Filosofia Oriental e Espiritualismo Prático

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    Krishnamurti & Bernard Levin

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    Krishnamurti & Bernard Levin

    Mensagem  Convidad em Qui Maio 26, 2011 9:41 pm

    Boa Noite,

    Krishnamurti falando sobre ele mesmo




    Última edição por Hebinha em Qui Maio 26, 2011 9:49 pm, editado 1 vez(es)

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    A Essência do Ensinamento de Krishnamurti

    Mensagem  Convidad em Qui Maio 26, 2011 9:47 pm

    A Essência do Ensinamento de Krishnamurti

    A essência do ensino de K. está contida na declaração feita por ele em 1929, quando disse:

    "A Verdade é uma terra sem caminho". O homem não chegará a ela através de organização alguma, de qualquer crença, de nenhum dogma, de nenhum sacerdote ou mesmo um ritual, e nem através do conhecimento filosófico ou da técnica psicológica. Ele tem que descobri-la através do espelho das relações, por meio de compreensão do conteúdo da sua própria mente, mediante a observação, e não pela análise ou dissecação introspectiva. O homem tem construído imagens em si próprio, como muros de segurança - imagens religiosas, políticas, pessoais. Estas se manifestam como símbolos, idéias, crenças. O peso dessas imagens domina o pensamento do homem, as suas relações e a sua vida diária. Tais imagens são as causas de nossos problemas, pois elas dividem os homens. A sua percepção da vida é formada pelos conceitos já estabelecidos em sua mente. O conteúdo de sua consciência é a sua consciência total. Este conteúdo é comum a toda humanidade. A individualidade é o nome, a forma e a cultura superficial que o homem adquire da tradição e do ambiente. A singularidade do homem não se acha na sua estrutura superficial, porém na completa libertação do conteúdo de sua consciência, comum a toda humanidade. Desse modo ele não é um indivíduo.

    A liberdade não é uma reação, nem tampouco uma escolha. É pretensão do homem pensar ser livre porque pode escolher. Liberdade é observação pura, sem direção, sem medo de castigo ou recompensa. A liberdade não tem motivo: ela não se acha no fim da evolução do homem e sim, no primeiro passo de sua existência. Mediante a observação começamos a descobrir a falta de liberdade. A liberdade reside na percepção, sem escolha, de nossa existência, da nossa atividade cotidiana.

    O pensamento é tempo. Ele nasce da experiência e do conhecimento, coisas inseparáveis do tempo e do passado. O tempo é o inimigo psicológico do homem. Nossa ação baseia-se no conhecimento, portanto, no tempo, e desse modo, o homem é um eterno escravo do passado. O pensamento é sempre limitado e, por conseguinte, vivemos em constantes conflito e numa luta sem fim. Não existe evolução psicológica.

    Quando o homem se tornar consciente dos movimentos dos seus próprios pensamentos ele verá a divisão entre o pensador e o pensamento, entre o observador e a coisa observada, entre aquele que experimenta e a coisa experimentada. Ele descobrirá que esta divisão é uma ilusão. Só então haverá observação pura, significando isso percepção sem qualquer sombra do passado ou do tempo. Este vislumbre atemporal produz uma profunda e radical mutação em nossa mente.

    A negação total é a essência do positivo. Quando há negação de todas aquelas coisas que o pensamento produz psicologicamente, só então existe o amor, que é compaixão e inteligência.

    Esta exposição foi originalmente escrita pelo próprio Krishnamurti, em 21 de outubro de 1980, para ser publicada no livro "Krishnamurti: Os Anos de Realização", de Mary Lutyens.

    Fonte: http://www.krishnamurti.org.br

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    Um Diálogo Consigo Mesmo

    Mensagem  Convidad em Qui Maio 26, 2011 10:22 pm


    Um Diálogo Consigo Mesmo

    Tradução: Ismar Pereira Filho

    Compreendo que o amor não possa existir quando há ciúmes; não pode haver amor quando há apego. Será possível ficar livre do ciúme e do apego? Compreendo que não amo. Isso é um fato. Não vou enganar a mim mesmo; não vou fingir para a minha mulher, que eu a amo. Não sei o que é o amor. Mas realmente sei que sou ciumento e terrivelmente apegado a ela, e que, no apego, há medo, há ciúmes, ansiedade; há um sentimento de dependência. Não gosto de depender, mas sou dependente porque estou solitário; sou pressionado no escritório, na fábrica, e, ao chegar em casa, quero sentir conforto e companheirismo, fugir de mim mesmo. Agora eu me pergunto: "Como vou livrar-me desse apego?" Estou usando isso apenas como exemplo.


    A princípio, quero fugir da pergunta. Em relação a minha mulher, não sei como a coisa vai terminar. Quando eu realmente me desapegar dela, meu relacionamento com ela poderá mudar. Ela poderá estar apegada a mim, e eu posso não estar apegado a ela nem a nenhuma outra mulher. Mas vou investigar. Assim, não fugirei do que imagino possa ser a consequência de estar totalmente livre de todo apego. Não sei o que é o amor, mas vejo claramente, definitivamente, sem a menor dúvida, que o apego a minha mulher significa ciúmes, possessão, medo, ansiedade, e quero ficar livre de tudo isso. Portanto, começo a investigar; procuro um método e fico preso num sistema. Algum guru diz: "Vou ajudar você a desapegar-se, faça isto e aquilo; pratique isto e aquilo." Aceito o que ele diz, porque percebo a importância de ficar livre, e ele me promete que, se eu fizer o que ele diz, serei recompensado. Mas, desse modo, vejo que estou buscando recompensa. Percebo o quão tolo eu sou; quero ser livre, mas fico apegado a uma recompensa.


    Não quero ficar apegado, mas, mesmo assim, surpreendo-me apegando-me à ideia de que alguém, ou algum livro, ou algum método, me recompensará livrando-me do apego. Assim, a recompensa torna-se um apego. Portanto, digo: "Vejam o que fiz; tenham cuidado, não sejam apanhados na mesma armadilha." Seja ela uma mulher, um método ou uma ideia, é ainda um apego. Estou muito atento agora, pois aprendi algo, isto é, não substituir um apego por outra coisa que também seja apego.


    E eu me pergunto: "Que devo fazer para ficar livre de apegos?" Qual é o meu motivo ao desejar ser livre de apegos? O motivo não seria que eu quero alcançar um estado em que não haja apego, nem medo, etc.? E, de repente, compreendo que o motivo determina a direção, e que a direção vai ditar os termos da minha liberdade. Por que tenho um motivo? O que é o motivo? Um motivo é uma esperança, ou um desejo de alcançar alguma coisa. Percebo que estou apegado a um motivo. Não só minha mulher, não só minha ideia, não só o método, mas o meu motivo tornou-se-me um apego. Por conseguinte, estou todo o tempo funcionando dentro do campo do apego - a mulher, o método e o motivo para alcançar algo no futuro. Estou apegado a todas essas coisas. Vejo que isso é uma coisa tremendamente complexa; não compreendia que ficar livre de apegos implicava tanta coisa. Agora, posso ver isso muito claramente, como vejo, no mapa, as rodovias principais, as secundárias e as povoações; vejo-o claramente. Então, digo a mim mesmo: "Ser-me-á possível ficar livre do grande apego que tenho pela minha mulher e pela recompensa que penso obter, e ainda ficar livre do meu motivo?" Estou apegado a todas essas coisas. Por quê? Será porque sou insuficiente em mim mesmo? Será porque sou solitário demais e, portanto, procuro fugir do sentimento de isolamento, voltando-me para uma mulher, uma ideia, um motivo, como se precisasse agarrar-me a alguma coisa? Vejo que é isso mesmo, que estou solitário e que estou fugindo - por meio do apego a alguma coisa - daquele sentimento de extrema solidão.


    Portanto, quero saber por que estou soltário, pois vejo que é isso que me faz apegar-me. Essa solidão força-me a fugir atraves do apego a isto ou àquilo, e percebo que, enquanto eu estiver solitário, isso acontecerá sempre. O que significa ficar solitário? Como é que isso acontece? É instintivo, herdado, ou resulta da minha atividade diária? Se for instinto, se for herança, então faz parte do meu destino; não é culpa minha. Mas, como não aceito isso, questiono-o e insisto no questionamento. Estou vigilante e não tento encontrar uma resposta intelectual. Não estou tentando dizer à solidão o que ela deve fazer, ou o que ela é; estou esperando que ela me diga. Há observação atenta da solidão, para que ela se revele. Ela não se revelará se eu fugir, se eu ficar assustado, se eu lhe resistir. Então, eu observo a solidão. Observo-a de modo que nenhum pensamento interfira. A observação é muito mais importante do que o pensamento que chega. E, porque toda a minha energia está aplicada em observar essa solidão, o pensamento simplesmente não vem.A mente está sendo desafiada e precisa responder. Sendo desafiada, ela entra em crise. Numa crise, você tem uma grande energia, e essa energia permanece isenta da interferência do pensamento. Esse é um desafio que precisa ser respondido.


    Comecei tendo um diálogo comigo mesmo. Perguntei-me o que é essa coisa estranha chamada amor; todos falam dele, escrevem sobre ele - todos os poemas românticos, quadros, o sexo e todas as suas facetas. Pergunto: "O amor existe?" Vejo que ele não existe quando há ciúme, ódio, medo. Portanto, já não estou interessado no amor; estou interessado em "o que é" - meu medo, meu apego. Por que sou apegado? Percebo que uma das razões - não digo que seja a única - é que estou desesperadamente solitário, isolado. Quanto mais velho fico, mais isolado me sinto.Então, eu observo a solidão. Esse é um desafio ao descobrimento, e, porque é um desafio, toda a energia necessária à resposta está presente. Isso é simples. Quando há alguma catástrofe, algum acidente, ou outra coisa qualquer, trata-se de um desafio, e eu tenho a energia para enfrentá-lo. Não tenho de perguntar: "Como obtenho essa energia?" Quando a casa está em chamas, tenho energia para movimentar-me - energia extraordinária. Eu não me sento confortavelmente, dizendo que preciso de energia, que vou esperar a energia chegar, pois, se o fizer, a casa inteira vai virar cinzas enquanto espero.


    Portanto, há essa tremenda energia para responder à pergunta: "Por que existe esta solidão?" Rejeitei ideias, suposições e teorias, que é coisa herdada, que é instintiva. Essas coisas todas nada significam para mim. Solidão é "o que é". Por que há essa solidão que todo ser humano, se estiver cônscio, experimenta de modo superficial ou profundo? Por que acontece isso? Será que a mente está fazendo algo que produz isso? Rejeitei teorias de instinto e herança, e estou perguntando: "Será que a mente, o próprio cérebro, está causando essa solidão, esse total isolamento? Será que o movimento do pensamento está causando isso? Será que o pensamento, na minha vida diária, está criando este senso de isolamento? No escritório, estou me isolando porque quero tornar-me o executivo principal, e, portanto, o pensamento está ocupado o tempo todo em isolar-me. Percebo que o pensamento está o tempo todo operando para tornar-se superior, a mente está se preparando para esse isolamento.


    O problema, então, é: "Por que o pensamento age desse modo?" Será que a natureza do pensamento consiste em trabalhar para si mesmo? É da natureza do pensamento criar este isolamento? A educação produz esse isolamento; ela me dá certa carreira, certa especialização, e, assim, isolamento. O pensamento, sendo fragmentário, sendo limitado e preso ao tempo, está criando esse isolamento. Nessa limitação, ele encontrou segurança dizendo: "Tenho uma carreira especial; sou professor; estou em perfeita segurança." Daí a minha preocupação: "Por que o pensamento age assim?" Está na sua própria natureza fazer isso? O que o pensamento fizer, seja o que for, tem de ser coisa limitada.


    Agora o problema é: o pensamento consegue compreender que, faça o que fizer, será fragmentado, e, portanto, isolante, e, tudo quanto fizer será assim? Este é um ponto muito importante: "O próprio pensamento consegue compreender suas limitações?" Ou eu é que estou dizendo a ele que é limitado? Isto, percebo, é muito importante entender; é a essência mesma do assunto. Se o próprio pensamento compreende que é limitado, então não há resistência, não há conflito; ele diz: "Eu sou isso." Mas, se eu estou dizendo a ele que é limitado, então me torno separado da limitação. Então, luto para superar a limitação, e com isso há conflito e violência, e não amor.


    O pensamento se compreende como sendo limitado? Preciso descobri-lo. Estou sendo desafiado. Por estar sendo desafiado, tenho uma grande energia. Noutras palavras: "A consciência compreende que o seu conteúdo é ela mesma?" Ou será que ouvi alguém dizer: "A consciência é aquilo que ela contém; seu conteúdo é o que constitui a consciência"? Então eu digo: "Sim, é isso mesmo." Você vê a diferença entre as duas situações? A última, criada pelo pensamento, é imposta pelo "eu". Se eu impuser algo ao pensamento, então haverá conflito. É como um governo tirânico impondo-se a alguém, mas, aqui, esse governo é aquilo que eu criei.


    Então, pergunto-me se o pensamento compreendeu suas limitações. Ou está fingindo ser algo extraordinário, nobre, divino? - o que seria tolice, pois o pensamento se baseia na memória. Percebo haver necessidade de clareza sobre este ponto: que não haja influência externa impondo-se ao pensamento, dizendo que ele é limitado. Então, por não haver imposição, não há conflito; ele simplesmente compreendeu que é limitado; ele compreendeu que, faça o que fizer - sua adoração de deus e outras coisas mais - é coisa limitada, falsificada, miúda, muito embora tenha construído maravilhosas catedrais por toda a Europa nas quais adorar.


    Na minha conversa comigo mesmo, descobri que a solidão é criada pelo pensamento. O pensamento agora compreendeu, por si mesmo, que é limitado e que, por isso, não pode resolver o problema da solidão. E, como ele não pode resolver o problema da solidão, será que existe solidão? O pensamento criou essa sensação de solidão, esse vazio, porque é limitado, fragmentário, dividido, e, quando compreende isso, a solidão deixa de existir; portanto, fica-se livre dos apegos. Eu nada fiz; observei o apego, as coisas que ele implica - ambição, medo, solidão, tudo isso - e, observando isso, não analisando, mas apenas olhando, olhando e olhando, descubro que o pensamento fez tudo isso. O pensamento, por ser fragmentário, criou este apego. Quando ele percebe isso, o apego cessa. Não se faz esforço algum. No instante em que há esforço, o conflito volta outra vez.


    No amor não há apego; se houver apego, não há amor. Houve remoção do fator principal por meio da negação do que não é, por meio da negação do apego. Sei o que o amor significa na vida diária: nenhuma lembrança do que minha mulher, minha namorada ou meu vizinho fez para ofender-me; nenhum apego a nenhuma imagem que o pensamento criou sobre a minha mulher - como ela me ameaçou, como ela me deu conforto, como tenho tido prazer sexual - todas as várias coisas das quais o movimento do pensamento criou imagens; o apego a essas imagens se foi.


    E há outros fatores. Preciso mencionar todos eles, passo a passo, um por um? Ou isso tudo já terminou? Preciso esquadrinhar, preciso investigar - como investiguei o apego - medo, prazer e desejo de conforto? Vejo que não tenho de investigar completamente todos esses vários fatores; vejo-o num relance, eu o captei.


    Assim, mediante a negação do que não é amor, o amor acontece. Não preciso perguntar o que é o amor. Não preciso correr atrás dele. Se eu correr atrás dele, então ele não é o amor, mas uma recompensa. Portanto, nessa pesquisa, vagarosamente, cuidadosamente, sem distorção, sem ilusão, neguei, acabei com tudo quando não é - e a outra coisa aconteceu.

    A Dialogue with Oneself

    Fonte: http://www.krishnamurti.org.br

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      Data/hora atual: Sex Set 22, 2017 11:42 pm