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    Nietzsche e os Acetas -História porVoltaire Schilling

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    Nietzsche e os Acetas -História porVoltaire Schilling

    Mensagem  Convidad em Qua Jun 15, 2011 9:30 pm

    Fonte:http://educaterra.terra.com.br/voltaire/cultura/nietzsche_asceta2.htm

    A doutrina do amor
    Afrodite, Eros e Pan, o sexo liberta

    "Coubera ao sábio de Agrigento desenvolver uma das mais curiosas doutrinas sobre a origem do amor da Antigüidade. Na concepção dele, houve uma época - a Época da Esfera - em que os deuses, ao gerarem os humanos pela primeira vez, fizeram-nos numa figura muito especial. Segundo ele, os novos seres foram dotados, para evitar as mazelas da solidão, com duplos de tudo: tinham duas cabeças, quatro mãos e quatro pernas e dois sexos. Formas que abundam na estatuária hindu. Entretanto, por viverem encantados uns com os outros - voltados apenas para satisfazer Eros, esquecidos de tudo o mais, inclusive de prestarem a devida reverência às divindades, os deuses olímpicos, indignados com a indiferença deles, decidiram puni-los. Um raio de Zeus então os separou para sempre. Divididas em duas partes, cada uma delas, agora tendo uma cabeça só, duas mãos e duas pernas, ficou flutuando solteira no espaço etéreo como se tratasse de alma danada. Sentenciaram-na a ter que, doravante, ir ao reencontro da outra parte, da que lhe fora decepada, forçando-a na vã tentativa de recompor sua forma original, de restabelecerem seu universo amoroso primitivo. Logo, segundo tal doutrina, o erotismo era um componente da estratégia do reencontro dos corpos, sendo que as variadas práticas do sexo nada mais eram do que estratagemas urdidos para que as partes primais pudessem se reconhecer, restaurando o antigo embevecimento que tinham uma pela outra antes da punição divina. A invocação da doutrina de Empédocles feita por Nietzsche era parte do esforço dele em fazer uma outra leitura, totalmente diferente da dos outros, denunciando as verdadeiras bases da santidade.

    As insídias lançadas contra o natural

    Quando, devido à idade ou secura das suas vidas, os ascetas sentiam que o seu inimigo, a sensualidade, os abandonava, eles inventavam um outro. Desta forma, eles mantinham sempre à frente dos não-santos a aura de entes sobrenaturais, em luta perpétua contra o "mal". Aos eremitas, tudo o que era "natural", em se tratando das sensações, ou da sensualidade, foi apresentado como "mau", como pecaminoso, fazendo com que o homem comum, impressionável, virasse num medroso: alguém inseguro e desconfiado ao ter que lidar com suas emoções. Até nos sonhos, segue Nietzsche, revelava-se a consciência atormentada dos santos. No fundo dessa infeliz associação do natural com o pecado, equívoco em que os ascetas incorriam, acompanhados pelos sacerdotes e pelos metafísicos, terminava-se por obter um resultado pior do que o pretendido. Ao querer acreditar que o homem era mau e pecador por natureza, ao invés de melhorá-lo, disse Nietzsche, tornavam-no pior ainda.

    O fardo do pecado

    O mal-estar permanente em que a maioria vivia, acreditando-se portadora de culpas que na verdade eram imaginárias, acumulando sobre si impressões pesarosas, fazia com que acreditassem que seu pecado era tamanho que somente uma força sobrenatural poderia vir a arrancá-lo daquele sofrimento, da sensação de sentir-se perdido e aviltado. Isso tudo criava o clima para que ele saísse em busca da salvação da sua alma, a qual ele, induzido pelo engano, acreditava estar irremediavelmente extraviada. Quando verifica-se que o que provoca a angústia em muitos seres humanos, constata-se que a tal da redenção pretendida de modo algum "corresponde em absoluto a uma pecaminosidade real, e sim a uma falta imaginária." Os homens, acredita Nietzsche, lutam o tempo inteiro contra os fantasmas criados pelos ascetas, pelos sacerdotes e pelos metafísicos. Espectros que ficavam pairando ao redor deles como se fossem assombrações das quais eles jamais conseguiam se livrar."


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