Filosofia Oriental e Espiritualismo Prático

Últimos assuntos

Navegação

Parceiros

Fórum grátis

    O Poder do Silêncio

    Compartilhe
    avatar
    Papa-capim

    Mensagens : 16
    Data de inscrição : 27/05/2011

    O Poder do Silêncio

    Mensagem  Papa-capim em Sex Ago 12, 2011 6:02 pm


    O Poder do Silêncio

    C. Castañeda - (D.Juan Matus) - Excertos

    Não é que, à medida que o tempo passa, o guerreiro aprenda xamanismo; antes, o que ele aprende enquanto o tempo passa é economizar energia. Esta energia vai capacitá- lo a manipular alguns campos de energia que são normalmente inacessíveis a ele. Xamanismo é um estado de consciência, a capacidade de usar campos de energia que não são empregados para perceber o mundo cotidiano que conhecemos.

    Há no universo uma força incomensurável e indescritível que os xamãs chamam intento, e absolutamente tudo o que existe em todo o cosmo é ligado ao intento por uma conexão. Os xamãs estão interessados em discutir, compreender e usar essa conexão. Estão especialmente interessadas em limpá-la dos efeitos paralisantes que resultam das preocupações comuns com a vida cotidiana. O xamanismo, neste nível, pode ser definido como um procedimento de limpeza da conexão com o intento.

    Os xamãs estão vitalmente interessados em seu passado, mas não com seu passado pessoal. Para os xamãs, seu passado é o que outros xamãs, em dias passados, conseguiram realizar. Eles consultam seu passado para obter um ponto de referência. Só os xamãs procuram de verdade um ponto de referência em seu passado. Para eles, estabelecer um ponto de referência significa uma oportunidade para examinar o intento. O homem comum também examina o passado. Mas ele examina o seu passado pessoal, por motivos pessoais. Ele se avalia em relação ao passado, seja o seu passado pessoal ou o conhecimento passado de seu tempo, com o objetivo de encontrar justificativas para seu comportamento presente ou futuro, ou de estabelecer um modelo para si mesmo.

    O espírito manifesta-se ao guerreiro a cada momento. Entretanto, essa não é a verdade total. A verdade total é que o espírito revela-se para todos com a mesma intensidade e consistência, mas só os guerreiros estão sintonizados, de maneira consistente, com tais revelações.

    Os guerreiros falam do xamanismo como um pássaro mágico, misterioso, que interrompeu seu vôo por um momento para dar esperança e propósito ao homem; os guerreiros vivem sob a asa desse pássaro, que eles chamam o pássaro da sabedoria, o pássaro da liberdade.

    Para um guerreiro, o espírito é abstrato só porque ele o conhece sem palavras ou mesmo pensamentos. É abstrato porque ele não pode conceber o que o espírito é. Contudo, mesmo sem a menor possibilidade ou desejo de entendê-lo, o guerreiro o maneja. Reconhece-o, acena para ele, cativa-o, familiariza-se com ele e o expressa em seus atos.

    A conexão do homem comum com o intento está praticamente morta, e os guerreiros começam com uma conexão que é inútil, porque não responde voluntariamente. Com o objetivo de revitalizar essa conexão, os guerreiros precisam de um propósito rigoroso e feroz — um estado especial da mente chamado intento inflexível

    O poder do homem é incalculável; a morte existe somente porque a intentamos desde o momento de nosso nascimento. O intento da morte pode ser cancelado fazendo- se o ponto de aglutinação mudar de posição.

    A arte da espreita consiste em aprender todas as astúcias de seu disfarce, e aprendê-las tão bem que ninguém saberá que você está disfarçado, Para isso, você precisa ser implacável, astuto, paciente e dócil. Ser implacável não significa ser grosseiro; ser astuto não significa ser cruel; ser paciente não significa ser negligente; e ser dócil não significa ser tolo.

    Os guerreiros têm um propósito ulterior para seus atos, que não tem nada a ver com o ganho pessoal. O homem comum age apenas se há a oportunidade para o lucro. Os guerreiros não agem pelo lucro, mas pelo espírito. Os xamãs videntes dos tempos antigos, através do seu ver, notaram logo que qualquer comportamento incomum produzia um tremor no ponto de aglutinação. Em seguida, descobriram que se o comportamento incomum é praticado de maneira sistemática e dirigido com sabedoria, ele finalmente força o ponto de aglutinação a se mover.

    O conhecimento silencioso nada mais é do que o contato direto com o intento.

    O xamanismo é uma viagem de volta. O guerreiro retorna vitorioso ao espírito, depois de ter descido ao inferno. E do inferno, ele traz troféus. O entendimento é um desses troféus.

    Como são espreitadores, os guerreiros entendem perfeitamente o comportamento humano. Entendem, por exemplo, que os seres humanos são criaturas de inventário. Conhecer as entradas e saídas de um inventário determinado é o que torna um homem um erudito ou um perito em seu campo.

    Para que os mistérios do xamanismo se tornem disponíveis para alguém, o espírito deve descer sobre aquele que estiver interessado. O espírito permite que sua presença, por si mesma, mova o ponto de aglutinação do homem para uma posição específica. Este ponto determinado é conhecido pelos xamãs como o lugar da não-piedade.

    Na realidade não há um procedimento envolvido no fazer o ponto de aglutinação se mover para o lugar da não-piedade. O espírito toca a pessoa e seu ponto de aglutinação se move. É simples assim.

    Os guerreiros sabem que, quando o inventário de um homem comum falha, ou a pessoa amplia seu inventário ou seu mundo da auto-reflexão entra em colapso. A pessoa comum é capaz de incorporar novos itens ao seu inventário desde que os novos itens não contradigam a ordem subjacente do inventário. Mas se os novos itens contradizem essa ordem, a mente da pessoa entra em colapso. Os guerreiros contam com isso quando tentam quebrar o espelho da auto-reflexão.

    Os guerreiros nunca poderão construir uma ponte para se juntar às pessoas do mundo. Mas se as pessoas desejarem isso, terão de fazer uma ponte para se juntar aos guerreiros.

    O que precisamos fazer é permitir que a magia tome conta de nós para banir as dúvidas de nossas mentes. Quando as dúvidas são banidas, tudo é possível.

    As possibilidades do homem são tão vastas e misteriosas que os guerreiros, em vez de pensar sobre elas, escolheram explorá-las, sem esperança de jamais chegar a entendê-las.

    Tudo que os guerreiros fazem é feito como conseqüência de um movimento de seus pontos de aglutinação, e tais movimentos são determinados pela quantidade de energia que os guerreiros têm sob suas ordens.

    Qualquer movimento do ponto de aglutinação significa um afastamento da preocupação excessiva com o eu individual. Os xamãs acreditam que é a posição do ponto de aglutinação que torna o homem moderno um egotista homicida, um ser totalmente envolvido com sua auto-imagem. Tendo perdido a esperança de voltar à fonte de tudo, o homem comum procura consolo em seu egoísmo.

    O impulso do caminho do guerreiro é para derrubar a auto-importância. E tudo o que os guerreiros fazem é no sentido de alcançar essa meta.

    Os xamãs arrancaram a máscara da auto-importância e descobriram que ela é a autopiedade disfarçada em outra coisa.

    No mundo da vida cotidiana, palavras e decisões podem ser revertidas facilmente. A única coisa irrevogável no mundo cotidiano é a morte. No mundo dos xamãs, por outro lado, a morte normal pode sofrer uma contra-ordem, mas não a palavra do xamã. No mundo dos xamãs, as decisões não podem ser mudadas ou revisadas. Depois de tomadas, permanecem para sempre.

    Uma das coisas mais dramáticas da condição humana é a conexão macabra entre a estupidez e a auto-reflexão. É a estupidez que força o homem comum a descartar qualquer coisa que não se ajuste com as expectativas de seu auto- reflexo. Por exemplo, como homens comuns, estamos cegos para o ponto mais crucial do conhecimento disponível para o ser humano: a existência do ponto de aglutinação e o fato de que ele pode se mover.

    Para o homem racional, manter a fixação de sua auto-imagem assegura sua ignorância abissal. Ele ignora o fato de que o xamanismo não significa encantamentos e embromação, mas a liberdade para perceber, não só o mundo tomado sem discussão, mas tudo o mais que é humanamente possível realizar. Ele treme diante da possibilidade da liberdade. E a liberdade está ao alcance de suas mãos.

    O dilema do homem é que ele intui suas fontes ocultas, mas não ousa utilizá-las. É por isso que os guerreiros dizem que o tormento do homem é o contraponto entre sua estupidez e sua ignorância. O homem precisa agora, mais do que nunca, aprender novas idéias que digam respeito exclusivamente ao seu mundo interno— as idéias dos xamãs, não idéias sociais, idéias pertinentes ao homem em face do desconhecido, em face de sua morte pessoal. Agora, mais do que qualquer outra coisa, ele precisa aprender os segredos do ponto de aglutinação.

    O espírito só escuta quando quem fala o faz por gestos. E gestos não querem dizer sinais ou movimentos do corpo, mas atos de verdadeiro abandono, atos de liberação, de humor. Como um gesto para o espírito, os guerreiros expõem o melhor de si mesmos e silenciosamente o oferecem ao abstrato.

    A arte de sonhar é a capacidade de utilizar nossos sonhos comuns e transformá-los numa consciência controlada por uma forma especial de atenção chamada a atenção sonhadora.

    A arte da espreita é um conjunto de procedimentos e atitudes que possibilita a um guerreiro conseguir o melhor de qualquer situação concebível.

    A recomendação para os guerreiros é não possuir quaisquer coisas materiais nas quais focalizem seu poder, mas focalizá-lo no espírito, no verdadeiro vôo para o desconhecido, não em trivialidades.

    Qualquer um que queira seguir a senda do guerreiro tem de se livrar da compulsão para possuir e se apegar às coisas.

    Ver é um conhecimento corporal. A predominância do sentido visual em nós influencia esse conhecimento corporal e faz com que ele pareça relacionado ao olho.

    Perder a forma humana é como uma espiral. Dá ao guerreiro a liberdade de lembrar-se de si mesmo como campos puros de energia e isso, por sua vez, torna-o ainda mais livre.

    Um guerreiro sabe que está esperando e sabe o que está esperando, e enquanto ele espera deleita-se olhando para o mundo. A suprema realização do guerreiro é gozar a alegria do infinito.

    O curso do destino de um guerreiro é inalterável. O desafio é de até onde ele pode ir e quanto ele será impecável dentro desses limites rígidos.

    As ações das pessoas não afetam mais um guerreiro quando ele não tem mais expectativas de nenhuma espécie. Uma paz estranha se torna a força que governa sua vida. Ele adotou um dos conceitos da vida do guerreiro— o desapego.

    O desapego não significa automaticamente sabedoria mas é, contudo, uma vantagem, porque permite ao guerreiro parar por um momento para reavaliar situações e reconsiderar posições. Entretanto, para usar esse momento extra de modo consistente e correto, o guerreiro tem de lutar incansavelmente durante toda a sua vida.

    É muito mais fácil para os guerreiros se saírem bem sob condições de tensão máxima do que serem impecáveis sob condições normais.

    Os seres humanos têm dois lados. O lado direito abrange tudo que o intelecto pode conceber. O lado esquerdo é uma região de características indescritíveis; uma região impossível de ser contida em palavras. O lado esquerdo é talvez compreendido, se é compreensão que tem lugar, com todo o corpo; daí sua resistência à conceituação.

    Todas as faculdades, possibilidades e realizações do xamanismo, das mais simples às mais espantosas, estão no próprio corpo humano.

    O poder que governa o destino de todos os seres vivos é chamado a Águia, não porque seja uma águia ou tenha alguma coisa a ver com uma águia, mas porque aparece aos olhos do vidente como uma incomensurável águia negra, em pé e ereta como as águias ficam em pé, com sua altura atingindo o infinito.

    A Águia devora a consciência de todas as criaturas que, vivas na terra um momento antes e agora mortas, flutuaram até o bico da Águia como um enxame de vaga-lumes, para o encontro de seu dono, a razão pela qual tiveram vida. A Águia desmancha essas pequenas chamas, deita-as no chão, como um curtidor esticando couro, e as devora; pois a consciência é o alimento da Águia.

    A Águia, esse poder que governa o destino de todas as coisas vivas, reflete igualmente e ao mesmo tempo todas essas coisas vivas. Não há, portanto, como o homem possa rezar para a Águia, pedir favores e esperar sua misericórdia. A parte humana da Águia é insignificante demais para mover o todo.

    Toda coisa viva recebeu o poder, se assim o desejar, de procurar uma abertura para a liberdade e de atravessá-la. É evidente para o vidente, que vê a abertura, e para todas as criaturas, que a atravessam, que a Águia deu esse presente com o objetivo de perpetuar a consciência.

    A travessia para a liberdade não significa vida eterna, como a eternidade é comumente entendida— isto é, como viver para sempre. Em vez disso, o guerreiro pode conservar sua consciência, que em geral é abandonada no momento da morte. No momento da travessia, o corpo em sua totalidade é iluminado com conhecimento. Cada célula torna-se imediatamente consciente de si mesma e também consciente da totalidade do corpo.

    O presente da Águia de liberdade não é uma concessão, mas a oportunidade de ter uma oportunidade. Um guerreiro nunca está assediado. Estar assediado significa que se tem posses pessoais que podem ser bloqueadas. Um guerreiro não tem nada no mundo, exceto sua impecabilidade, e a impecabilidade não pode ser ameaçada.


    Convidad
    Convidado

    Re: O Poder do Silêncio

    Mensagem  Convidad em Sab Ago 20, 2011 2:36 pm

    Uma estranha realidade

    Um guerreiro sabe que é apenas um homem. Ele só lamenta que sua vida seja tão curta que ele não possa agarrar todas as coisas que gostaria. Mas, para ele, isso não é um problema: é só uma pena.

    Sentir-se importante faz a pessoa tornar-se pesada, desajeitada e vaidosa. Para ser um guerreiro, é preciso ser leve e fluido.

    Quando são vistos como campos de energia, os seres humanos aparecem como fibras de luz, como teias brancas de aranha, fios muito finos que circulam da cabeça aos pés. Assim, aos olhos do vidente, um homem parece um ovo de fibras circulantes. E seus braços e pernas são como espinhos luminosos que explodem em todas as direções.

    O vidente vê que todos os homens estão em contato com tudo o mais, não por suas mãos, mas por meio de um punhado de fibras compridas que saem do centro de seu abdome. Essas fibras ligam o homem a seu ambiente; mantêm seu equilíbrio; dão-lhe estabilidade.

    Quando um guerreiro aprende a ver, ele vê que um homem é um ovo luminoso, seja ele um mendigo ou um rei, e que não há jeito de modificar nada; ou melhor, o que poderia ser modificado naquele ovo luminoso? O quê?

    Um guerreiro nunca pensa em seu medo. Em vez disso,pensa nas maravilhas de ver o fluxo da energia! O resto é enfeite, enfeite sem importância.

    Quando um homem não está preocupado em ver, as coisas parecem as mesmas toda vez que ele olha para o mundo. Quando ele aprende a ver, por outro lado, nada é a mesma coisa toda vez que você a vê, e contudo é a mesma. Ao olhar do vidente, o homem é como um ovo. Toda vez que ele vê o mesmo homem, vê um ovo luminoso, e no entanto não é o mesmo ovo.

    Os xamãs do México antigo deram o nome de aliados para as forças inexplicáveis que agiam sobre eles. Eles as chamaram aliados porque pensaram que podiam utilizá-las a seu bel-prazer, uma noção que demonstrou ser quase fatal para aqueles xamãs, porque o que eles chamavam de aliado é um ser sem essência corporal que existe no universo. Os xamãs dos tempos modernos os chamam de seres inorgânicos.

    Perguntar que função os aliados têm é como perguntar o que nós, homens, fazemos no mundo. Estamos aqui, é só. E os aliados estão aqui, como nós; e talvez estivessem aqui antes de nós.

    A maneira mais eficaz de se viver é como um guerreiro. Um guerreiro pode se preocupar e pensar antes de tomar uma decisão, mas uma vez que a tomou, segue seu caminho,livre de preocupações ou pensamentos; haverá mil outras decisões ainda à sua espera. Esta é a maneira do guerreiro.

    Um guerreiro pensa em sua morte quando as coisas se turvam. A idéia da morte é a única coisa que modera nosso espírito.

    Um guerreiro tem de saber, antes de mais nada, que seus atos são inúteis e que, no entanto, ele tem de proceder como se não o soubesse. Esta é a loucura controlada de um xamã.

    Os olhos de um homem podem desempenhar duas funções: uma é ver a energia enquanto flui no universo e a outra é "olhar as coisas neste mundo". Nenhuma dessas funções é melhor do que a outra; entretanto, treinar os olhos apenas para olhar é um desperdício desnecessário e lamentável.

    Um guerreiro vive pelo agir, não por pensar em agir, nem por pensar no que ele vai pensar depois de acabar de agir.

    Um guerreiro escolhe um caminho com coração,qualquer caminho com coração, e o segue; e então ele se regozija e ri. Ele sabe por que vê que sua vida estará terminada muito depressa. Ele vê que nada é mais importante do que qualquer outra coisa.

    Um guerreiro não tem honra, nem dignidade, nem família, nem nome, nem país; ele tem apenas a vida para ser vivida e, nessas circunstâncias, sua única ligação com seus semelhantes é sua loucura controlada.

    Como nada é mais importante do que qualquer outra coisa, um guerreiro escolhe qualquer ato e age como se lhe importasse. Sua loucura controlada o faz dizer que o que ele faz importa e o faz agir como se importasse, e contudo ele sabe que não é assim; de modo que, quando completa seus atos, ele se retira em paz e quer seus atos tenham sido bons ou maus,dado certo ou não, isso absolutamente não o preocupa mais.

    Um guerreiro pode escolher permanecer totalmente impassível e nunca agir, e comportar-se como se ser impassível realmente lhe importasse; ele também estará certo agindo assim porque isso também seria a sua loucura controlada.

    Não existe nada vazio na vida de um guerreiro. Tudo está cheio até a borda. Tudo está cheio até a borda, e tudo é igual.

    O homem comum está demasiado preocupado em gostar das pessoas ou que elas gostem dele. Um guerreiro gosta, e pronto. Gosta do que ou de quem quiser, e dane-se o resto.

    Um guerreiro se responsabiliza por seus atos, pelo mais trivial de seus atos. O homem comum age através de seus pensamentos, e nunca se responsabiliza pelo que faz.

    O homem comum é vitorioso ou derrotado e,dependendo disso, se torna um perseguidor ou uma vítima. Essas duas condições prevalecem enquanto a pessoa não vê. Ver desfaz a ilusão da vitória, ou da derrota, ou do sofrimento.

    Um guerreiro sabe que está esperando e o que está esperando; e, enquanto espera, não deseja nada e assim a menor coisa que receba é mais do que ele pode tomar. Se precisa comer, dá um jeito, porque não está com fome; se alguma coisa machuca seu corpo, dá um jeito de parar aquilo,pois não sente. Ficar faminto ou com dor significa que o homem não é um guerreiro; e as forças de sua fome e de sua dor o destruirão.

    O intento não é um pensamento, ou um objeto, ou um desejo. O intento é o que pode fazer um homem vencer, quando todos os seus pensamentos lhe dizem que ele está derrotado. Opera a despeito da indulgência do guerreiro. O intento é o que o torna invulnerável. O intento é o que envia o xamã através da parede, através do espaço, para o infinito.

    Quando um homem entra no caminho dos guerreiros,fica consciente, aos poucos, de que a vida comum ficou para trás para sempre. Isso significa que o mundo comum não é mais um escudo para ele; e que ele deve adotar uma nova maneira de viver, para poder sobreviver.

    Cada pedaço de conhecimento que se torna poder tem a morte como sua força central. A morte dá o último toque, e o que for tocado pela morte torna-se realmente poder.

    Somente a idéia da morte torna o guerreiro suficientemente desprendido para ser capaz de se entregar a qualquer coisa. Ele sabe que a morte o espreita e não lhe dará tempo de se agarrar a nada, de modo que ele experimenta, sem ansiedade, tudo de todas as coisas.

    Somos homens e nosso destino é aprender, e sermos lançados em novos mundos inconcebíveis. Um guerreiro que vê a energia sabe que não há limite para os novos mundos, para nossa visão.

    "A morte é um turbilhão; a morte é uma nuvem brilhante no horizonte; a morte sou eu falando para você; a morte é você e seu bloco de notas; a morte é nada. Nada! Está aqui e contudo não está absolutamente aqui."

    O espírito do guerreiro não está preparado para a indulgência ou a queixa, nem o está para ganhar ou perder. O espírito do guerreiro está preparado somente para a luta, e cada luta é a última batalha do guerreiro sobre a terra. O resultado importa pouco para ele. Em sua última batalha na terra um guerreiro deixa seu espírito fluir livre e claro. Enquanto sustenta sua batalha, sabendo que seu intento é impecável, um guerreiro ri e ri.

    Falamos incessantemente a nós mesmos sobre nosso mundo. De fato, mantemos nosso mundo com nossa conversa interna. E sempre que terminamos de falar a nós mesmos sobre nós mesmos, o mundo continua sempre como devia. Nós o renovamos, o animamos com vida, o sustentamos com nossa conversa interna. Não apenas isso, também escolhemos nossos caminhos quando conversamos com nós mesmos. Assim repetimos as mesmas escolhas até o dia em que morremos, porque ficamos repetindo a mesma conversa interna sempre, até o dia em que morremos. Um guerreiro está consciente disso e se esforça para silenciar sua conversa interna.

    O mundo é tudo o que está encerrado aqui: a vida, a morte, as pessoas, e tudo o mais que nos cerca. O mundo é incompreensível. Nunca o compreenderemos; nunca desvendaremos seus segredos. Assim devemos tratar o mundo como ele é: um puro mistério.

    As coisas que as pessoas fazem não podem, de jeito algum, ser mais importantes do que o mundo. E assim o guerreiro trata o mundo como um mistério sem fim e o que as pessoas fazem como uma loucura sem fim.


    C. Castañeda (D. J. Matus)

    Convidad
    Convidado

    Re: O Poder do Silêncio

    Mensagem  Convidad em Sab Ago 20, 2011 3:29 pm

    " A Roda Do Tempo "

    Toda vez que um homem resolve aprender, ele tem de trabalhar tão duro quanto puder, e os limites do seu aprendizado são determinados por sua própria natureza. Portanto, não há vantagem em falar sobre o conhecimento. O medo do conhecimento é natural; todos nós o experimentamos e não há nada que possamos fazer a respeito. Mas, por mais aterrador que seja o conhecimento, é mais terrível ainda pensar em um homem sem o conhecimento.

    Há um mundo de felicidade onde não há diferença entre as coisas, porque não há ninguém lá para perguntar sobre a diferença. Mas esse não é o mundo dos homens. Alguns homens têm a vaidade de acreditar que vivem em dois mundos, mas isso é apenas a sua vaidade. Só existe um único mundo para nós. Somos homens, e temos de seguir o mundo dos homens satisfeitos.

    O homem tem quatro inimigos naturais: o medo, a clareza, o poder e a velhice. Medo, clareza e poder podem ser vencidos, mas a velhice não. Seus efeitos podem ser adiados, mas ela nunca pode ser vencida.

    O vidente vê que todos os homens estão em contato com tudo o mais, não por suas mãos, mas por meio de um punhado de fibras compridas que saem do centro de seu abdome. Essas fibras ligam o homem a seu ambiente; mantêm seu equilíbrio; dão-lhe estabilidade.

    Um guerreiro nunca pensa em seu medo. Em vez disso, pensa nas maravilhas de ver o fluxo da energia! O resto é enfeite, enfeite sem importância.

    Os olhos de um homem podem desempenhar duas funções: uma é ver a energia enquanto flui no universo e a outra é "olhar as coisas neste mundo". Nenhuma dessas funções é melhor do que a outra; entretanto, treinar os olhos apenas para olhar é um desperdício desnecessário e lamentável.

    Um guerreiro se responsabiliza por seus atos, pelo mais trivial de seus atos. O homem comum age através de seus pensamentos, e nunca se responsabiliza pelo que faz.

    O homem comum é vitorioso ou derrotado e, dependendo disso, se torna um perseguidor ou uma vítima. Essas duas condições prevalecem enquanto a pessoa não vê. Ver desfaz a ilusão da vitória, ou da derrota, ou do sofrimento.

    Um guerreiro sabe que está esperando e o que está esperando; e, enquanto espera, não deseja nada e assim a menor coisa que receba é mais do que ele pode tomar. Se precisa comer, dá um jeito, porque não está com fome; se alguma coisa machuca seu corpo, dá um jeito de parar aquilo, pois não sente. Ficar faminto ou com dor significa que o homem não é um guerreiro; e as forças de sua fome e de sua dor o destruirão.

    O intento não é um pensamento, ou um objeto, ou um desejo. O intento é o que pode fazer um homem vencer, quando todos os seus pensamentos lhe dizem que ele está derrotado. Opera a despeito da indulgência do guerreiro. O intento é o que
    o torna invulnerável. O intento é o que envia o xamã através da parede, através do espaço, para o infinito.

    Somos homens e nosso destino é aprender, e sermos lançados em novos mundos inconcebíveis. Um guerreiro que vê a energia sabe que não há limite para os novos mundos, para nossa visão.

    O espírito do guerreiro não está preparado para a indulgência ou a queixa, nem o está para ganhar ou perder. O espírito do guerreiro está preparado somente para a luta, e
    cada luta é a última batalha do guerreiro sobre a terra. O resultado importa pouco para ele. Em sua última batalha na terra um guerreiro deixa seu espírito fluir livre e claro. Enquanto sustenta sua batalha, sabendo que seu intento é impecável, um guerreiro ri e ri.

    O intento desses xamãs era tão agudo, tão poderoso, que podia solidificar a estrutura do guerreiro em qualquer um que tocasse, mesmo que eles não tivessem consciência disso.

    Em suma, o guerreiro era, para os xamãs do México antigo, uma unidade de combate tão sintonizada com a luta em volta dele, tão extraordinariamente alerta na sua forma mais pura, que ele não precisava de nada supérfluo para sobreviver.

    Não havia necessidade de dar presentes para um guerreiro, ou apoiá-lo com palavras ou ações, ou tentar dar-lhe consolo ou incentivo.

    Todas essas coisas já estavam incluídas na estrutura do próprio guerreiro. Desde que essa estrutura fosse determinada pelo intento dos xamãs do México antigo, eles se asseguravam de que qualquer coisa previsível estaria incluída.

    O resultado final era um lutador que lutava só e que tirava de suas próprias convicções silenciosas todo o impulso que necessitava para avançar, sem queixas, sem a necessidade de ser elogiado.


    http://www.scribd.com/doc/7356174/A-Roda-Do-Tempo

    Conteúdo patrocinado

    Re: O Poder do Silêncio

    Mensagem  Conteúdo patrocinado


      Data/hora atual: Qua Nov 22, 2017 11:39 am