo de frente (o homem sempre teme o desconhecido, e a razão disso é porque teme o conhecido), e as crenças e teorias oferecem uma solução muito simplista, superficial, sem profundidade, sem conhecimento da questão. Portanto, se a mente quer descobrir o extraordinário significado da morte, terá de afastar, em primeiro lugar, mas sem esforço e sem resistência, a ânsia por uma esperança ou teoria confortante sobre a morte. Isso é evidente”.

    “O desespero só existe quando não existe esperança? A esperança nada mais é do que ilusão. Porque pensar sempre em opostos? A esperança será o oposto do desespero? Se for, então a esperança contém a semente do desespero, a semente do medo. Se queremos ter compreensão, é necessário estarmos livres dos opostos (pois só trazem dúvidas, incertezas, conflitos, sofrimento). O estado da mente é de suma importância. As atividades da mente com relação ao desespero ou esperança impedem a compreensão da morte, pois que a mente estará em confusão, em atividade, em conflito, se esforçando para compreender”.


    Cito o amigo: “Não é melhor viver confiando em nossas religiões de sempre do q irmos atrás de um misticismo q não conhecemos?”


    Cel: amigo, viver “confiando” é apenas viver de ilusões. É certo q é melhor crer q haverá cobranças para quem errou, do q ficar praticando absurdos, mas não é isso q ele está dizendo. E muitos preferem viver “confiando” naquilo q acreditam ser mais verdadeiro, pois encontraram o caminho do misticismo.


    Krishnamurti:
    “Para que nos venha à compreensão, o movimento dos opostos (o movimento da mente) deve cessar (todos nossos pensamentos, raciocínios, linguagem, são baseados nos opostos, como também o é o desejo, medo, inveja, ambição, insatisfação, vontade, decisões). A mente tem de considerar o problema da morte com um percebimento totalmente novo (já que a morte é o novo, o desconhecido), livre do processo já nosso familiar – o processo do reconhecimento”.


    O amigo: “Mas não é mais confiável a idéia de q o espírito vem à vida na matéria para resgatar suas maldades de milhares e milhares de anos, do passado?”.


    Cel: e de onde veio a maldade de milhares de anos, se, pela DE, fomos criados iguais e uns são mais maldosos do q outros? Essa é exatamente a única pergunta q não tem resposta, nem pela DE, nem por qualquer outra doutrina, nem por vc. O maior ou menor tempo decorrido, as experiências vividas desde a criação, não são a resposta, a própria DE afirma q, <desde a criação>, uns já vão pelo caminho do bem absoluto e outros pelo caminho do mal absoluto!


    Krishnamurti:
    “O reconhecimento é o ‘processo do conhecido’, produto do passado (só reconhecemos aquilo que já é nosso conhecido, o que já está na memória). A mente tem medo daquilo com que não está familiarizada. Se conhecêsseis a morte não lhe teríeis medo, não necessitaríeis de artificiosas explicações. Mas, não se pode reconhecer a morte, porque ela é uma coisa totalmente nova, nunca experimentada antes. O que se experimenta se torna ‘o conhecido’, o passado, e é desse passado, desse conhecido que provém o reconhecimento. Enquanto houver esse movimento, de reconhecimento, vindo do passado, não existirá ‘o novo’”.


    O amigo: “A que ele se refere com: “processo do conhecido”, produto do passado?”


    Cel: pois, tudo q é conhecido nós o conhecemos no passado; logo, o conhecido é produzido pelo passado, produto do passado, certo?


    O amigo: “Mas qual seria este passado se, como vc diz, não há reencarnação?”.


    Cel: ele não se referiu a uma outra vida. Veja q ontem, uma hora ou um segundo atrás, tudo isso tb é passado.


    Krishnamurti:
    “O que estamos explanando, juntos, não é uma coisa que é para ser meditada depois, amanhã, mas que deve ser experimentada diretamente, agora, à medida que vamos prosseguindo. Essa experiência não pode ser armazenada, porque, se armazenada, seja ela o que for, ela sofrerá a interferência do ‘eu’ (com seus raciocínios, associações, comparações, crenças, opiniões, suposições), ela se tornará memória, e a memória, o principio do reconhecimento, barra o acesso ao ‘novo’, ao ‘desconhecido’. A morte é o desconhecido. O problema não é saber o que acontece após a morte, vede bem, mas de purificar (limpar) a mente do passado, do conhecido. Poderá, então a mente ingressar, viva, na ‘mansão da morte’, conhecer a morte, o desconhecido”.


    O amigo: “Mas o espírito não pode ter sua consciência limpa como se fosse um quadro escolar que se apaga facilmente; nada ficará sem uma solução; foi o que ensinou o Mestre Jesus: Lei da semeadura e da colheita”.


    Cel: lei da semeadura e da colheita é apenas uma “regra de bem conviver”; nada tem a ver com o aperfeiçoamento do espírito e, sim, com a busca de um mais harmonioso relacionamento entre os homens.

    Não há penas para depois da morte; essa é apenas concepção das doutrinas reencarnacionistas. Tentam justificar os sofrimentos como originário do mau uso do livre arbítrio (q Deus permitiu q fosse usado, ou para o bem, ou para o mal), e explicam a necessidade da reencarnação, como se o homem fosse culpado e devesse voltar para resgatar os erros e para se aperfeiçoar. Nenhuma religião consegue explicar a razão dos sofrimentos do mundo; apenas tentam e, para explicar, trazem a ilusão de um livre-arbítrio mau usado.


    O amigo: “Mas se o homem não tem de pagar pelos seus erros, isso com certeza seria uma grande injustiça divina!”


    Cel: maior e absurda injustiça seria o Criador criar seres inclinados tanto para o bem, qto para o mal e depois os punir porq escolheram o mal para o qual Deus lhe deu inclinação. Isso não é nem injustiça; é um gigantesco absurdo, é menosprezar os tão divulgados amor, justiça e onisciência do Criador.


    Krishnamurti:
    “Um acidente, uma doença, a velhice, produzem a morte. Mas, em tais circunstancias uma pessoa não está plenamente lúcida. Há dor, esperança ou desespero, medo do isolamento, medo do nada, medo de deixar para trás tanta coisa que acumulou na vida, e a mente, o ‘ego’, está, consciente ou inconscientemente, a batalhar contra a morte; isso é inevitável”.


    O amigo: “Nesta parte ele não está dizendo que poderemos conhecer a morte ainda no corpo físico e, sim q, por ocasião da morte, podemos rever o q ocorreu conosco durante toda vida, desde o nascimento até morte, como ensinam as doutrinas reencarnacionistas”.


    Cel: meu amigo, ele se refere à morte em relação ao passado: esquecer o passado e não pensar no futuro, ficar no aqui-agora; esta é a morte do ego, não do corpo físico.


    Krishnamurti:
    “Com medrosa resistência à morte vamo-nos desta vida”.


    O amigo “Aquele que conhece esse acontecimento tão natural chamado “morte” não a teme, nem se defende dela e sabe como melhor proceder para q a morte não venha antes do tempo”.


    Cel: se vc está pronto para enfrentar sua morte agora ou amanhã mesmo, dou-lhe parabéns; eu, pelo meu lado, não quero ainda deixar minha família q tanto depende de mim e outras coisas mais, inclusive pelo fato de não ter ainda me desfeito do ego.


    Krishnamurti:
    “O agente externo seria, ou a influência do ambiente, cultura, crenças (o condicionamento), ou algo existente além dos limites da mente. Se o agente externo for a influência do ambiente, acontece que é essa mesma influência que, com suas tradições, crenças e culturas, têm mantido a mente na escravidão em que se encontra que fez da mente o que ela é hoje. Se o agente externo é algo que existe além da esfera da mente, é bem evidente, então, que o pensamento, ou o raciocínio, ou a imaginação (que são operações e produtos da mente, do ego, do passado) não podem, de modo nenhum, alcançá-lo (pois esse algo estará além dos limites da mente)”.


    Krishnamurti:
    “Orações, promessas, emoções, imaginações, raciocínio, opiniões, tentativas de compreender, leituras e ensinamentos não levam à verdade; nem as expectativas, nem as lembranças. São apenas ‘dedos apontando para a lua’; o que leva à verdade é o esvaziamento da mente, do cérebro de qualquer vestígio do passado, de qualquer vestígio do ‘eu’. Só assim saberemos o que é a morte”.


    O amigo: “Não estou de acordo com o q está acima: as orações, feitas por todos, como tb a prática de nosso dever q é perdoar e amar o próximo, são mandamentos do Mestre; sem essas práticas não existe aperfeiçoamento espiritual”.


    Cel: Krishnamurti está dizendo q orações etc não levam ninguém a conhecer a <verdade> q liberta (“Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”), ao conhecimento de q “eu e o Pai somos um”. O q leva a esse conhecimento não são orações nem o serviço ao próximo, mas é a eliminação do ego. Leia novamente o q ele está dizendo: “Orações, promessas, emoções, imaginações, raciocínio, opiniões, tentativas de compreender, leituras e ensinamentos não levam à verdade; nem as expectativas, nem as lembranças. O que leva à <verdade> é o esvaziamento da mente, do cérebro de qualquer vestígio do passado, de qualquer vestígio do “eu” (<ego>). Só assim saberemos o que é a morte”.

    Krishnamurti está dizendo q só esquecendo o passado e o futuro, é que a morte, q é nossa “desconhecida” e temida por muitos, não a morte do corpo físico, mas do “homem velho” ou ego, se tornará “conhecida” para nós: uma morte q nada mais é do q sabedoria, bem-aventurança e amor.


    Krisnamurti:
    “Para que cesse qualquer vestígio do passado, do ‘eu’, faz-se necessária a meditação; só, então, podemos vir a perceber o ‘novo’, o desconhecido que é a morte porque, na meditação, o ‘eu’ cessa, deixa de existir; e, quando o ‘eu’ deixa de existir, significa que a morte chegou, não a morte fisiológica, mas a morte do ‘ego’, que é,apenas passado”.


    O amigo: “Para mim, a tão falada “meditação” só tem a ver com a mudança de nosso processo moral, quando procura a sua razão de viver e a solução para suas dúvidas e dor. A meditação faz com que exista uma sintonia positiva entre o dever e a razão, as coisas q devemos mudar para nosso progresso espiritual”.


    Cel: ele não está falando de “reflexão”, de avaliação ou julgamento do q se deve ou não fazer, do que fizemos de erros, no passado, para não comete-los novamente, para uma reforma moral. Ele está falando de “meditação”, q significa, não para os leigos, mas para os q buscam Deus, ficar no aqui-agora, esquecer as lembranças boas ou más do passado e deixar de lado as esperanças qto ao futuro.


    Peço ao amigo q reflita sobre o q leu. Se vc não acredita em nada disso, não terá nada a perder; se pode vir a acreditar, terá muito a ganhar.




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    Monstrinho

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    Data de inscrição : 22/05/2011

    Re: MISTICISMO - O que é ser místico.

    Mensagem  Monstrinho em Qua Jul 27, 2011 11:05 pm

    Coronel,

    O senhor foi muito bem sucedido nessa sua tentativa de explicar o que é ser místico, através do "cito vc" Wink.

    De fato, o Misticismo Oriental - que aqui neste fórum figura como Filosofia Oriental - é incompreendido no ocidente.

    Por Filosofia Oriental entendo uma Epistemologia dentro da Teoria do Conhecimento, como fica bem claro neste vídeo do Tarananda Sati, cujos conhecimentos reúnem a sabedoria oriental com o conhecimento filosófico e científico ocidental



    A questão é que a ciência moderna foi desenvolvida a partir da filosofia ocidental, mas ela desdenhou as considerações de Sócrates (que é o fundador da Filosofia propriamente dita) e Platão, cujos ensinamentos são similares às instruções dos mestres (filósofos) orientais.

    Até mesmo os professores de Filosofia se "embananam" todos quanto à explicação da Alegoria ou Mito da Caverna, porque não têm, em sua maioria, conhecimento da Filosofia ou Misticismo Oriental.

    Vejamos o que é a Alegoria da Caverna. Há homens que vivem dentro de uma caverna, e outros que vivem fora da caverna. Dentro da caverna, são projetadas sombras de objetos reais que estão fora da caverna, por meio de tochas iluminadas que produzem as sombras desses objetos e que, os que se encontram dentro da caverna acreditam-nas reais. Esses homens dentro da caverna estão "acorrentados" de modo que não podem "olhar para trás" para enxergar os verdadeiros objetos que são a causa das sombras. Como esses homens nunca viram os objetos reais fora da caverna, acreditam reais as projeções dentro da caverna.

    Sucede que, num determinado momento, um desses homens quebra os grilhões que o prende à caverna e suas pseudo-realidades, e, em defrontando-se com a luz do Sol, ao sair da caverna, primeiro fica "cego" (= entra em estado de perturbação), mas depois começa a entender a realidade, a saber que vivia num mundo de ilusões - a caverna - e que aquele é o mundo real. Quando ele volta para a caverna para avisar os outros sobre a ilusão em que vivem, ele é morto, porque é tido como mentiroso e charlatão.

    A caverna é o mundo material, e as coisas, idéias, organização social, preceitos sociais, normas, tabus, tradições e costumes, são sombras projetadas pela realidade, o que levou muitos espíritas a acreditarem que o mundo material é uma cópia imperfeita do mundo espiritual.

    O que sai da caverna é o filósofo, o místico que tenta alertar sobre as ilusões e é morto ou ridicularizado (o próprio Sócrates, Jesus, Buda, Krishnamurti e tantos outros).

    De fato, a Alegoria da Caverna traz esse inconveniente, que é supor que há um Mundo das Idéias (Platão) que é responsável por 'projetar' sombras - mundo material - e iludir aqueles que vivem mergulhados na matéria.

    Contudo, estou apenas citando o Mito da Caverna para dizer que nos primeiros tempos do "espírito filosófico" houve uma tentativa, aqui no ocidente, de se fazer uma filosofia baseada na razão, mas que investigasse os "fenômenos internos" do ser humano, e com o tempo, devido aos interesses da polis grega e posteriormente do Estado romano - e também com a filosofia de Aristóteles que investigou não só questões transcendentais mas também questões ligadas à Física, Astronomia e Biologia entre outras coisas - foi se voltando para a investigação dos fenômenos externos, até culminar, na Revolução Científica do Século XVII na Ciência Moderna, que é fundante da ciência que conhecemos hoje, e cujo papel se restringe a estudar o mundo externo.

    Assim, devido à essa mentalidade histórica e tradicionalmente aceita, surgiu a idéia aqui no ocidente de que as "coisas do espírito", o "interior", a "experiência mística" eram coisas não passíveis de observação e experimentação e logo foram atiradas no canto e relegadas ao domínio do fantasioso e do charlatanismo. E não é verdade, pois a meditação é hoje comprovadamente uma prática que pode ser feita por todos indistintamente com obtenção de resultados igualmente acessível a todos, dependendo da pertinácia com que cada qual a ela se dedique.

    Todavia, se no ocidente houve uma ruptura com o Mito, surgindo daí a Filosofia, no oriente a Filosofia permaneceu ligada aos mitos e também às práticas religiosas, numa fusão em que, se privilegiou o conhecimento do "mundo interno", em detrimento da investigação do "mundo externo", e isto é olhado com menosprezo pela filosofia e pela ciência do ocidente, uma vez que, vangloriando-se das suas conquistas científicas e tecnológicas, julga-se grandiosa no tangente à trazer comodidades e facilidades para a vida material em todas as suas expressões, e, por outro lado, finge que o rei não está nu, ou seja, faz de conta que está tudo bem: a humanidade vive tormentos morais indizíveis, mas que importa? "Temos os psiquiatras para receitar remédios e a cura para as diversas doenças que afetam o corpo".

    Então, com relação à questão interior, a filosofia e a ciência ociental não sabe nada! E há muitos capítulos na História da Filosofia voltados à questão do auto-conhecimento, cujos expoentes máximos são sem dúvida alguma, Schopenhauer, Pascal, Agostinho, Nietzsche, Spinoza, Jung, e o próprio Sócrates além de tantos outros, mas que são pouco explorados e investigados pelos pesquisadores e pelos professores de Filosofia. Todavia, há uma rejeição quanto ao entendimento do próprio Nietzsche, que denuncia todas as mentiras da Filosofia Idealista, que projeta e idealiza através da razão, um mundo e um homem ilusórios, muito aquém do que realmente é o mundo e o homem!

    Cabe à Filosofia Oriental ou Misticismo Oriental trazer essa lição esquecida para o ocidente.

    A Doutrina Espírita surgiu com uma proposta de se enfatizar o Espírito em detrimento da matéria, num século (século XIX) em que houve uma explosão de descobertas e invenções que vieram a inaugurar uma nova era de comodidades e facilidades para a humanidade, mas também trazendo outros problemas, com o advento da Revolução Industrial.

    Mas a Doutrina Espírita ficam bem aquém dos ensinamentos dos instrutores do oriente, sustentando ainda o dualismo como verdade inquestionável e retomando conceitos católicos obsoletos como punição, resgate de faltas, lei do "plantou, colheu", e prevendo penas futuras para os que praticam o "mal".

    Então o chamado Misticismo Oriental não é um tipo de filosofia que possa ser convertido numa ciência que, utilizando dos mesmos métodos da ciência moderna, venha trazer à humanidade uma maneira de se praticar coletivamente os ensinos dos instrutores.

    Na verdade, o que a civilização do ocidente espera é isso mesmo: que a ciência possa operar o milagre da supressão dos males morais, tudo provado cientificamente!

    O que ela - a civilização ocidental - está esperando, na verdade, é mais uma forma de proteção, mais uma maneira de alguma autoridade científica ou filosófica estabelecer as bases, os fundamentos de uma teoria que seja aplicável no âmbito moral, e isto evidentemente não é possível, uma vez que a experiência mística tem que ser feita individualmente, salvo os casos em que coletivamente se busca essa experiência com o uso de drogas como o Santo Daime, a papoula, o LSD e outros. Mas aí não vale, porque, se se tira a droga, volta-se aos mesmos problemas?

    Coube a Friedrich Nietzsche apontar a hipocrisia do ocidente, mostrando que, embora a ciência tenha se oposto de forma imponente à religião (supostamente inimigas), e em tom de revanche contra ela, a ciência continuou se caracterizando por ser uma instituição cristã, ou seja, da mesma maneira que as pessoas delegavam a sua liberdade e responsabilidade pelos próprios atos à religião ("Pago o dízimo, mas deixe-me ter quantas amantes eu quiser sem que eu vá para o inferno após a morte"), à ciência cumpre esse papel hoje: "deixem-nos fumar, beber, fazer sexo, trabalhar além das forças, mas produzam-nos os remédios e calmantes para que continuemos vivos".

    O que as pessoas estão buscando são novas formas de proteção, buscando formas de fugirem de si mesmas e outorgarem às instituições o comando e o destino de suas vidas. Até mesmo os espíritas fazem isso: "estou orando, indo à casa da sopa alimentar as crianças; pronto! Me está garantido um lugar melhor no mundo espiritual". Mas a questão do auto-conhecimento, da libertação do unânime (e doente) formigueiro fica sempre relegada à segundo plano.

    A ciência e a filosofia ocidentais estão esgotadas: os professores de Filosofia nas escolas e universidades não fazem senão reproduzir os discursos filosóficos dos pensadores do passado, com altas formas de eloqüência e retóricas acadêmicas viciadas e ultrapassadas, e tudo isso em nome do "pensamento crítico".

    O único pensamento crítico possível é romper com as filosofias do passado, começar do "nada", como Nietzsche o fez. Somente desta maneira é que se constrói algo novo, como vemos nos textos do Krishnamurti.

    Não obstante, como dizia o próprio Krishnamurti, "isto cabe a você fazer" e não esperar que outros o façam por você. "Você é o mestre; você é o guru; você é o preceptor; você é o pastor, você é Deus, você é tudo!", dizia ele em suas palestras na Inglaterra e nos Estados Unidos.

    Para isso, precisamos libertarmo-nos dos nossos pré-conceitos filosóficos e científicos, e estudar a Filosofia Oriental. Quem foi Krishna? Quem foi Buda? Quem foi Shankara? O que esses místicos/filósofos escreveram? O que eles praticaram?

    Graças à internet, temos hoje acesso a esses textos, porque se fosse depender da nossa Filosofia - em cujos currículos escolares não se ensina Filosofia Oriental - ainda estaríamos sem sequer saber da existência desses tantos filósofos como Vivekananda, Ramakrishna, Nisargadatta Maharaj, e também a Filosofia do Zen, que não possui nenhum corpo teórico de conhecimentos, mas cuja prática pacifica pessoas em todo o mundo.

    Será disponibilizado aqui neste fórum uma seção de "downloads" de livros e textos sobre Filosofia Oriental para os que estejam sinceramente interessados em estudá-la e sobretudo praticá-la.


    Abçs,






      Data/hora atual: Qua Nov 22, 2017 11:30 am