Filosofia Oriental e Espiritualismo Prático

Últimos assuntos

Navegação

Parceiros

Fórum grátis

    MONISMO E DUALISMO

    Compartilhe

    Convidad
    Convidado

    MONISMO E DUALISMO

    Mensagem  Convidad em Sex Set 02, 2011 1:35 am

    Todas as religiões e crenças são dualistas, isto é, suas doutrinas asseguram e ensinam q nós, todos os seres, o universo, enfim, a biodiversidade, a criação, foi apenas criada por Deus, mas com Deus não se confunde, pois seriam coisas completamente distintas e separadas.

    Enquanto isso, no Novo Testamento, o apóstolo dos gentios claramente declara q a Divindade está em tudo e, de tudo, dentro e fora, entendimento q se identifica perfeitamente com o do misticismo milenar e da ciência de hoje. Esta afirmação merece nossa reflexão: Qual o significado da expressão "dentro de tudo"? O que significa Deus estar dentro de tudo? E qual a abrangência desse “tudo”? Significa que Deus está “somente” no coração, no pensamento, ou na mente? Coração, pensamento, mente podem ser considerados como sendo o “tudo”? Será que o apóstolo desejava afirmar q o “tudo” somente envolve ou diz respeito às coisas belas e agradáveis, limpas, puras, que trazem felicidade e que inspiram e suscitam esperanças de um futuro de recompensas pelo bem que fizemos? Ou desejava afirmar q o “tudo” se refere a todas as coisas sem exceção de nenhuma, à criação toda?

    Para os dualistas, nós estamos aqui e o Criador está "lá", distante, muitas vezes num céu hipotético e, quase sempre (ou sempre?), fora do alcance de nossa compreensão. Para chegarmos à sua perfeição inexiste qualquer possibilidade pois, por mais que nos aperfeiçoemos pelo esforço próprio, através de inúmeras vidas sucessivas, que se alongam indefinidadente ou por milhões de anos, nunca (o que significa, pela eternidade afora) o conseguiremos.

    Para os dualistas, Deus, a alma universal, perfeição absoluta, não se confunde com a alma individual, cheia de imperfeições, muitas delas extremamente monstruosas. Consequentemente, para as crenças dualistas, há a necessidade de eliminação das imperfeições, o que implica a exigência e necessidade de reencarnações sucessivas, destinadas ao aprimoramento do espírito. Para os dualistas, todos os atos por nós considerados errados ou maus, devem ser corrigidos, resgatados, e seus responsáveis estão sujeitos a leis punitivas que os alcançam numa ou noutra vida e que implicam sofrimentos torturantes e insuportáveis. Explica-se essa necessidade pela “lei de causa e efeito”, não a da física, é evidente, pois esta se aplica, tão somente, a objetos inertes e destituídos de faculdades intelectuais, mas a ela se assemelha pela interpretação que é feita das palavras do mestre nazareno: “A cada um, segundo suas obras”, a, por muitos conhecida, lei da colheita obrigatória: “o que semeias, colherás”. No entanto, o apóstolo também assegura: “Não sois salvos por vossas obras, mas pela graça de Deus”.

    Para os monistas (em geral, erradamente considerados, por muitos, como pertencentes a esta ou àquela religião), a alma universal e alma individual se confundem; são uma só e a mesma coisa, como afirmado, por milênios, pelos místicos, e como o Mestre também afirmou, ao dizer: “Eu e o Pai somos um”. Portanto, sendo o “eu” e Deus uma só e a mesma coisa, o espírito já é perfeito e nenhuma necessidade ou finalidade existe na reencarnação, nem na busca de aperfeiçoamento espiritual, e inexistem lei de causa e efeito, leis punitivas, penalidades expiatórias e, consequentemente, mundos de provas e expiações, ou destinados a aprendizado e purificação do espírito, pois este é perfeito, como Deus é perfeito. Para os monistas, portanto, não há nem culpas nem culpados, pois “nossos” pensamentos, desejos e obras não são “nossos” (“É o Senhor q opera em nós o pensar, o desejar e o fazer”, ou: “... como se tivésseis algum pensamento como de vós mesmos, pois todos eles vêm de Deus”.
    Espírito individual e espírito universal são um, uma só coisa; não há dois.

    Enquanto, por séculos, ciência e religião tradicionais adversárias, não se entendiam, pois a ciência não possuía métodos de como avaliar as premissas religiosas, hoje a situação, nesse aspecto, está completamente modificada e, em face de descobertas científicas, por muitos, de início, consideradas absurdas, pela primeira vez na história do mundo, “religião” e ciência podem se dar as mãos, pois têm, hoje, idêntica visão de mundo.

    Contudo, aqui, com o termo “religião” não me refiro às religiões populares, dualistas, organizadas com base em escrituras ou livros sagrados, mas às tradicionais “escolas” de meditação, ou à fase esotérica, q muitas religiões possuem, q buscam levar o homem para além do ego, na direção de Deus.

    Para poucos, é verdade, o correto é o monismo, pois se apoiam nas descobertas da ciência mais avançada do planeta e a conseqüente filosofia e da física quântica, que claramente levam na direção única do monismo.

    Do mesmo modo, os depoimentos de sábios e místicos e “santos” do misticismo cristão asseguram: “há uma só mente e nós somos essa mente”. Assim, afirma Jung: “Seguramente, a alma não é algo insignificante, como as religiões ocidentais a consideram; ela é a própria Divindade radiante”.

    Meister Eckhart, místico cristão, condenado pela Igreja à morte pelo fogo por afirmar que nós somos o próprio Deus, a própria divindade, afirmou: “A essência de Deus e a essência da alma são uma só e a mesma coisa. O conhecedor e o conhecido são um só. Os ingênuos imaginam poder ver Deus como se Ele estivesse ‘lá’ e nós ‘aqui’. Não é assim. Deus e nós somos um”.

    Teilhard de Chardin, místico, cientista e padre católico, condenado, pelo Vaticano, ao silêncio até o dia de sua morte, por dizer coisas como estas: “Para que os homens de toda a Terra aprendam a se amar uns aos outros, não basta que saibam que pertencem a uma mesma coisa; devem adquirir a consciência, não de que pertencem, mas de que todos somos tão somente uma e a mesma coisa, um só ser. Assim, devemos abrir os olhos para a natureza imortal e onipresente e para a Mente Una que somos, para a realidade de que tudo e todos somos apenas Um”.

    Paulo: “Já não sou mais eu que vivo; é o Cristo que vive em mim”.

    Jesus, o sábio iluminado: “Eu e o Pai somos um”.


    “Tu és Ele”, eis a verdade eterna. ‘Tu és Isto’, ‘Eu sou Aquilo’, ‘Eu sou Ele’, ‘Não conheço nenhum Deus senão meu próprio Eu’, ‘Conhece-te a ti mesmo e serás Deus’, eis as verdades que todos os antigos mistérios ensinavam e que, as religiões q vieram depois, se esqueceram de ensinar. Assim, também, ‘Eu e o Pai somos Um’.
    ........................................



    rbya

    Mensagens: 3
    Data de inscrição: 04/09/2011

    Re: MONISMO E DUALISMO

    Mensagem  rbya em Dom Set 04, 2011 5:00 am

    Like a Star @ heaven Perfeito Coronel!!! comecei com o pé direito por aqui, já q escolhi um post tão sensato como minha primeira leitura!

    Parabéns !!! sunny

    Alex

    Mensagens: 21
    Data de inscrição: 12/06/2011

    Doutrina Dualista X Doutrina Monista da Vedanta

    Mensagem  Alex em Dom Set 04, 2011 7:21 pm

    Olá a todos,

    A título de contribuição, vou colocar aqui um texto que o Monstrinho postou em outro lugar (http://mascarasdedeus.forumeiros.com/t164-o-conceito-de-salvacao-em-pietro-ubaldi-fundamentalismo-cristao-e-doutrina-dos-espiritos) em que, Swami Vivekananda discorre sobre os problemas do dualismo e expõe a doutrina monista da Vedanta.

    "A primeira escola de que vos falarei é chamada escola dualística. Os dualistas acreditam que Deus, Criador e Governador do universo, está eternamente separado da natureza, eternamente separado da alma humana. Deus é eterno, a natureza é eterna, e eternas são todas as almas. A natureza e as almas manifestam-se e mudam, mas Deus permanece o mesmo. Segundo os dualistas, Deus é pessoal, pelo fato de ter qualidades, não por ter um corpo. Tem atributos humanos. É misericordioso, justo, poderoso, onipotente; podemo-nos nos aproximar d'Ele, orar para Ele, amá-Lo. Ele retribui o amor, e assim por diante. Numa palavra, é um Deus humano, apenas infinitamente maior do que o homem, sem qualquer dos defeitos que o homem tem. Não pode criar sem materiais, e a natureza é o material do qual Ele se serve para criar todo o universo.

    A vasta massa do povo da índia é dualista. Todas as religiões da Europa e da Ásia Ocidental são dualistas: têm de ser dualistas. O homem comum não pode pensar em coisa alguma que não seja concreta. Gosta, naturalmente, de agarrar-se ao que o seu intelecto apreende. Essa é a religião das massas, em todo o mundo. Acreditam num Deus inteiramente separado delas, um grande rei, um poderoso monarca, por assim dizer. Ao mesmo tempo, fazem-no mais puro do que os monarcas de Terra; dão-lhe todas as boas qualidades e removem dele todos os defeitos, como se fosse possível o bem existir sem o mal, ou qualquer concepção de luz sem a concepção das trevas!

    Eis a primeira dificuldade no que se refere às teorias dualísticas: como é possível que sob a direção de um Deus justo e misericordioso haja tantos males no mundo? Essa pergunta se ergue em todas as religiões dualísticas, mas os hindus jamais inventaram Satã para dar uma resposta a tal indagação. Os hindus concordam em lançar a culpa sobre o homem, e é fácil para eles fazer isso. Por quê? Porque não acreditam que as almas tivessem sido criadas do nada.

    [...]

    Outra doutrina dos dualistas diz que todas as almas devem, finalmente, alcançar a salvação. Nenhuma delas ficará do lado de fora. Através de várias vicissitudes, através de vários sofrimentos e prazeres, cada uma delas sairá, por fim. Sairá de quê? A idéia comum é a de que todas as almas têm de sair deste universo. Nem o universo que vemos e sentimos, nem mesmo um universo imaginário, podem ser o certo, o verdadeiro, porque ambos estão mesclados com o bem e o mal. Segundo os dualistas, há, para além deste universo, um lugar cheio de felicidade e de bem, apenas, e quando esse lugar for alcançado, não haverá mais necessidade de nascer e renascer, de viver e morrer, e essa idéia lhes é muito cara. Ali não há mais doenças, não há morte. Existirá uma felicidade eterna, e eles estarão na presença de Deus todo o tempo, e gozarão essa presença para sempre. Acreditam que todos os seres, do verme mais baixo até os mais altos anjos e deuses, atingirão, mais cedo ou mais tarde, o mundo onde não mais haverá sofrimento. Mas nosso mundo jamais terminará. Continuará a existir infinitamente, embora movendo-se em ondas. Embora movendo-se em ciclos, jamais terminará. O número de almas que devem ser salvas, que devem ser aperfeiçoadas, é infinito.

    A verdadeira filosofia Vedanta começa com os que são conhecidos como não-dualistas qualificados. Declaram eles que o efeito jamais difere da causa; que o efeito é a causa reproduzida sob outra forma. Se o universo é o efeito e Deus é a causa, o universo deve ser o próprio Deus; não pode ser senão isso. Começam eles com a afirmativa de que Deus é, ao mesmo tempo, a causa eficiente do universo e seu Criador, e, ainda, o material do qual se projetou toda a natureza. A palavra "criação" de vossa língua, não tem equivalente em sânscrito, porque não há seita, na índia, que acredite na criação, tal como ela é vista no Ocidente, isto é, algo que veio do nada. O que entendemos por criação é a projeção do que já existia.

    Bem: o universo inteiro, de acordo com esta seita, é o próprio Deus. Ele é o material do universo. Lemos nos Vedas :
    "Assim como a aranha tece a linha tirada de seu próprio corpo, todo o universo, da mesma maneira, vem daquele Ser". Se o efeito é a causa reproduzida, a questão é a seguinte: como podemos achar que este universo ininteligente, bronco, material, foi produzido por um Deus que não é material, mas é inteligência eterna? Como, se a causa é pura e perfeita, o efeito pode ser tão diferente?

    Que dizem esses não-dualistas qualificados? A teoria deles é muito peculiar. Dizem que os três - Deus, natureza e a alma - são um. Deus é, por assim dizer, a alma, e a natureza, e as almas são o corpo de Deus. Tal como eu tenho um corpo e uma alma, todo o universo e todas as almas são o corpo de Deus, e Deus é a Alma das almas. Assim, Deus é a causa material do universo. O corpo pode ser modificado - pode ser jovem ou velho, forte ou fraco - mas isso em nada afeta a alma. É a mesma existência eterna, manifestando-se através do corpo. Corpos vêm e vão, mas a alma não muda. Mesmo assim o universo inteiro é o corpo de Deus, e nesse sentido é Deus. Mas a mudança do universo não afeta Deus. Desse material Ele cria o universo, e ao fim de um ciclo Seu corpo se torna mais fino, contrai-se, e no início de outro ciclo torna-se novamente expandido, e dele emanam todos esses mundos diferentes.

    Ora, tanto os dualistas como os não-dualistas qualificados, admitem que a alma é, por sua natureza, pura, mas, através de suas próprias ações, torna-se impura. Os não-dualistas qualificados expressam isso de uma forma mais bela do que os dualistas, dizendo que a pureza e a perfeição da alma se contraem e de novo se manifestam, e que o que estamos tentando fazer agora é a remanifestação da inteligência, da pureza e do poder que são naturais à alma. Cada má ação contrai a natureza da alma, e toda a boa ação a expande. E essas almas são, todas, parte de Deus. "Assim como do fogo violento voam milhares de faíscas da mesma. natureza, desse Ser infinito, de Deus, essas almas vieram."

    Todas têm o mesmo objetivo. O Deus dos não-dualistas; qualificados é também um Deus pessoal, só que interpenetra tudo no universo. É imanente em tudo e está em toda a parte, e quando as Escrituras dizem que Deus é tudo querem dizer que Deus interpenetra tudo, não que Deus se tornou uma parede ou que Deus está na parede. Não há uma partícula, não há um átomo do universo onde Ele não esteja. As almas são limitadas, não têm onipresença. Quando conseguem a expansão de seus poderes e tornam-se perfeitas, não há mais nascimento nem morte para elas, mas vivem em Deus para sempre."

    IN: Quatro Yogas de Auto-realização, Swami Vivekananda

    Até mais.

    Alex


      Data/hora atual: Seg Set 22, 2014 5:10 am