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    Amor Imbatível amor - Joanna de Ângelis

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    Amor Imbatível amor - Joanna de Ângelis

    Mensagem  Convidad em Seg Jun 13, 2011 10:30 am


    Amor Imbatível Amor



    Capítulo 20-EXISTÊNCIAS FRAGMENTADAS


    Escrito por Joanna de Ângelis




    O
    ego, utilizando-se de técnicas para mascarar-se, recorre com
    freqüência a mecanismos sutis, quan­do se vê defrontado
    pelo dever de assumir respon­sabilidades que se derivam dos
    atos insensatos, tais como transferência de culpa e
    autopunição.
    No primeiro caso, torna-se-lhe mais fácil,
    raci­onalmente, fugir para a inocência e a fragilidade,
    direcionando acusações a outrem, do que enfrentar-se, e, no
    segundo caso, o recurso da autopunição castradora e infeliz,
    como anestésico para a consciência e liberação de um conflito,
    mesmo que geran­do outros.
    Reprimindo-se desde a infância
    mal vivida, o ser escamoteia os sentimentos e procura viver
    conforme os estereótipos convencionais, impedindo-se a
    auto-re­alização, o enfrentamento lúcido, a coragem para
    assu­mir responsabilidades e delas desincumbir-se sem
    con­flito.
    Ansiando por liberdade, defronta os
    impedimen­tos sociais e comportamentais, passando a ocultar os
    sentimentos e sofrer insatisfações que se sombreiam com
    perturbações psicológicas e desencantos.
    Não se resolvendo
    por lutar contra os impedimen­tos à felicidade — que é a
    harmonia interior em identifi­cação com os propósitos de
    elevação — vive fragmenta­riamente, tornando a existência
    um fadário de pesada condução.
    Somente por intermédio de
    uma resolução fir­me é que pode romper os fortes elos que o
    prendem aos sofrimentos desnecessários, mantendo a decisão de
    não se furtar às consequências, e superá-las a qual­quer
    preço.
    Os gregos antigos, experimentando as mesmas injunções
    psicológicas, conceberam, através da Mi­tologia, os
    referenciais para bem traduzirem as ocor­rências e seus
    efeitos, em bem entretecidas catarses, que ainda servem de modelo
    para um bom entendi­mento dos conflitos humanos e suas
    soluções.
    No mito de Prometeu, por exemplo, vemô-lo
    rou­bando o fogo sagrado de Zeus, a fim de auxiliar aos homens
    que se encontravam condenados às grandes trevas.
    Surpreendido,
    foi aprisionado por trinta séculos, acorrentado a um rochedo, até
    ser libertado por Hera­cles.
    Nesse período, tinha o fígado
    exposto a um abutre que o devorava incessantemente, enquanto o
    mesmo se refazia, a fim de que o seu fosse um suplício sem
    limite.
    Face à trágica ocorrência, quando ficou livre,
    acon­selhou ao irmão Epimeteu, que se mantivesse adverti­do
    e lúcido, não aceitando presente algum de Zeus, que certamente
    planejava desforço.
    Invigilante, porém, Epimeteu deixou-se
    seduzir por bela jovem que Zeus lhe enviara, e que conduzia uma
    preciosa caixa.
    Tratava-se de Pandora que, após conquistá-lo
    e dominá-lo, abriu o cofre e espalhou o bafio das pestes, do
    sofrimento, das misérias que passaram a predomi­nar no
    mundo...
    Apesar de admoestado, o irresponsável deixou-se
    conduzir pela imprevidência egóica, passando a sofrer-lhe as
    consequências, e tornando-se causador das des­graças
    humanas.
    Prometeu, como o nome significa, é aquele que prevê,
    que percebe antes, enquanto Epimeteu é o que desperta
    tardiamente, que toma conhecimento depois.
    O ego astuto não
    aceita as sugestões do Self, que o adverte, e, imediatista,
    ambiciona o prazer voluptuo­so, sem preocupação com os
    resultados da precipita­ção, da irreflexão.
    Quando
    desperta, como ocorreu com Epimeteu, os danos já se avolumaram,
    e, ao invés de assumir as res­ponsabilidades, transfere-as
    para os outros ou autopu­ne-se em mecanismos de consciência
    de culpa e senti­mentos de remorso.
    Todas as advertências
    que lhe são apresentadas soam sem significação, porque deseja a
    própria satisfa­ção, a imediata e tormentosa sensação
    saciada, que so­mente se converte em nova inquietação
    desencadeadora de diferentes conflitos.
    O ser, porém, está
    destinado à plenitude, à auto-realização embora os desafios e
    as dificuldades aparen­tes que lhe surgem durante o período
    de crescimento.
    A planta que germina arrebenta o claustro no
    qual a semente jaz encarcerada, desenvolvendo todos os conteúdos
    que a tipificam.
    Nessa ruptura, desabrocha o fatalismo
    biológico que a conduz à totalidade.
    As heranças das formas
    primevas pelas quais pas­sou o ser humano no seu processo
    antropológico, repe­tem-se desde o zigoto ao feto, à criança
    libertada do sacrário materno.
    Os valores psicológicos, da
    mesma forma, ressu­mam das experiências humanas vividas
    antes, apresen­tando-se como tendências e conflitos,
    frustrações e ego­tismos, que se expressam no ser como
    recurso de segu­rança.
    Os impulsos egóicos remanescentes
    dos instintos básicos, porém, devem ceder espaço às
    realizações cons­cientes, à diluição das mazelas e
    angústias, identifican­do a própria realidade.
    Como
    resultado, não é lícito culpar os demais, menos ainda manter a
    atitude autopunitiva, masoquis­ta.
    O Prometeu que jaz no
    inconsciente em forma de reflexão e cuidado nas decisões
    psicológicas, deve to­mar o lugar de Epimeteu, o malsucedido
    aventureiro e sonhador.
    Qualquer tentativa de autopunição
    deverá ser subs­tituída pela aquisição da auto-estima e da
    boa orienta­ção para o logro da saúde mental e
    comportamental.
    Face, porém, a qualquer tentação de
    transferir cul­pa para outrem, cabe a luta para assumir a
    coragem da responsabilidade sem conflito, compreendendo que se
    trata de experiência que libera a existência de
    fragmen­tação.
    Essa atitude mental e de comportamento
    ético li­bera o germe de vida superior que também se
    encontra em todos os seres humanos à semelhança da flor e do
    fruto dormindo no silêncio da semente que é portado­ra de
    vida e de bênçãos.



    Joana de Ângelis -
    Psicografado por Divaldo franco


      Data/hora atual: Qui Mar 30, 2017 6:42 pm