Filosofia Oriental e Espiritualismo Prático

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    Antropologia do Conhecimento e Filosofia Oriental

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    Máscaras de Deus

    Mensagens : 30
    Data de inscrição : 27/05/2011

    Antropologia do Conhecimento e Filosofia Oriental

    Mensagem  Máscaras de Deus em Sab Jun 04, 2011 9:12 pm


    Bom, como estamos - constantemente - debatendo sobre a questão das ilusões, lembro-me de um detalhe constantemente pontuado pelos cientistas dualistas.

    Alguns deles, retomando o discurso dos filósofos naturais dos sécs. XVII e XVIII, como Galileu, Huygens, Newton e outros, mas principalmente Galileu, asseveram que "a Natureza é o livro de Deus, e ele foi escrito em caracteres matemáticos".

    Sei que é muito bonito e aparentemente lógico esse raciocínio - eu mesmo o defendi outrora e alhures -, mas a verdade é que a Matemática, enquanto construção simbólica do animal simbólico (Ser Humano ou Espírito Humanizado), é só uma ferramenta da razão para CRIAR e REPRESENTAR a REALIDADE SIMBÓLICA.

    Aliás, esse é o fundamento básico da Antropologia: não existe nenhuma realidade objetiva. O mundo tal qual nós o entendemos, tal qual nós o exploramos e o compreendemos, é um mundo CRIADO PELA RAZÃO.


    Um MUNDO OBJETIVO, seria um mundo em que não houvesse seres pensantes, ou seja, seres simbólicos. Ou ainda, seria como existir na Terra apenas animais, mas não o homem. Aí sim existiria uma realidade objetiva.

    Mas, a partir do momento em que a razão simbólica oonstrói conceitos e reprentações para tornar o mundo inteligível, e também tornar inteligível as próprias relações sociais e de poder, o que existe é um mundo "feito à imagem e semelhança da razão" (Bachelard).

    Não existe nenhuma matemática "objetiva", pairando no ar, como se Deus fosse um geômetra. Não! O homem é que criou o deus-geômetra à sua imagem e semelhança.

    É como você pegar a poderosa argumentação racional-lógica da teologia de Tomás de Aquino no afã de provar a existência de Deus. É formidável a argumentação dele em prol da existência de Deus, mas ainda assim, não deixa de ser um deus fictício, criado pela razão, criado à imagem e semelhança da razão.

    Donde cabe concluir que, o animal simbólico, em apenas construindo representações, conceitos e idéias sobre a realidade, e portanto criando e recriando uma REALIDADE SIMBÓLICA, todas essas representações são ILUSÓRIAS, mesmo porque elas são recriadas de tempos em tempos.

    É assim que, numa época a Terra era plana; noutra ela era o centro do universo, e hoje sabe-se que existe mais matéria nos espaços inter-galáticos do que nos centros massivos de aglomerados e superaglomerados de galáxias.

    Tudo é ilusão! Como acabar com ela? --> Parando de construir, ou melhor, de acreditar nas representações sobre a realidade - principalmente quando uma delas se arroga o título de "verdade". Exemplos: "uma estrela é uma usina que converte hidrogênio em hélio e isto é que faz gerar a luminosidade". Reparem, que esta é apenas uma representação simbólica do que é uma estrela. Quem garante que essa representação corresponda à realidade do "que é uma estrela"?

    Dizer que as Plêiades estão no céu numa homenagem prestada por Zêus, que raptou Alcíone, uma das sete irmãs, filhas do rei Agenor, é uma representação simbólica tão convincente quanto dizer que as Plêiades são um grupo de estrelas jovens na faixa de 100 milhões de anos cuja cor branca, representa a grande quantidade de hidrogênio presente nessas estrelas, bem como os gases emanados são de temperatura elevadíssima.

    Ninguém nunca viu uma gravidade, contudo, a razão simbólica diz que ela existe, e que "um corpo atrai outro na razão direta entre as massas e na razão inversa da distância que as separa" (Newton, I. Princípios Matemáticos de Filosofia Natural).

    Essa linguagem aí é a linguagem de Deus ou ela foi construída pela razão humana?

    Será que Newton leu o "Livro de Deus", ou seja, a Natureza, e, em observando-a, descobriu a Lei de Gravitação Universal dos corpos?? Ora, se sim, isto é o mesmo que dizer que há uma realidade objetiva nesse "Livro de Deus"; é proclamar a ilusória dicotomia sujeito-objeto!

    Segundo Swami Vivekananda a gravidade estava na mente de Newton, e ao observar uma maçã caindo, ele a retirou da sua mente, e não que ela estava escrita em caracteres matemáticos na Natureza, antes, foi uma construção simbólica da razão, e que hoje já foi desbancada pela Teoria da Relatividade, que postula a gravidade como conseqüência da deformação do espaço-tempo pelos corpos massivos, como o Sol por exemplo.

    Aliás, a Teoria da Relatividade não é senão só mais uma representação simbólica do que seja a gravidade.

    Tudo o que é exterior ao Espírito é ilusório, e as representações simbólicas da realidade, operadas pelo pensamento, são todas construções simbólicas e ilusórias da razão humana.

    Como dizíamos anteriormente, "a alma não pensa". Parece absurdo dizer isso, mas vejamos: se a alma "pensasse", nos termos em que pensa o ser humanizado, ela não faria senão construir representações, conceitos e idéias sobre Deus, o paraíso e as bem-aventuranças. Quer dizer, ela nunca teria o conhecimento de Deus, que aliás, é o caso do ser humano, que construiu e elaborou muitas teorias sobre o que e como é Deus, mas elas são todas fictícias.

    http://mascarasdedeus.blogspot.com/2011/04/antropologia-do-conhecimento-e.html



    Máscaras de Deus

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    Antropologia do Conhecimento: é possível o conhecimento?

    Mensagem  Máscaras de Deus em Ter Jun 14, 2011 9:03 pm

    É possível o conhecimento? - pergunta básica de Michel de Montaigne à Descartes e Kant!

    A Realidade Objetiva é Deus e o Mundo dos Espíritos, segundo a Doutrina Espírita (Introdução de O Livro dos Espíritos, Item 6). Vejam que interessante essa citação de Bachelard: "Nos primeiros tempos do espírito científico, foi construída uma razão à imagem do mundo; mas hodiernamente, a razão constrói um mundo à sua imagem e semelhança".

    Quer dizer, até Descartes, as percepções que se tinham do mundo, eram aquelas baseadas no testemunho dos sentidos. Assim, os filósofos e cientistas pré-socráticos olhavam para o Sol e diziam: "do tamanho de um prato", assim como os aristotélicos - e isso até Galileu e Johannes Kepler - viriam a dizer que as "estrelas fixas" eram pontinhos luminosos no céu. Não havia então uma linguagem construída de maneira tão requintada, a ponto de separar do signo, significado e significante (Ferdinand Saussure). Depois da Revolução Científica do Século XVII, privilegia-se a razão.

    E hoje sabe-se não só que o Sol é uma estrela muito maior do que se pensava, mas que, em relação às chamadas anteriormente "estrelas fixas", é muito menor que estas. Vejam então que, a razão parou de olhar o mundo e testemunhá-lo a partir dos sentidos, e a partir da poderosa construção simbólica, a partir da poderosa lógica matemática passou a interpretar a realidade, desprezando o testemunho dos sentidos, porque os sentidos enganam, só a razão pode conhecer (Descartes). Na verdade, nem uma, nem outra pode conhecer a "realidade objetiva".

    A razão apenas, valendo-se do poderoso simbolismo matemático retira a personalidade dos fenômenos e com isso, confere um significado que seja interpretável e decodificável a partir de sua própria lógica. Assim, ela não constrói apenas uma explicação para a realidade, mas lhe confere um sentido e uma lógica. Não que Einstein estava errado ao formular a Teoria da Relatividade. Pois que, primeiro ele formulou a teoria, e somente depois uma equipe chefiada por Sir Arthur Eddington foi a Sobral - CE medir, durante um eclipse, a curvatura dos raios de luz de uma estrela, que segundo Einstein deveria sofrer ligeiro desvio devido à massa do Sol, o que foi constatado pela equipe de Eddington, em 1919.

    É como encontramos na própria Doutrina Espírita: há um bom conhecimento do funcionamento das coisas do mundo material. Mas do ponto de vista do mundo espiritual não se sabe nada, a ciência não sabe nada. Isso é complicado, mas é simples também: se a personalidade (ego) existe para criar as provas para o Espírito, então a comunidade científica sendo uma "personalidade coletiva" só poderá estudar a ilusão, ou seja, ela sempre irá interpretar um fenômeno à luz dos atributos da própria razão e dos preconceitos, valores e normas vigentes na sociedade. Ela não consegue movimentar-se fora desse âmbito.

    O pensamento pois, a razão gera a ilusão. A ciência contemporânea é apenas uma forma sofisticada de se gerar ilusões uma vez que, ela estudando o ser humanizado, e acreditando que ele é real, passa ao largo da Realidade Absoluta, ou a realidade objetiva, que seria o Espírito.

    http://mascarasdedeus.blogspot.com/2011/04/antropologia-do-conhecimento-e_08.html


    Monstrinho

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    Data de inscrição : 22/05/2011

    Delírios da Razão

    Mensagem  Monstrinho em Ter Jun 14, 2011 9:23 pm

    O conto antigo da Gata Borralheira,
    O João Ratão e o Barba Azul e os 40 Ladrões,
    E depois o Catecismo e a história de Cristo
    E depois todos os poetas e todos os filósofos;
    E a lenha ardia lá fora em dias de destino,
    E por cima da leitura dos poetas as árvores e as terras...
    Só hoje vejo o que é que aconteceu na verdade.
    Que a lenha ardida, exatamente porque ardeu,
    Que o sol dos dias de destino, porque já não há,
    Que as árvores e as terras (para além das páginas dos poetas) -
    Que disto tudo só fica o que nunca foi:
    Porque a recompensa de não existir é estar semrpe presente.

    Alberto Caeiro (Fernando Pessoa) IN: Poemas Inconjuntos


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    Re: Antropologia do Conhecimento e Filosofia Oriental

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