Filosofia Oriental e Espiritualismo Prático

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    O Problema do Mal

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    Monstrinho

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    Data de inscrição : 22/05/2011

    O Problema do Mal

    Mensagem  Monstrinho em Dom Maio 22, 2011 7:06 pm

    Toda religião ou sistema de filosofia deve tratar do problema do mal - mas, infelizmente, este é um problema que em geral é mais contornado do que explicado. "Por que", pergunta-se, "Deus permite o mal, se Ele Próprio é só bondade? Uma ou duas respostas costumam ser dadas a essa pergunta pelo pensamento religioso ocidental. Às vezes nos dizem que o mal é uma questão educacional e penal. Deus nos castiga pelos nossos pecados visitando-nos com a guerra, a fome, os terremotos, as calamidades e as doenças. Serve-se da tentação (quer diretamente, quer pela intervenção do Demônio) para pôr à prova e fortalecer a virtude dos homens bons. Essa é a resposta dada pelo Antigo Testamento. Na época atual, ela repugna a muitas pessoas e tomou-se antiquada - embora, como veremos logo adiante, contenha um certo grau de verdade, segundo a filosofia do Vedanta. A outra resposta - hoje mais geralmente aceita - é que o mal não existe em absoluto. Se encararmos a Vida sub specie aeternitatis, veremos que o mal carece de realidade, que ele é simplesmente uma interpretação errônea do bem. A filosofia Vedanta discorda de ambas as teses - da segunda até mais radicalmente que da primeira. Como, pergunta ela, o mal pode mudar-se em bem pelo simples fato de o considerarmos de uma maneira especial? A dor e o infortúnio podem ser suportados mais facilmente se concentrarmos nossa mente em Deus - mas, não obstante, ambos são experiências muito reais, ainda que sua duração seja limitada.


    O Vedanta concorda que o mal, no sentido absoluto, é irreal. Mas lembra-nos que, desse ponto de vista, também o bem é irreal. A Realidade absoluta está além do bem e do mal, do prazer e da dor, do sucesso e do insucesso. Tanto o bem quanto o mal são aspectos de Maya. Enquanto Maya existir, eles existirão. No interior de Maya eles são efetivamente reais. Na verdade, a pergunta "Por que Deus permite o mal?" está erroneamente formulada. É tão absurda como se perguntássemos. Por que Deus permite o bem?" Ninguém hoje perguntaria por que a chuva "permitiuuma enchente catastrófica; ninguém acusaria ou louvaria o fogo porque ele queima a casa de um homem e cozinha o jantar de outro. Tampouco se pode dizer apropriadamente que Brahman é "bom" em qualquer sentido pessoal da palavra. Brahman não é "bom" no sentido em que Cristo o era porque a bondade de Cristo se encontra nos limites de Maya; sua vida expressou a luz da Realidade refletida no mundo relativo. A Realidade em si está além de todos os fenômenos, mesmo o mais nobre. Está além da pureza, da beleza, da felicidade, da glória ou do sucesso. Só podemos descrevê-la como o bem se admitirmos que a consciência absoluta é o conhecimento absoluto e que o conhecimento absoluto é a alegria absoluta. Mas pode ser que a questão não se refira absolutamente a Brahman.

    Pode ser que, nessa conexão, "Deus" signifique lswara, o Governante de Maya. Isto posto, pode a filosofia Vedanta concordar com a afirmação do Antigo Testamento de que Deus é o doador da lei, um pai severo e algo imprevisível, cujos caminhos não são os nossos, cujos castigos e recompensas parecem quase sempre imerecidos, um pai que permite que caiamos em tentação? A resposta é sim e não. A doutrina Vedanta do Karma é uma doutrina de justiça absoluta, automática. As circunstâncias de nossas vidas, nossas dores e nossos prazeres, são o resultado de nossas ações passadas nesta e em incontáveis existências anteriores, desde o alvorecer dos tempos. De um ponto de vista relativo, Maya é desprovida de piedade. Obtemos exatamente aquilo a que fazemos jus, nem mais nem menos. Se bradamos contra uma injustiça aparente, é unicamente porque o ato que a fez recair sobre nós está profundamente sepultado no passado, fora do alcance da nossa memória. Nascer como mendigo, rei, atleta ou como um aleijado irremediável constitui simplesmente as conseqüências compósitas das ações de outras vidas. Não devemos agradecer senão a nós mesmos por elas.

    Não adianta tentar barganhar com Iswara, ou propiciá-Lo, ou responsabilizá- Lo pelos nossos infortúnios. Não adianta inventar um Demônio como álibi para as nossas fraquezas. Maya é aquilo em que a transformamos - e lswara representa simplesmente o fato inexorável e solene. 13 De um ponto de vista relativo, este mundo de aparências é um lugar desolado e como tal nos leva muitas vezes ao desespero. Os videntes, com seu conhecimento mais amplo, nos dizem algo bem diverso. Assim que nos conscientizamos, ainda que vagamente, do Atman, nossa Realidade interior, o mundo assume um aspecto muito diferente. Deixa de ser um tribunal para tornar-se unia espécie de academia de ginástica. O bem e o mal, a dor e o prazer continuam a existir, mas assemelham-se mais às cordas, aos cavalos de pau e às paralelas, que podem ser usados para fortalecer nosso corpo. Maya deixa de ser uma roda de dores e prazeres a girar incessantemente para tomar-se uma escada que nos permite ascender à consciência da Realidade. Desse ponto de vista, a ventura e a desventura são ambas mercês" - vale dizer, oportunidades. Toda experiência nos oferece a oportunidade de reagir construtivamente a ela - reação essa que nos ajuda a quebrar um elo da nossa escravidão a Maya e nos leva para muito mais perto da liberdade espiritual. Assim, Shankara distingue entre dois tipos de Maya - avidya (mal ou ignorância) e vidya (bem). Avidya é aquilo que nos afasta do Eu real e encobre o nosso conhecimento da Verdade.

    Vidya é aquilo que nos aproxima do Eu real removendo o véu da ignorância. Tanto vidya como avidya são transcendidos quando ultrapassamos Maya e adentramos a consciência da Realidade absoluta. Já se disse que o princípio de Maya é a sobreposição da idéia do ego ao Atman, ao verdadeiro Eu. A idéia do ego representa uma falsa pretensão à individualidade, a sermos diferentes do nosso próximo. Segue-se, pois, que qualquer ato que contradiga essa pretensão nos fará adiantar um passo rumo ao correto conhecimento, à consciência da Realidade interior. Se reconhecermos a nossa fraternidade com os nossos semelhantes; se tentarmos relacionar-nos com eles sinceramente, verdadeiramente, caridosamente; se, política e economicamente, lutarmos por direitos iguais, por justiça igual e pela abolição das barreiras de raça, classe e credo, então estaremos desmentindo a idéia do ego e caminhando para a percepção da Existência universal, não-individual. Todas essas ações e motivos pertencem àquilo que é conhecido como o bem ético - do mesmo modo que os motivos e ações egoístas pertencem ao mal ético. Nesse sentido, e só nesse sentido, o bem pode ser considerado mais "real", ou mais válido, do que o mal - já que as más ações e os maus pensamentos nos enredam mais profundamente em Maya, ao passo que as boas ações e os bons pensamentos nos afastam de Maya e nos aproximam da consciência da Realidade. As palavras "pecado" e "virtude" são de certo modo alheias ao espírito da filosofia Vedanta, porque estimulam necessariamente um sentimento de possessividade com respeito ao pensamento e à ação.

    Quando dizemos "eu sou bom" ou "eu sou mau , estamos apenas falando a linguagem de Maya. "Eu sou Brahman" é a única afirmação que qualquer um de nós pode fazer. São Francisco de Sales escreveu que "mesmo o nosso arrependimento deve ser pacífico" - querendo dizer que o remorso excessivo, tal como a autocomplacência excessiva, simplesmente nos vincula mais fortemente à idéia do ego, à mentira de Maya. Nunca devemos esquecer que o comportamento ético é um meio, e não um fim em si mesmo. O conhecimento da Realidade impessoal é o único conhecimento válido. Fora disso, nossa mais profunda sabedoria não passa de negra ignorância e nossa mais estrita retidão é inteiramente vã.

    IN: Shankara, "A Jóia Suprema do Discernimento"


    Azuramaya

    Mensagens : 17
    Data de inscrição : 01/07/2011

    Re: O Problema do Mal

    Mensagem  Azuramaya em Seg Jul 04, 2011 9:53 pm

    Começando pelo começo de forma pleonástica, vamos dar feição ao problema.
    Note que você usa indiscriminadamente o termo "deus" como se fosse algo real.
    O deus judaico-cristão sempre foi uma caricatura das intenções de um povo, idem para vários deuses.
    Hodiernamente vemos muitos resumirem o termo a uma idéia geral e ampla que prevê uma forma comum de interpretar o termo.
    Talvez deus seja uma necessidade da nossa lógica, da nossa limitação e finitude, da nossa interpretação psíco-sociopata aos embalos de um mundo pervertido pela "maldade" mal compreendida e bondade bem disfarçada pelo capitalismo Maniqueísta.
    Criar um perfil humano para uma hipótese; transladar nossas vontades, anseios, críticas, ideiais e ensejos para essa hipótese e reafirmar repetidas vezes que ela é uma entidade viva e autônoma e assim pensa, vê e se define, não seria chegar ao cúmulo da prepotência e loucura?
    Ouço muito dos neo-cristãos (advinhe se puder) a opinião de deus, contra a qual ninguém pode. Dos confins da terra, de uma para outra hora, surge um "Mandrake" que se assegura na comunicação direta com o Menestrel do Universo e diante do qual todos se calam e consentem! O que ele tem que eu não tenho?
    Foi abençoado e consagrado enquanto eu amaldiçoado? (percebam a teoria do mal se manifestando).
    Puxa, ele congrega milhões de pessoas em nome de deus, ele foi escolhido... eu sou apenas um joguete.
    Toda a vez que aceitarmos a impregnação do nome deus com as mazelas da vontade humana estaremos falando sobre nada.
    O deus do amor, deus da justiça, deus da misericórdia como se deus pudesse sentir tudo o que causa o mal e a destruição.

    NOTA RÁPIDA- A humanidade não se destrói por querer o mal, mas justamente o bem e em excesso. "Guerras começam em sonhos de seda regados a Champagne."

    Conforme o Budismo Tibetano, deus é a última coisa que o homem precisa se preocupar. Vivemos pela Lei e qual a importância
    de quem a fez se isso não muda a sua forma de atuar? Tanto faz ser o Chiquinho ou o Pedrinho, se a Lei acontece, ela é que vale.
    A lei da Natureza é insuperável e incorruptível, portanto, ao descobrirmos quais elas são, saberemos onde pisar.

    O mal surge então como um cofronto entre o presumível aspecto positivo de deus e a falência dessa sua Natureza pelos humanos que teoricamente a infringem. Barbaridade! Ainda bem que não.
    A nossa ignorância à cerca de Lei corrompe o conhecimento, ou seja, se mantém edificada e estagnada e se auto-gere. Enquanto não quebrarmos o limite da ignorância, pensaremos que o mal é algo real e mensurável.

    O americano costuma dizer que "tudo está bem quando acaba bem".
    Ao fim de cada etapa permeada pelo pretenso "mal", podemos ver que as custas dele, conseguimos o bem ou vitória, momento que nos assegura ela própria como uma realidade prática nesse passado, futuro ou momento atual, assim o mal é apenas a força que impulsiona o bem.
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    Monstrinho

    Mensagens : 145
    Data de inscrição : 22/05/2011

    Re: O Problema do Mal

    Mensagem  Monstrinho em Dom Jul 10, 2011 7:22 pm

    Azuramaya escreveu:Começando pelo começo de forma pleonástica, vamos dar feição ao problema.
    Note que você usa indiscriminadamente o termo "deus" como se fosse algo real.
    O deus judaico-cristão sempre foi uma caricatura das intenções de um povo, idem para vários deuses.
    Hodiernamente vemos muitos resumirem o termo a uma idéia geral e ampla que prevê uma forma comum de interpretar o termo.
    Talvez deus seja uma necessidade da nossa lógica, da nossa limitação e finitude, da nossa interpretação psíco-sociopata aos embalos de um mundo pervertido pela "maldade" mal compreendida e bondade bem disfarçada pelo capitalismo Maniqueísta.
    Criar um perfil humano para uma hipótese; transladar nossas vontades, anseios, críticas, ideiais e ensejos para essa hipótese e reafirmar repetidas vezes que ela é uma entidade viva e autônoma e assim pensa, vê e se define, não seria chegar ao cúmulo da prepotência e loucura?
    Ouço muito dos neo-cristãos (advinhe se puder) a opinião de deus, contra a qual ninguém pode. Dos confins da terra, de uma para outra hora, surge um "Mandrake" que se assegura na comunicação direta com o Menestrel do Universo e diante do qual todos se calam e consentem! O que ele tem que eu não tenho?
    Foi abençoado e consagrado enquanto eu amaldiçoado? (percebam a teoria do mal se manifestando).
    Puxa, ele congrega milhões de pessoas em nome de deus, ele foi escolhido... eu sou apenas um joguete.
    Toda a vez que aceitarmos a impregnação do nome deus com as mazelas da vontade humana estaremos falando sobre nada.

    Azu e amigos,

    Aproveitndo a "deixa" do seu post, publiquei este artigo

    http://mascarasdedeus.forumeiros.com/t106-religiao-manancial-de-forca-ou-de-fraqueza-o-divino-direito-de-ser-protegido

    que ajuda a matar a charada sobre o "mal" (e do "bem" tbm, o que é pior, pq se esconde sob a máscara da hipocrisia), criado, evidentemente, pelas religiões.

    Boa leitura!

    Abçs,


    Convidad
    Convidado

    O PROBLEMA DO MAL - Comentando.

    Mensagem  Convidad em Dom Jul 10, 2011 10:39 pm

    Amigos,
    Do texto do tópico de título acima, consta:
    “Toda religião ou sistema de filosofia deve tratar do problema do mal - mas, este é um problema que em geral é mais contornado do que explicado”.
    Cel: e, amigos, porq é contornado? Pelo simples fato de q nem as religiões, nem as filosofias conseguem explica-lo. Explicam-no como necessário à evolução ou como tendo sido causado pela própria escolha do homem. Esquecem-se de que conceituam aquilo a que damos o nome de Deus, como um ser de infinitos amor e justiça, onisciente, onipotente, onipresente. Estranhamente, afirmam que é o criador de todas as coisas, menos do mal.
    Texto:
    “A outra resposta - hoje mais geralmente aceita - é que o mal não existe em absoluto. Se encararmos a Vida sub specie aeternitatis, veremos que o mal carece de realidade, que ele é simplesmente uma interpretação errônea do bem”.
    Cel: pode-se afirmar q o mal não existe em absoluto, q é interpretação erronea do bem (!!!); podem dizer o que quiserem, mas o mal, como sofrimento, lágrimas e dores, tragédias e desgraças atinge a todos, mais dia, menos dia. Se pensarmos, então, que o mal não passa de interpretação errônea, com isso ele deixará de existir?! Sem dúvida, continuaremos a sofrer seus dolorosos efeitos. Haverá alguém q esteja livre deles? Basta observar a historia conhecida do homem, para verificar q isso é uma verdade incontestavel.
    Texto:
    “O Vedanta concorda que o mal, no sentido absoluto, é irreal. Mas lembra-nos que, desse ponto de vista, também o bem é irreal.
    Cel: afirmações exatas; bem e mal são opostos como beleza e feiura, vida e morte, espirito e matéria, mente/consciencia e matéria, energia e matéria, sáude e doença, pureza e impureza, perfeição e imperfeição, felicidade e infelicidade, Deus e Diabo e, opostos, só existem em Samsara, mundo ilusório, da relatividade. Em Nirvana, mundo real, do absoluto, os opostos não existem; por isso se diz q o mundo do Espirito está além do bem e do mal, da saúde e doença, de todos os contrários. Os sábios afirmam q, por uma estranha matemática, no mundo do absloluto, os opostos se equilbram, não como se somados e dividos por dois, mas tendo como resultado final a bem-aventurança da união com a realidade.
    Texto:
    “A pergunta "Por que Deus permite o mal?" está erroneamente formulada. É tão absurda como se perguntássemos. Por que Deus permite o bem?".
    Cel: não é tão absurda, pois o mal, no mundo de Maya, inúmeras vezes, é perturbador ao extremo e suscita tal pergunta; o mal significa infelicidade, enquanto o bem traz alegria e felicidade. Também, no mundo das ilusões, existe muito mais mal do que bem, sem dúvida alguma. Tanto que a luta incessante de todos os homens, do mais virtuoso ao mais vicioso, seja no sentido do bem ou no sentido do mal, nada mais é q busca de ser mais feliz ou menos infeliz. Logo, para muitos, o mal é real e muito mais real do q o bem. .
    Texto:
    “A doutrina Vedanta do Karma é uma doutrina de justiça absoluta, automática. As circunstâncias de nossas vidas, nossas dores e nossos prazeres, são o resultado de nossas ações passadas nesta e em incontáveis existências anteriores, desde o alvorecer dos tempos. De um ponto de vista relativo, Maya é desprovida de piedade. Obtemos exatamente aquilo a que fazemos jus, nem mais nem menos. Se bradamos contra uma injustiça aparente, é unicamente porque o ato que a fez recair sobre nós está profundamente sepultado no passado, fora do alcance da nossa memória.
    Cel: não devemos esquecer, amigos, q as religiões e mesmo tradições orientais, possuem uma fase popular, de muitos seguidores, muitas e diferentes crenças, mestres e deuses, e experiencias diferentes; é a fase exotérica. Mas, muitas, possuem também sua fase esotérica, não popular, de poucos, de uma só crença, um só “Deus”, uma só experiencia de caráter universal. Deve ser a essa fase exotérica do Vedanta q o autor do texto se refere, pois a fase esotérica não inclui vidas sucessivas, continuidade do eu, necessidade de aprimoramento moral, nem culpas ou débitos de quem quer que seja. Para este nível profundo, q concorda com a ciencia de hoje, a consciencia ou mente é uma só, universal, dividida por todos os seres, mas sempre indivisa, una e única, abrangendo o Todo numa unidade absoluta.
    Texto:
    “Vidya é aquilo que nos aproxima do Eu real removendo o véu da ignorância. Tanto vidya como avidya são transcendidos quando ultrapassamos Maya e adentramos a consciência da Realidade absoluta”.
    Cel: a vidya ou sabedoria se obtem, na Yoga, pela prática da Gnana Yoga (aquisição de sabedoria, pela observação q leva ao conhecimento da totalidade da vida) ou da Raja Yoga (aquisição da sabedoria, pela meditação). No aspecto esotérico das tradições, em geral, usa-se particularmente a meditação, q é a busca de uma permanencia, cada vez por mais tempo, no aqui-agora. A atenção total na percepção das sensações vindas da estimulação dos sentidos “objetivos”, com a ampliação do tempo de atenção perfeita, causa a morte do ego e, com isso, a visão da realidade q não contém opostos.
    Texto:
    “A idéia do ego representa uma falsa pretensão à individualidade, a sermos diferentes do nosso próximo”.
    Cel: a pretensão não é falsa; o falso está no julgamento de q a individualidade é real; a conceituação de q o eu é separado dos outros eus e do universo, é uma ilusão total. Somos todos, minerais, vegetais, animais o universo, o Todo, o Absoluto; a mais nociva atuação de Maya está exatamente na idéia que nos dá da separatividade, de sermos um “eu” separado e independente que necessita defender-se dos demais “eus” e do mundo ameaçador.
    Texto:
    “Se reconhecermos a nossa fraternidade com os nossos semelhantes; se tentarmos relacionar-nos com eles sinceramente, verdadeiramente, caridosamente; se, política e economicamente, lutarmos por direitos iguais, por justiça igual e pela abolição das barreiras de raça, classe e credo, então estaremos desmentindo a idéia do ego e caminhando para a percepção da Existência universal, não-individual”.
    Cel: essas afirmações são meio ocas; com certeza se referem às conceituações da face exotérica do Vedanta, se é todo este texto concernente a essa tradição oriental e, se o Vedanta possui essa fase. As lutas pela igualdade, solidariedade entre homens e povos, a luta para a consecução do bem-ético, apenas cumpre o objetivo de um relacionamente mais harmonioso entre os seres humanos; cumpre os mandamentos da religiões, em geral, e as recomendações dos sábios para o bem de todos; mas nunca desmentirão a idéia do ego. Isto só acontece por trabalho incessante do permanecer no aqui-agora q, a meditação/atenção/cessação do pensar, pode proporcionar. As recomendações acerca de amor, humildade, solidariedade, ética são consideradas como libertadoras da ignorancia e de seus consequentes sofrimentos, apenas pelas religões populares, pois, em geral, estas só se atêm às regras/leis/madamentos/lições interpretadas como conducentes à salvação. No entanto, o q conduz realmente a esse resultadp é a eliminação do ego, pela meditação. Blavatsky, fundadora da Teosofia: “A mente/ego é a assassina de Deus; mate a assassina!”; Taniguchi, fundador da Seicho-No-Ie: “Quando o ego se cala, Deus se manifesta!”.
    Texto:
    “O conhecimento da Realidade impessoal é o único conhecimento válido. Fora disso, nossa mais profunda sabedoria não passa de negra ignorância e nossa mais estrita retidão é inteiramente vã”.
    Cel: aí está a afirmação correta: não são a obediencia às regras do bem-ético, nem as boas obras, nem o amor mesmo genuíno, que nos levam ao conhecimento a verdade, ao conhecimento da realidade impessoal. É tão somente qdo o homem perde sua identidade restrita, de um eu separado, e adquire sua identidade real com a unicdade absoluta, q a Realidade impessoal se abre para ele. Por isso, a sabedoria dos homens nenhum valor tem pois, como falou o místico apóstolo Paulo: “a sabedoria dos homens é estupidez para Deus”. O homem pode saber tudo q se relaciona com o mundo e com as necessidades de sobrevivência mas, se não sabe aquilo q o relaciona com o Todo, de nada lhe adianta.
    Abraços.



    Última edição por Coronel_ em Qui Jul 14, 2011 11:33 pm, editado 1 vez(es)
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    Monstrinho

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    Re: O Problema do Mal

    Mensagem  Monstrinho em Dom Jul 10, 2011 11:44 pm

    Olá Coronel e amigos.

    Em primeiro lugar, obrigado por nos brindar com esse conhecimento, em fazendo o comentário do texto do Shankara, separando o joio do do trigo.

    Eu peguei esse texto da internet, e obviamente que ele é uma tradução da tradução, e também discordo dele em alguns trechos como este lembrado por você, Coronel:

    Coronel_ escreveu: Amigos,
    Texto:
    “A doutrina Vedanta do Karma é uma doutrina de justiça absoluta, automática. As circunstâncias de nossas vidas, nossas dores e nossos prazeres, são o resultado de nossas ações passadas nesta e em incontáveis existências anteriores, desde o alvorecer dos tempos. De um ponto de vista relativo, Maya é desprovida de piedade. Obtemos exatamente aquilo a que fazemos jus, nem mais nem menos. Se bradamos contra uma injustiça aparente, é unicamente porque o ato que a fez recair sobre nós está profundamente sepultado no passado, fora do alcance da nossa memória.
    Cel: não devemos esquecer, amigos, q as religiões e mesmo tradições orientais, possuem uma fase popular, de muitos seguidores, muitas e diferentes crenças, mestres e deuses, e experiencias diferentes; é a fase exotérica. Mas, muitas, possuem também sua fase esotérica, não popular, de poucos, de uma só crença, um só “Deus”, uma só experiencia de caráter universal. Deve ser a essa fase exotérica do Vedanta q o autor do texto se refere, pois a fase esotérica não inclui vidas sucessivas, continuidade do eu, necessidade de aprimoramento moral, nem culpas ou débitos de quem quer que seja. Para este nível profundo, q concorda com a ciencia de hoje, a consciencia ou mente é uma só, universal, dividida por todos os seres, mas sempre indivisa, una e única, abrangendo o Todo numa unidade absoluta.

    Este trecho, com efeito, me preocupou, já que a idéia de Karma é colocada como a única responsável pelas vicissitudes da vida atual, o que não é de todo verdadeira.

    Mesmo na Doutrina Espírita, dos inúmeros romances que já li, mesmo os Espíritos chamados "evoluídos", quando reencarnam no planeta por "missão", estão sob o domínio de Maya, e é freqüente os autores espirituais citarem diálogos em que, tais Espíritos são advertidos por outros mais elevados quanto à questão de se "contrair novos débitos na carne", o que significa que - como costuma dizer o próprio Coronel - o mal, no mundo de Maya, é gerado pelas próprias circunstâncias de Maya, ou seja, a saber que a função de Maya é colocar a dualidade frente ao Espírito no afã deste adquirir e aquilatar EXPERIÊNCIAS. Traduzindo isso, se um Espírito é uma manifestação de Deus ou Realidade Absoluta (Brahman) e ele não tem consciência das suas potencialidades, então Maya proporciona a ele o discernimento entre a Ilusão e o Real.

    Eu não queria ter desembocado nessa discussão, pois sei que não há resposta para a pergunta: "por que é necessário ao Espírito ingressar no mundo de Maya se ele já é criado perfeito por Deus?"

    Mas a resposta óbvia em termos relativos é que, como consta de O Livro dos Espíritos, "se não houvesse montanhas, o homem não saberia que se pode subir e descer", numa alusão clara à ignorância do Espírito quanto à sua própria identidade, a saber que ele é Espírito e não um corpo e uma mente.

    Quanto à questão do Karma, acredito que "reencarnamos" submetidos à provas semelhantes e com os mesmos Espíritos com os quais o nosso drama foi encetado, porque a EXPERIÊNCIA também cabe aos outros Espíritos. Assim, não faria sentido eu ter traído uma mulher no passado, e agora na atual reencarnação eu reencarnar com uma outra para ela me trair - a título de dizer que "todos são um" e assim não haveria diferença de reencarnar com outros atores - porque, a experiência é válida para os atores que estiveram reunidos naquele mesmo drama. Acho que é isso.

    Assim, como diz o amigo Coronel, o mal é uma conseqüência da identificação do Ser com Maya, ou seja, o mal é gerado pelas próprias condições colocadas por Maya: todos estão sujeitos às suas ilusões, mas, consistindo o livre-arbítrio no triunfo das provas, a des-identificação com o mundo de Maya, conduz o ser à sua essência.

    Coronel_ escreveu: Texto:
    “Se reconhecermos a nossa fraternidade com os nossos semelhantes; se tentarmos relacionar-nos com eles sinceramente, verdadeiramente, caridosamente; se, política e economicamente, lutarmos por direitos iguais, por justiça igual e pela abolição das barreiras de raça, classe e credo, então estaremos desmentindo a idéia do ego e caminhando para a percepção da Existência universal, não-individual”.
    Cel: essas afirmações são meio ocas; com certeza se referem às conceituações da face exotérica do Vedanta, se é todo este texto concernente a essa tradição oriental. As lutas pela igualdade, solidariedade entre homens e povos, a luta para a consecução do bem-ético, apenas cumpre o objetivo de um relacionamente mais harmonioso entre os seres humanos; cumpre os mandamentos da religiões, em geral, e as recomendações dos sábios para o bem de todos; mas nunca desmentirão a idéia do ego. Isto só acontece por trabalho incessante do permanecer no aqui-agora q, a meditação/atenção/cessação do pensar, pode proporcionar. As recomendações acerca de amor, humildade, solidariedade, ética são consideradas como libertadoras da ignorancia e de seus consequentes sofrimentos, apenas pelas religões populares, pois, em geral, estas só se atêm às regras/leis/madamentos/lições interpretadas como conducentes à salvação. No entanto, o q conduz realmente a esse resultadp é a eliminação do ego, pela meditação. Blavatsky, fundadora, no mundo, da Teosofia: “A mente/ego é a assassina de Deus; mate a assassina!”; Taniguchi, fundador da Seicho-No-Ie: “Quando o ego se cala, Deus se manifesta!”.

    Sim, concordo que elas são "meio ocas". Na verdade elas são típicas das escolas e religiões dualistas. Aqui, para não me estender, gostaria apenas de salientar que todos os ideais de edificação de um mundo melhor pelo ser humano são ilusórios, uma vez que, sendo Maya apenas meio e não fim, não faz sentido dizer que os ideais humanitários e religiosos são verdadeiros no sentido de se construir um mundo melhor, porque a pátria do Espírito é o mundo espiritual, logo, tudo o que é edificado sobre e em Maya, é ilusão.

    Creio que esses ideais de fraternidade e irmandade entre os homens devem ser interpretados como a retirada do véu da dualidade, pois, num mundo em que esta é suprimida, os homens uma vez enxergando o Uno, o Todo, não mais concebem guerras e disputas, não mais concebem a dualidade. Mas isto também não é possível em Maya. No dizer dos Espíritos, tal condição de felicidade demandaria o "Mundo de Regeneração" que é um mundo em que o Espírito já se vê como Espírito mas ainda estaria sob a influência de Maya, pois quem é que conhece todas as modalidades de manifestações de Maya?

    Bom, são essas as colocações que eu queria fazer, e fiz Wink . Talvez elas suscitem novas indagações, no "cito vc" Very Happy Wink

    Abçs,


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    Re: O Problema do Mal

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