Filosofia Oriental e Espiritualismo Prático

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    Poesia Divina

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    ken

    Mensagens : 12
    Data de inscrição : 14/06/2011

    Poesia Divina

    Mensagem  ken em Sex Jun 17, 2011 8:22 am

    [b][i]Bom dia a todos

    Poesia Divina....

    "Quando eu sorrio

    Em mim Tu sorris.

    Quando eu choro

    Em mim está o Teu pranto.

    Quando eu acordo

    É meu Teu bom dia.

    Quando eu ando

    Caminhas comigo.

    Tu sorris e chora

    Despertas e andas

    Tal qual eu:

    Minha imagem és Tu.

    Mas...se eu sonho

    Tu estas acordado.

    Se tropeço, permaneces firme.

    E se morro, Tu és minha vida!"



    Paramahansa Yogananda - Song of the Soul


    Convidad
    Convidado

    Re: Poesia Divina

    Mensagem  Convidad em Sab Ago 20, 2011 2:57 pm

    Ah, Perante

    Ah, perante esta única realidade, que é o mistério,
    Perante esta única realidade terrível — a de haver uma realidade,
    Perante este horrível ser que é haver ser,
    Perante este abismo de existir um abismo,
    Este abismo de a existência de tudo ser um abismo,
    Ser um abismo por simplesmente ser,
    Por poder ser,
    Por haver ser!
    — Perante isto tudo como tudo o que os homens fazem,
    Tudo o que os homens dizem,
    Tudo quanto constroem, desfazem ou se constrói ou desfaz através deles,
    Se empequena!

    Não, não se empequena... se transforma em outra coisa —
    Numa só coisa tremenda e negra e impossível,
    Urna coisa que está para além dos deuses, de Deus, do Destino
    —Aquilo que faz que haja deuses e Deus e Destino,
    Aquilo que faz que haja ser para que possa haver seres,
    Aquilo que subsiste através de todas as formas,
    De todas as vidas, abstratas ou concretas,
    Eternas ou contingentes,
    Verdadeiras ou falsas!
    Aquilo que, quando se abrangeu tudo, ainda ficou fora,
    Porque quando se abrangeu tudo não se abrangeu explicar por que é um tudo,
    Por que há qualquer coisa, por que há qualquer coisa, por que há qualquer coisa!

    Minha inteligência tornou-se um coração cheio de pavor,
    E é com minhas idéias que tremo, com a minha consciência de mim,
    Com a substância essencial do meu ser abstrato
    Que sufoco de incompreensível,
    Que me esmago de ultratranscendente,
    E deste medo, desta angústia, deste perigo do ultra-ser,
    Não se pode fugir, não se pode fugir, não se pode fugir!

    Cárcere do Ser, não há libertação de ti?
    Cárcere de pensar, não há libertação de ti?
    Ah, não, nenhuma — nem morte, nem vida, nem Deus!
    Nós, irmãos gêmeos do Destino em ambos existirmos,
    Nós, irmãos gêmeos dos Deuses todos, de toda a espécie,
    Em sermos o mesmo abismo, em sermos a mesma sombra,
    Sombra sejamos, ou sejamos luz, sempre a mesma noite.
    Ah, se afronto confiado a vida, a incerteza da sorte,
    Sorridente, impensando, a possibilidade quotidiana de todos os males,
    Inconsciente o mistério de todas as coisas e de todos os gestos,
    Por que não afrontarei sorridente, inconsciente, a Morte?
    Ignoro-a? Mas que é que eu não ignoro?
    A pena em que pego, a letra que escrevo, o papel em que escrevo,
    São mistérios menores que a Morte? Como se tudo é o mesmo mistério?
    E eu escrevo, estou escrevendo, por uma necessidade sem nada.
    Ah, afronte eu como um bicho a morte que ele não sabe que existe!
    Tenho eu a inconsciência profunda de todas as coisas naturais,
    Pois, por mais consciência que tenha, tudo é inconsciência,
    Salvo o ter criado tudo, e o ter criado tudo ainda é inconsciência,
    Porque é preciso existir para se criar tudo,
    E existir é ser inconsciente, porque existir é ser possível haver ser,
    E ser possível haver ser é maior que todos os Deuses.

    Álvaro de Campos (F. Pessoa)

      Data/hora atual: Ter Out 17, 2017 3:52 am