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    (17) O QUE JESUS REALMENTE ENSINOU

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    (17) O QUE JESUS REALMENTE ENSINOU

    Mensagem  Convidad em Sab Ago 06, 2011 4:29 pm

    O QUE JESUS REALMENTE ENSINOU

    Infelizmente, os mais importantes ensinamentos de Jesus não são divulgados pelas igrejas cristãs. Nestas, ensina-se sobre a vida desse homem iluminado, mas quase nada sobre aquilo que ele tentou fazer com que os discípulos e o povo compreendessem. Não me refiro àqueles ensinamentos q objetivavam a um mais harmonioso relacionamento entre os seres humanos (regras de bem-conviver), mas àqueles para a conquista da realização espiritual (regras de salvação). Ele ensinou sobre o reino de Deus e como conquistá-lo, enquanto as igrejas cristãs ensinam mais sobre sua vida e sobre o que fazer para q os homens interajam com mais harmonia. No correr dos séculos, interpretações erradas ou seleção indevida dos ensinamentos de Jesus, fizeram com que seus ensinamentos chegassem, aos homens, de maneira deturpada. Tanto isso é verdade que ministros cristãos chegaram a afirmar que “pelo cristianismo de hoje, ninguém chega a Deus”; que “a igreja cristã falhou, por estar fazendo a humanidade ocidental caminhar contra uma muralha, sem conseguir dar um passo na direção do Criador”. E, o que é mais grave: que a igreja se preocupa mais em levar aos fiéis “os fatos da história da vida de Jesus” e suas recomendações para q os homens vivam mais tranqüilos e se esquece de seus ensinamentos mais importantes: aqueles q podem levar ao reino dos céus. Esquecem-se ou desconhecem essa diferença entre essas duas espécies de suas lições?
    As igrejas cristãs ensinam a adorá-lo, a ajoelhar-se a seus pés, a lhe dar glórias e agradecimentos, a fazer-lhe culto e súplicas quando, o que devem fazer, de muito maior importância, é transmitir, aos homens seus ensinamentos.
    Jesus teve o percebimento de que ele era a própria divindade, “eu e o Pai somos um”. Compreendeu, então, e ensinou que o caminho é para dentro, para o interior do próprio ser humano, e mostrou isso ao afirmar, de modo claro, que “o <eu> é o caminho, a verdade e a vida”, “ninguém vai ao Pai senão pelo <eu>”, como igualmente ensinaram outros, entre eles S. Agostinho ao dizer que, depois de muito procurar por Deus, nas coisas do mundo, foi encontrá-lo dentro dele mesmo.
    Do mesmo modo, Teresa de Ávila dizia ser absurdo buscarmos Deus fora de nós, nos céus; que devíamos, antes, procurá-lo dentro de nós mesmos, pois é em nossa alma que o Senhor habita, como Paulo falou: “Vós sois o templo do Altíssimo”, “O Senhor habita em vossos corações”.
    Jesus ensinou a nos fecharmos em nós mesmos (nada de fora a nos perturbar) e, em segredo, isto é, em silêncio total, inclusive mental (em “oculto”), “orarmos” ao Pai que, em “oculto” nos ouve; contudo, essa oração não é aquilo que imaginamos ser. Como ensinou Teresa de Ávila, doutora teologal dos católicos, é a “oração de recolhimento”, na qual se recolhem todos os sentidos, lembranças, expectativas, enfim, todas as operações mentais; se bem realizada, entra-se na “oração de quietude”, na qual há total silêncio mental; o cérebro, a mente, cessam sua ação e o ego/eu/mente individual se afasta. E, quando o “eu não é, Deus é”. O único obstáculo para a aproximação do divino é o ego, com todas suas idiossincrasias (maneira própria de sentir, de compreender; lembranças, expectativas, ilusões, crenças, ignorância, remorsos, emoções, culpas, desejos, medos), que poluem a consciência localizada (individual), não permitindo que se perceba a divindade que em nós habita.
    Jesus disse: “ninguém vai ao Pai senão pelo eu”, e “o Eu é o caminho, a verdade e a vida”, isto é, no “eu” está o caminho, que é, pois, para dentro de nós mesmos; aí está a verdade e a vida. Ele falou também: “não direis que o reino está ali ou acolá, pois o reino de Deus já está dentro de vós”, como tb disse Paulo: “não sabeis que sois o templo do Altíssimo e que o Senhor habita em vossos corações?”.
    As igrejas esqueceram esses ensinamentos e se ativeram à história da vida de Jesus, não transmitindo as coisas profundas que ele tentava ensinar. No cristianismo primitivo, o cristianismo dos primeiros séculos, o objetivo primordial da religião era “re-ligar” a criatura ao Criador, isto é, levar o ser humano à união pessoal com Deus, através daquelas orações, que a “santa” Teresa de Ávila, ensinou, mas que, por uma extensa gama de fatores, a igreja, esqueceu de ensinar, entre outras coisas importantes.
    Na “oração de recolhimento”, devemos ‘recolher’ todas as nossas faculdades, como lembranças, expectativas, imaginações, desejos e emoções, e os sentidos, pois tudo isso é apenas obstáculo à oração. Se a oração de recolhimento for bem feita, resultará na “oração de quietude”, isto é, na quietude total da mente e do cérebro, que, então, sem nada que os perturbe ou ‘polua’, ficam em total silêncio. Ocorre, daí, na mente, um total vazio, com a possibilidade de vir a ser preenchido por aquilo a que damos o nome de Deus. Como disse Ken Wilber, “o vazio que você vê quando olha atento para dentro de você, para o nascedouro dos pensamentos pode, num relâmpago, mostrar a Realidade” e, como João da Cruz ensinou: ‘Na escuridão, a luz’.
    A oração de quietude nada mais é que a “meditação” dos tempos antigos e atuais; exige a preparação, que consiste no recolhimento, ou cessação, sem esforço, de qualquer movimento mental. Cessando o movimento mental, sobrevirá a quietude do cérebro, cessa a interferência do ‘eu’ e, como afirmou o profeta dos Salmos, “Aquieta-te e sabe: eu sou Deus!”, isto é, quando o ego é afastado de nossa percepção, o que percebemos é o próprio Deus. “Quando o eu não é, Deus é”. O obstáculo que nos impede a percepção do divino é, portanto, nosso próprio ego, nossa mente localizada, com todo o seu conteúdo condicionado.
    Para conseguir esse estado de silêncio, é necessário que o pensamento, e tudo o mais que passa pela mente, cessem, e a atenção é fator decisivo para esse fim. A primeira lição, de Teresa de Ávila, sempre repetida às noviças, era “atenção! atenção! atenção!”, ao momento presente, sem lembranças, ressentimentos ou remorsos acerca do passado, e sem devaneios, sonhos ou expectativas, desejos e imaginações acerca do futuro. Daí ter Jesus ensinado que “a cada dia basta seu cuidado” e que não nos preocupássemos com muitas coisas, já que “os lírios do campo e as aves do céu nem fiam nem plantam”, mas têm o abrigo e o alimento necessários, supridos que são pelo eterno e único supridor.
    Um dos principais ensinamentos do iluminado, tanto que muitas vezes exorta-nos sobre isso, foi sobre a importância da atenção. Nesse sentido, a parábola das virgens insensatas; a do servo fiel, que aguardava a volta do patrão, e outras mais. Jesus enfatizou, sobremaneira, a realização do reino de Deus (“buscai <em primeiro lugar> o reino de Deus”) afirmando que ele já está dentro de nós (“não direis: ‘ei-lo aqui’, nem ‘ei-lo acolá’ porque o reino de Deus está dentro de vós”); que a percepção dessa realidade é a coisa mais importante que o ser humano tem a fazer (“o demais vos virá por acréscimo”), tanto que devemos, até mesmo, abandonar tudo o mais para ter esse percebimento. Assim, as parábolas do comprador de pérolas e a do homem que encontrou um tesouro no campo e se desfez de tudo q tinha para comprar aquele campo...
    Fez ver que esse tesouro é mais importante que tudo o mais, a nada se comparando, em particular quando aconselhou a “busca-lo em primeiro lugar”, porque, encontrado o reino, a iluminação, “tudo o mais virá por acréscimo”. Assim tb disse, àquela q desejava acompanhar o pai ate seus últimos dias: “Deixa q os mortos enterrem seus mortos”, como tb, em relação aos atrativos do mundo e à opinião dos demais: “Que te importa a ti? Segue-me tu!”
    Disse, também, quando, pregando na sinagoga, lhe falaram que sua mãe e irmãos o procuravam: “Quem são minha mãe e meus irmãos? Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem as minhas palavras e as cumprem”, isto é, aqueles que buscam Deus pelos caminhos q ele já havia trilhado; esses seguiram seu conselho, são de sua mesma natureza, perceberam o que ele percebeu, realizaram o reino em si mesmos e, desse modo, compreenderam e podem também ensinar aquilo que ele ensinou (são da mesma família).
    Também, em afirmações aparentemente absurdas, disse que, para essa busca, se preciso for, devemos “abandonar pai e mãe” e que ele “não veio trazer a paz, mas a espada”, numa indicação de que aquele que deseja encontrar o ‘reino’ deve se violentar nos costumes e apegos, e não fazer o que o homem comum faz, porque, como Paulo ensinou, “a sabedoria de Deus é loucura para os homens, e a sabedoria dos homens é estupidez para Deus”.
    Jesus ensinou, também, que o homem e Deus são um só ser, uma só mente, quando afirmou que “eu e o Pai somos um”, como também Paulo dizendo que somos “co-herdeiros” do reino e que somos iguais a Jesus, pois “se nós não ressuscitarmos, nem Jesus ressuscitou”. Paulo: “Já não sou mais eu quem vive; é o Cristo q vive em mim”.
    Jesus era um iluminado, isto é, um homem que percebeu que ele e o Pai são um só. Como todos os iluminados, Jesus não se calou e se dedicou a ensinar ao povo como chegar, também, a essa realização. Muitos não compreenderam suas parábolas e seu sermão, pois ele falava do ponto de vista daquele que se realizou. Assim, a estranheza despertada por sua recomendação de se oferecer a outra face, de dar também a capa, de orar pelos que nos fazem o mal, de perdoar setenta vezes sete vezes os que nos ofendem. Nada disso é estranho para um iluminado; ele já compreende e ama sem condições pois, pela iluminação, teve despertados o amor incondicional, a compaixão, um amor quase insuportável pelo mundo, conforme depoimentos de outros.
    Também, exortou a todos que estão abrindo os olhos e ouvidos, que não escondam a luz sob o alqueire, mas a coloquem sobre o velador, para que ilumine a todos, isto é, ensinem aquilo q já conhecem de bom, a fim de que, todos os que ainda estão na escuridão da ignorância da verdade, tenham a mesma percepção que ele teve. Dela advém a compaixão, e pela compaixão, ante os sofrimentos e conflitos sem fim do ser humano, muitos enfrentaram a morte por não se calarem, tentando levar aos demais a bem-aventurança que a experiência lhes trouxe, assim como ensinar-lhes o caminho para realizá-la.
    Essa experiência, que coloca o homem em seu lugar no universo, mostrando-lhe que “eu e o Pai somos um”, é a experiência que, no dizer de Jung, representa o “sumum bonum” para quem a teve, nada mais lhe sendo necessário, pois “o demais lhe veio por acréscimo”. Como o Buda afirmou, “a iluminação é o fim de todo sofrimento” e Jesus: “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”.
    Em diferentes épocas e lugares, os homens que “perceberam” afirmaram que a vida só tem significado quando se chega ao verdadeiro auto-conhecimento (Conhecei-vos a vós mesmos e sereis deuses), isto é, ao conhecimento de nossa verdadeira identidade com o Todo. Por isso, a afirmação dos iluminados de que, enquanto estamos na escuridão, isto é, na ignorância do que somos, por não termos chegado ainda ‘lá’, não passamos de seres incompletos, e que a vida só tem significado quando temos a experiência de Deus (Teresa de Ávila: “tudo o mais é lixo”, se comparado com essa realização; Maharresh Maharish Yoge: “sem essa realização somos meramente subumanos”; Krishnamurti: “a vida só tem significado qdo chegamos ‘lá’’).
    O sermão da montanha e muitas palavras de Jesus, como os mandamento de Moisés são, apenas “regras de bem-conviver”. As “regras de salvação” estão em apenas poucas lições, felizmente preservadas nas escrituras mesmo apesar de ser modificada, à conveniência de poderosos, por séculos; estas “regras de salvação” foram ditas com a compreensão que aqueles q “perceberam” conquistaram, isto é, do ponto de vista de quem se iluminou; assim, muitas de suas recomendações são interpretadas de modo equivocado e, por isso, consideradas absurdas.
    Por motivo de crença, as religiões populares exortam os seus fiéis a obedecerem ou a tentarem obedecer aos preceitos tidos como “a palavra de Deus”. Naturalmente, aquele que segue tais ensinamentos se sente seguro e feliz, pois, se tem fé, está convencido de que, após a morte física, será recompensado, pois é essa a promessa das doutrinas.
    Essas religiões apregoam a necessidade de adorar e louvar o Deus único; de obedecer, sem questionamento, as regras impostas aos fiéis como se fossem, no dizer dos pregadores, a palavra do Senhor. Afirmam mesmo que, se alguém não crê ou não aceita a Jesus como o seu Salvador, estará perdido para sempre, sem possibilidade de remissão (como o chefe da igreja de Roma que afirmou, recentemente, que somente dentro de sua igreja está a salvação). Esquecem-se, é evidente, de que na sua própria escritura sagrada está a epístola do porta-voz do cristianismo, Paulo, que além de recomendar “estudai de tudo e guardai o que for bom”, reza que somos iguais a Jesus, como as tradições místicas do Oriente, que afirmam que já estamos desde sempre salvos, pois, é Deus que “opera em nós o pensar e o fazer”; assim, não há, evidentemente, do que nos salvarmos. Paulo, também, afirmou o mesmo ao ensinar que “não somos salvos por nossas obras, para que não nos vangloriemos, mas pela graça de Deus”.
    Analisem...
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      Data/hora atual: Qui Out 30, 2014 12:37 pm