Filosofia Oriental e Espiritualismo Prático

Últimos assuntos

Navegação

Parceiros

Fórum grátis

    SE VOCÊ MEDITAR..........Continuação e fim.........

    Compartilhe

    coronel

    Mensagens : 4
    Data de inscrição : 28/11/2012

    SE VOCÊ MEDITAR..........Continuação e fim.........

    Mensagem  coronel em Sab Jan 05, 2013 8:15 pm

    SE VOCE MEDITAR Fim........

    ... igrejas, como comparecer ao culto do domingo, realizar certos atos prescritos pela crença, dar glórias a Deus e ajudar financeiramente sua igreja, dar o dízimo como manda a lei, tudo irá bem.
    Mas, quando chega o sofrimento que, mais dia menos dia, chega para todos, vão perceber que a religião quase nunca traz o consolo esperado.

    - Incerteza e impermanência. A única certeza.
    Enfim, todos nós estamos cheios de dúvidas, mergulhados na escuridão, nas incertezas do dia de amanhã, numa total ignorância sobre todas as coisas. Como os grandes místicos falaram e como hoje assegura nossa ciência mais avançada, tudo é incerto e tudo é impermanente. Tudo está se transformando sem cessar. Foi exatamente sobre essa incerteza e impermanência de todas as coisas, que o Buda fundou sua filosofia.
    O fato, apontado pelos iluminados e pela moderna ciência, é este: o universo e a vida estão em incessante movimento, num eterno fluir, em constante transformação; transformação que pode trazer coisas que consideramos agradáveis ou coisas que consideramos desagradáveis, dor ou prazer, felicidade ou infelicidade. E, como tudo é impermanente e incerto, tanto uma coisa como a outra pode cessar e, de novo, recomeçar.
    Assim, a única certeza que nós podemos ter é que não temos certeza de nada.

    - A solução. Compreensão perfeita.
    Por isso, a única saída desta babel de incertezas, ignorância e sofrimentos é a solução dos místicos: é buscar a percepção que eles buscaram, conhecer a verdade que eles conheceram, a “verdade que liberta”, como disse Jesus. É o “conhece-te a ti mesmo”, o “auto-conhecimento”, dos antigos filósofos gregos.
    E essa busca é possível pela meditação.
    Mas, quando falamos de místicos, estamos falando de místicos de todas as denominações porque qualquer e toda denominação cessam ao se conhecer a verdade. Todas as “religiões” do Ocidente e do Oriente, cristianismo, judaísmo, budismo, bramanismo, todos os numerosos “ismos”, isto é, quer sejam religiões populares ou tradições sérias buscadoras da “re-ligação” com a divindade, perdem as características que as tornam diferentes umas das outras, e “se fundem numa única compreensão perfeita e universal” quando se tem o conhecimento da verdade; isto é, quando se tem a extraordinária percepção de que “eu e o Pai somos um”.

    - Concordância universal.
    Por essa razão, os grandes estudiosos como, por exemplo, Einstein e Jung, chamaram a experiência de Deus de “experiência de concordância universal”’. Em qualquer época da história e em qualquer lugar onde tenha ocorrido, a experiência é semelhante ou igual para todos os homens que a tiveram. Qualquer diferença vem das diferenças de culturas e de interpretações.

    - Grandes homens falam da experiência.
    Essa experiência é tão extraordinária que foi exaltada por todos os que por ela passaram como a mais sublime que o ser humano pode ter. Jung, o psiquiatra, usou palavras semelhantes, e Jesus a considerou a pérola, o tesouro que quem encontra “vende tudo o que tem”, isto é, desiste de tudo o mais, e “compra aquele campo”. Jesus chegou até a afirmar que, “quem não abandona pai e mãe para segui-lo”, isto é, para buscar essa experiência, “não é digno dela”, com essas palavras fazendo ver que esse tesouro é muito mais importante do que qualquer outra coisa, do que qualquer outro bem, conquista ou posse.
    Outros, como Teresa de Ávila, afirmaram que “comparado com essa experiência tudo mais é lixo”; Krishnamurti disseu que “tudo o mais é fútil e infantil”; e um poema Zen assegura que, “se você já esteve lá”, isto é, se você já teve a experiência, “como lhe parecem sem importância todas as outras coisas”.
    Maharish Maharesh Yogi, que trouxe para o Ocidente a Meditação Transcendental, afirma que, enquanto não temos essa experiência, somos, ainda, meramente subumanos, e Krishnamurti diz que a vida só tem significado quando chegamos “lá”. Por isso, com razão, Jesus aconselhou que devemos “em primeiro lugar” buscar Deus; disse que, conhecida a verdade, de nada mais necessitamos. Vamos perceber, então, que a morte não existe e que não há necessidade de salvação, pois que desde sempre estamos salvos porque “eu e o Pai somos um”.

    - Jesus, Buda e a iluminação.
    Não compreendemos ainda, (dizem que somente os iluminados compreendem), mas tudo está certo; o que move o universo é o amor, e a felicidade é certa para todos. Assim, Jesus afirmou que essa experiência é a “libertação”; o Buda disse que “é o fim de todo o sofrimento”, e outros sábios asseguram que “é a bem-aventurança total”. Todos os problemas, conflitos e sofrimentos cessam. O indivíduo percebe que tudo está perfeito e sente profunda compaixão pela situação do ser humano que sofre porque ainda não percebeu... (de um cântico do bramanismo: “... do perfeito tirando o perfeito, o que resta é perfeito...”).
    Portanto, a única saída da escuridão em que estamos, é “aquietar o eu, esquecer o eu”, penetrar numa condição além do eu. E é isso o que a meditação pode fazer. Ela nos leva para além de nosso nível comum de consciência, além das limitações de nossa mente, e faz com que penetremos em níveis mais elevados de compreensão.
    E, quando falamos de meditação, estamos falando de quê? Meditar não é pensar ou refletir sobre um tema elevado, no amor ao próximo, nos exemplos que Jesus deixou, na paz mundial, imaginar ou visualizar isto ou aquilo; nada disso. Estamos falando de aquietar o eu, silenciar o eu. Isso é trabalhoso e leva tempo, sobretudo para nós, ocidentais, pois estamos viciados, condicionados a tagarelar o tempo todo. Nosso cérebro não é capaz de ficar quieto; estamos sempre falando, ouvindo, raciocinando; ficamos imaginando o dia de amanhã, lembrando o dia de ontem (nunca estamos no presente, no aqui-agora); julgamos, avaliamos, classificamos, comparamos, dando nomes a tudo que vemos, tudo isso sem cessar nem quando estamos dormindo.
    Não gostamos do silêncio. Assistir, na TV, a um filme com legenda e tire o som; veja como os outros vão reclamar, mesmo que não precisem do som!
    Agora, imaginem fazer silêncio mental! A dificuldade será enorme. Mas, para a percepção do sagrado é necessário esse silêncio: “Aquieta-te...”
    Foi isso que Krishnamurti disse ao físico Capra: “temos de fazer cessar o pensamento e o raciocínio”. Isso é aquietar-se.

    - Atenção aos pensamentos; à respiração; a nada.
    Porém, depois de tentativas e tentativas, podemos ter certos instantes de silêncio. Uma técnica ensinada pelo Zen Budismo é ficar atento ao fluir dos próprios pensamentos. É como se disséssemos aos pensamentos: “Podem falar, que eu estou escutando!” Depois, fiquemos totalmente atentos para o pensamento que vai “falar”, atentos para o pensamento que vai nascer naquele instante. Se estivermos atentos, totalmente atentos, veremos que nenhum pensamento nasce! Quando estamos totalmente atentos não há pensamentos; e quando não há pensamentos, também não há o “eu”, o ego deixa de existir; as operações do ego cessam e pode surgir um vazio, um nada; não há nenhuma percepção... E se perseverarmos nesse vazio, de repente, não se sabe quando, nem onde, a coisa pode explodir; a luz pode chegar e, num relâmpago, mostrar a Verdade... E, então, cessam todos os sofrimentos e toda ignorância!...
    Outra técnica: total atenção à respiração normal, sem qualquer esforço; se ficar imaginando o ar entrando e saindo; apenas sentir a entrada e a saída do ar pelas narinas. A imaginação é ação do “ego” e exercitar a imaginação é exercitar o “ego” tornando-o mais forte, quando o que temos de fazer é aquietar o ego. Somente deixando o “ego” para trás, isto é, indo além do ego é que podemos encontrar nosso caminho. Tentem!
    Outra técnica é deixar tudo isso de lado; livrar a mente de qualquer esforço, pois como já disse, qualquer esforço reforça o ego; nada de atenção ao pensamento que vai nascer, ou de atenção à respiração ou a um mantra. Apenas sentar-se (do Zen: “o mais importante é sentar-se”) e permanecer sentado, em completa passividade, sentado sem atenção para nada, sempre sem qualquer esforço, sem qualquer expectativa ou esperança. Sentar-se e deixar que venham os pensamentos, mas não lhes dar qualquer atenção. Deixar que venham e que passem por nós simplesmente, como se fossem nuvens flutuando pelo céu. Apenas isso; não se prender a nenhum; que eles venham, passem e que vão embora.
    Há uma outra técnica; esta ainda exige a presença do ego: colocar a atenção ou, preferentemente, os olhos na direção da ponta do nariz ou no umbigo ou uns palmos à frente dos pés. Esse movimento dos olhos, para baixo, teria a faculdade de levar a um relaxamento maior do corpo.

    - A atenção.
    É necessário que, em todos os momentos da vida diária, estejamos atentos a tudo: ao que vemos, ouvimos, sentimos; a todos os eventos interiores ou exteriores, a todas as coisas que nos produzem sensações de qualquer espécie; essa atenção produz benefícios à mente, trazendo-lhe sensibilidade, acuidade e perspicácia que lhe possibilitam penetração mais profunda nas tentativas de meditação e, sobretudo, porque pode vir a possibilitar nosso comando sobre a mente. Este comando, nunca o temos, pois é a mente/ego que nos comanda e não nós a ela. E, o mais importante, a atenção pode vir a matar o ego.
    Temos de usar a atenção. Por isso, Jesus nos deixou tantas parábolas sobre estarmos atentos. Assim, a parábola do servo fiel que aguardava (atento) a chegada do patrão (a iluminação); a parábola das virgens insensatas que, desatentas, se esqueceram de colocar azeite em suas lâmpadas e, assim, não perceberam a chegada do noivo (a iluminação); a parábola do ladrão; temos de estar atentos, pois o ladrão (a iluminação) pode chegar quando menos esperamos e, se não estivermos atentos, não vamos percebê-lo. E, conforme mostraram pesquisas sérias, no cristianismo primitivo, a maior virtude era a atenção, e o maior pecado era a desatenção. A desatenção distrai e perturba a meditação.
    Se estamos distraídos por qualquer coisa: pensamento, lembrança imaginação ou sensação (um compromisso, dívida que vence, providência importante a tomar, dor, medo, desejos, remorsos ou preocupações sobre dinheiro, saúde, gula, avareza, preguiça, sexo, ódio, vaidade, orgulho, aquelas coisas às quais as religiões dão o nome de pecados capitais e outros), não vamos conseguir meditar; não haverá silêncio mental, nem tranqüilidade; não podemos aquietar a mente.
    Aquilo a que chamamos “Deus” está em toda parte, está aqui, está dentro e fora de nós, neste exato momento, em todos os momentos (como dizem as escrituras cristãs: “O Senhor está acima e abaixo, à esquerda e à direita, à frente e atrás” e dentro de nós, pois, como falou Paulo, “vós sois o templo do Altíssimo”, e ainda “o Senhor habita em vossos corações”. E se nossa mente estiver aquietada, estiver em silêncio, isto é, vazia do ego, a ausência dos “ruídos” produzidos pelo “ego” pode permitir a percepção dessa Realidade.
    Temos que tentar e tentar de novo! Jesus: “... pois, para aquele que bate, a porta se abrirá...” (bata, teime, tente...).

    - Se 1% medita...
    Como sábios afirmam e, hoje, muitos cientistas, o mundo será melhor à medida que mais e mais pessoas meditam. Há estudos das mais importantes universidades do mundo, mostrando que, se 1% de uma coletividade medita, diminuem, nessa coletividade, crimes, violência, acidentes, conflitos, internações em hospitais, uso de drogas, perturbações da natureza, alcoolismo, suicídios etc.
    E, como afirmou Schroedinger, um dos pais da nova física, estaremos sempre voltando e voltando. E se mais meditam, encontraremos o mundo melhor em nossas voltas. E ninguém vai querer, na sua volta, encontrar o mundo nas mesmas condições de escuridão e sofrimento em que hoje está.

    - A única solução.
    Então, amigos, a única solução é a meditação. Sentar-se em posição confortável, na qual nada esteja perturbando, e esquecer o “eu”, esquecer tudo, que estamos meditando; esquecer até o desejo de esquecer, sempre sem qualquer esforço ou esperança, que são operações do ego. Esse esquecimento nos leva para “além do ego”, para fora do tempo e do espaço. Esse é o verdadeiro “salto quântico”, um salto para fora do sistema do espaço-tempo, para o atemporal, onde podemos vir a perceber o Real.
    E isso será o fim de todo sofrimento e de toda ignorância e o começo da felicidade, da sabedoria e do amor.

    - Pascal e Carpenter.
    Para terminar, vamos conhecer a experiência de Pascal, conhecido matemático, cientista e escritor francês:
    A partir de certo dia, ele se afastou da sociedade e se tornou recluso em sua própria casa (como Jesus, nas chamadas tentações, no deserto; Paulo, que foi viver entre tecelões, depois de sua visão na estrada de Damasco, e outros que, depois da experiência, se retiraram para, na solidão, tentar compreender o que lhes havia ocorrido).
    Depois de certo tempo, Pascal recomeçou a escrever, mas suas obras, agora, tinham um caráter mais elevado, diferente das anteriores. Sua compreensão de vida e de mundo tinha se modificado de maneira drástica. Quando morreu, um criado encontrou, costurado dentro da bainha de seu gibão, um pergaminho onde estavam escritas as seguintes palavras:
    “Ano da graça de 1654, segunda-feira, 23 de novembro... desde cerca das dez e meia da noite até meia-noite e meia... FOGO, FOGO... transfiguração... Deus de Abraão, Deus de Isaac, Deus de Jacob... Certeza, alegria, certeza, sentimento de alegria e paz... Deus de Jesus Cristo, meu Deus e teu Deus... Esqueci-me do mundo e de tudo, exceto de Deus. Ele só é encontrado nos caminhos dos Evangelhos... a GRANDEZA DA ALMA HUMANA... agora vejo que ela é o próprio Deus. Pai justo, o mundo não te conhece, mas eu te conheci. Alegria, alegria, alegria, lágrimas de alegria! Eu não me separarei jamais de ti... Meu Deus, esta é a vida eterna que se ganha depois de te conhecer, o único Deus verdadeiro, e aquele que tu enviaste - o Cristo; com ele, tudo é Um... Renúncia total e doce... submissão total a Cristo... eternamente em alegria por um momento de aprendizado sobre a terra... jamais esquecerei o que hoje me ensinaste... Amém”.
    Esse pergaminho existe até hoje. Com o nome de “amuleto místico de Pascal” está na Biblioteca Nacional, em Paris.

    Edward Carpenter fala de sua experiência:
    “... Acabados todos os sofrimentos, as todas as penas... abriu-se dentro de mim profundo oceano de felicidade... todas as coisas foram transfiguradas, cantando felicidade sem fim... Naquele dia, no dia da tua libertação, ela virá a ti em lugar que desconheces, sem que saibas em que tempo (como na parábola do ladrão)... tu, então, estarás livre para sempre... (“... a verdade vos libertará”); deixa que a felicidade te invada... a morte já não te separará daqueles a quem amas... o mundo da igualdade... da felicidade total...”

    - Encerramento.
    Termino aqui. Perdoem se falei demais. Como disse, considero da maior importância este assunto e a compreensão que podemos tirar dele.
    Lembrem-se das palavras, hoje esquecidas, de padres do cristianismo primitivo: “meditação é a coisa mais importante que a humanidade tem a fazer”.
    Lembrem-se, também, do que afirmou um humilde sapateiro, Jacob Bhoeme, místico cristão: “Enquanto o Cristo não nascer dentro de você, você continuará vivendo na escuridão de um estábulo, entre fezes e urina”.

    Como disse o iluminado: “Quem tem olhos de ver, veja!
    Quem tem ouvidos de ouvir, ouça!”
    .........................................................................
    Pense e analise tudo o que foi dito aqui, hoje, e... medite!
    Pesquise e verá que não há outra saída. Mas, não se esqueça: sempre coloque de lado todos os preconceitos! Se há preconceitos não podemos dar sequer um passo na direção de Deus. ....................................................................................... Fim

      Data/hora atual: Dom Fev 19, 2017 9:14 am