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    O Conceito de Salvação em Pietro Ubaldi - Fundamentalismo Cristão e Doutrina dos Espíritos

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    Data de inscrição : 22/05/2011

    O Conceito de Salvação em Pietro Ubaldi - Fundamentalismo Cristão e Doutrina dos Espíritos

    Mensagem  Admin em Qui Ago 25, 2011 1:49 pm

    Olá,

    Leiam/comentem/critiquem o artigo do Gilson Freire sobre o conceito de "salvação" em Pietro Ubaldi.

    http://www.gilsonfreire.med.br/index.php?option=com_content&view=article&id=56&Itemid=55

    O que Freire tenta, nesse bem escrito, mas polêmico artigo, é conciliar as bases do Fundamentalismo Cristão com a visão evolucionista-espiritual em Allan Kardec.

    Na visão de Freire, todos foram criados perfeitos, mas valendo-se do Livre-arbítrio, alguns Espíritos teriam "escolhido" viver no "Anti-sistema" ou AS (O nosso Universo material), antípoda de Sistema ou S, ou seja, o verdadeiro mundo de Deus e dos Espíritos. Deus então - argumenta Freire - na sua infinita misericórdia cria o AS - que pode muito bem ser o Mundo de Maya - para que seus filhos sejam resgatados.

    Bom, mas daqui a pouco já faço um resumo do artigo Laughing . Leiam e postem suas impressões sobre essa controversa visão que Freire toma emprestada de Pietro Ubaldi para fundamentar tais idéias.

    Abçs.

    PS: Se alguém não conseguir acessar o site, falem comigo, que posto o texto aqui mesmo - é um texto bastante longo, mas espero que vocês todos tenham paciência para lê-lo.


    Convidad
    Convidado

    Confusão.

    Mensagem  Convidad em Qui Ago 25, 2011 7:40 pm

    Olá, amigos.
    Freire, uma grande cabeça (“Da física quantica à espitualidade”...); Ubaldi, uma maior cabeça ainda (“A grande síntese”, “Ascese mística”...). Mas, os dois pecam em alguma coisa: Freire, teimando q a nova física veio dar mais credibilidade ou comprovar as concepções espíritas. Pietro Ubaldi, agindo como outros que, não conseguindo explicar a existencia dos sofrimentos no mundo, afirmam que os espiritos criados perfeitos se revoltam contra o Perfeito.

    Enquanto a nova física e seus expoentes afirmam, como os místicos, q todos somos um (“eu e o Pai somos um”), Freire q, parece, entendeu bem a quantica, continua, como Ubaldi, afirmando que somos muitos.

    Ambos afirmam a existencia do livre-arbítrio, ao passo q, para os místicos, livre-arbítrio não passa de uma tentativa de as religiões explicarem o inexplicável (para elas) sofrimento do mundo.

    Observe: “para Freire, todos somos criados perfeitos”. Então, com toda nossa perfeição, agimos com total imperfeição ao escolher viver no "Anti-sistema", o mundo da Imperfeição, que é exatamente o oposto do mundo de Deus, do Sistema, o mundo da Perfeição.

    E Freire diz mais: que Deus, então, - na sua infinita misericórdia - cria o AS, para que seus filhos sejam resgatados. Por essas palavras, os espiritos perfeitos escolhem um mundo imperfeito e que não existe ainda (pois, só foi criado para resgatá-los e não havia ainda o que resgatar, pois os espiritos eram perfeitos!). Uma confusão!

    Mas, vale a pena ler Freire (deste pouco conheço) e Ubaldi (este com ensinamentos profundos, aparentemente lógicos e que mostram a necessidade de buscar o caminho).

    Azuramaya

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    Re: O Conceito de Salvação em Pietro Ubaldi - Fundamentalismo Cristão e Doutrina dos Espíritos

    Mensagem  Azuramaya em Qui Ago 25, 2011 9:24 pm

    É interessante observar que a idéia humana se usa de uma figura para expressar o hipotético e que isso passa a equivaler à verdade ao invés de simbolizá-la indiretamente. Algo como alguém escrever hoje que o time fulano de tal é composto por pernas de pau e no futuro as pessoas realmente acreditarem que os jogadores seriam aleijados.

    Constantino e sua malta transliterou a metáfora do Gênesis com o conteúdo simbólico tomado como real. O pior é que a humanidade média assim assumiu.
    Os judeus eruditos não levam a sério essa interpretação por saberem do conteúdo esotérico que o supera e é seu cerne.
    Pelo que vejo das religiões, fica nítido que todas as religiões populares são egóicas e por meio do resgate do "ego" ou do indivíduo, criam o interesse e o abarcar da doutrina.

    A Salvação é um conceito puramente Egoísta, pois parte do "Ego" que se insurge contra a sua cruel limitação por chegar a um nível de sujeição a aleatoriedade que o preme e esvanece e como resultado dessa situação, o Maniqueísmo é a única forma de tornar menos infame e descarada a busca pela salvação pois faz parecer que alguém está sendo injustiçado ou sabotado e precisa de intervenção maior. O Satanás é muito útil!

    Seria lúcido e coerente esperar de um verdadeiro religioso a aceitação da sua mediocridade e pequenez diante do Cosmo se fazendo por isso, de sujeito às intempéries que essa ausência lhe imputa. Nessa posição, aceitaria todas as incumbências, penas e obrigações sem se insurgir na busca pela anulação desse estado.
    O rogar por perdão é altamente inescrupuloso diante da Natureza já que se ela é justa, jamais o condenaria sem razão e da mesma forma, também, jamais o resgataria sem merecimento.

    Então, a parcialidade aspirada em detrimento do ego sem a preocupação com a justiça já seria um bom modo de separar o joio do trigo se houvesse a Natureza de escolher os menos piores (salvação).
    A idéia do "Nosso Lar", segundo a visão Espírita, é igualmente um lamento pungente da alma que tende a se engastalhar com a paixão mundana, pois ao invés da separação total dela, o que inclue o ego e a vida terrena com o amor aos parentes e pessoas aqui próximas, persiste em continuar apegado aos entes terrenos, retornando nas mesmas orbes familiares.
    A Evolução somada à reencarnação, pela visão Espírita, é então uma forma de aperfeiçoamento conveniente onde podemos manter a proximidade com o ambiente de afeto que aqui o "ego" experimentou. Ao invés do "matar os parentes" de Ardjuna, há um meio termo, assim como no estado de salvação, quando o "indivíduo" também está adiante do seu "ser" sem identidade.

    Ora, se houvesse salvação, essa jamais se adequaria ao âmbito egóico já o "ego" morre e suas lembranças são perdidas, pois são fatores limitantes e não potenciadores.
    O "ego" parce ser o instrumento e não o fim da evolução ou a condução para a salvação. É interessante ver que a maioria das pessoas que admite a reencarnação imagina que quem reencarna é o "ego", sem a menor idéia de que até mesmo o corpo-causal pouco tem de identidade. A própria noção de Sangsara e Nirvana não é alcançada por causa da impossibilidade de se enxergar sem ser por meio do ego.
    Portanto, os conceitos que partem do ego limitado são apenas idéias fálicas mundanas que nada possuem de verdade.
    A idéia de evolução é correta por que se baseia na diversidade, diferenciação e hierarquia conceitos que são inerentes à Natureza. É correto admitir que um ponto mais energizado possa ir mais longe, mas também que todos os pontos são a mesma coisa em coordenadas e tempos diversos.
    A consciência em expansão tende a se afastar dos conceitos egóicos e doutrinas dessa vertente, buscando a verdade magna. Na realidade, o homem não tem nada a temer, pois se a Natureza é perfeita e justa, não somos culpados pela nossa imperfeição, sem ter que pagar nada por isso além de viver aqui na insegurança. Se Deus é amor e justiça, todos estarão automaticamente salvos, sem a chance de ficarem consternados por qualquer coisa, pois ainda que alguns usem a idéia do mal entendido "livre arbítrio", também ele depende da inteligência e qualidade, assim, sem qualidade e sem culpa por isso, não há condenação.
    O mal existe dentro da esfera do "ego", por onde andam todas as religiões e quando alguém dessa esfera sai, tudo deixa de existir de mal e de bem.
    Talvez o Nirvana e os estados de Paranishpanna e/ou Paramartha sejam o negar a participação no jogo da vida, quando aquele que não joga é o único que não corre o risco de perder, ainda que também não ganhe.


    Namastê





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    Monstrinho

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    Re: O Conceito de Salvação em Pietro Ubaldi - Fundamentalismo Cristão e Doutrina dos Espíritos

    Mensagem  Monstrinho em Qui Ago 25, 2011 9:47 pm

    Olá,

    Na verdade eu esperava que você, Coronel, tecesse considerações diversas sobre o artigo do Freire.

    Apesar de ele escrever muito bem - já escreveu e publicou vários livros - o artigo em questão é um muito "carregado", digamos assim, muito extenso, com muita coisa escrita para para dizer pouco.

    Vou tentar sintetizar, porque já conheço de outros carnavais esse artigo do Freire, e ontem à noite estive relendo algumas partes, os trechos principais.

    Deus criou os Espíritos todos perfeitos, de modo que, eles eram tão perfeitos que tinham até mesmo a "autonomia" (Freire em nenhum momento utiliza a palavra "livre-arbítrio" Rolling Eyes ) para escolher entre ficar no seio do Pai ou "escolher" viver no egocentrismo.

    Assim, uma leva desses Espíritos que "escolheram" viver no egocentrismo, foram atirados no Anti-sistema: de anjos perfeitos, foram "inseridos" no seio da pedra Shocked , e a título de justificativa, Freire utiliza a questão 540 de O Livro dos Espíritos, "o ser evolui do átomo ao arcanjo".

    A justificativa de Freire para essa assertiva é a de que seria inconcebível que Deus, "um Pai amoroso" - nas suas palavras - criasse os Espíritos e os atirasse na longa esteira evolutiva do tempo, que vai do "átomo ao arcanjo". Seria como um pai que, a título de ensinar a educação aos filhos, os colocassem entre malfeitores e em situações dolorosas. É assim que Freire vê a coisa: não haveria justificativa para que Deus, sendo misericorioso e bom, obrigasse seus filhos a percorrer a longa e dolorosa escala de ascensão a fim de se tornarem perfeitos como o próprio Deus. De modo que, para Freire, não há uma "ida" até Deus, mas sim uma "volta". E vejam que Freire está afirmando a involução do Espírito (Claro, com outras palavras Wink ), e, paradoxalmente, utilizando-se da Doutrina Espírita para justificar a suas idéias contraditórias e incoerentes, por vezes.

    Como sabemos, essa é a tese defendida pelo que o próprio Freire chama de "fundamentalismo cristão", e sabemos igualmente que, essa foi a tese defendida por Santo Agostinho, em que, a criatura sai das mãos de Deus, e depois retorna ao seio do Pai. O motivo pelo qual isto se dá, não sabemos.

    Há ainda outros aspectos não menos confusos e incríveis defendidos no artigo do Freire, como por exemplo, a suposição de que, a desordem que é narrada no livro do Gênesis, diz respeito à suposta desordem que havia no início do Bing-bang. E Freire argumenta que, essa desordem inicial, não era criação de Deus; ela foi criada por esses Espíritos rebeldes, e Deus, em certo momento, vai ordenando o Cosmos (Cosmos em grego significa ordem). Assim, a formação das galáxias depois de alguns milhões de anos após a grande explosão, corresponderia à intervenção de Deus nessa desordem criadas por esses Espíritos rebeldes, instaurando a ordem, que culmina nesse Universo harmonioso que conhecemos hoje.

    Os seis dias da criação, para Freire, correspondem a vários períodos de evolução da história do universo. E aqui, ele argumentará que há uma possibidade de conciliar o fundamentalismo cristão com a Doutrina Espírita.

    Uma coisa, entretanto, parece fazer sentido: todos os mundos que existem, sejam primitivos, de provas e expiações, de regeneração e felizes e divinos, estão todos dentro do AS (Anti-sistema ou Universo material), e o mundo verdadeiro, que seria o Sistema, seria o mundo de Deus e dos Espíritos. Aqui Freire se baseia na Doutrina Espírita, como vemos.

    E a questão central de Freire, é, obviamente, a questão da salvação.

    E resta a indagação: todos serão salvos? A resposta é sim, mas o Espírito que vive no AS, segundo Freire tem ainda o livre-arbítrio operante, quando enfim, Freire irá dizer que, o Espírito que perserverar no egoísmo, será destruído enquanto individualidade, e apenas o princípio espiritual retornará a Deus, assim como reduzimos uma estátua a pó, desfigurando-a, mas a matéria que a constituía ainda permanece. Controverso não acham?

    E o Freire se vale apenas de dois referenciais - além das citações bíblicas, é claro: Allan Kardec e Pietro Ubaldi.

    Em A Grande Síntese, Pietro Ubaldi diz que, a descida de S para AS é o imenso respiro de w = a + b + c, onde w= universo, a= espírito, b= energia e c= matéria. Na subida há o imenso respiro de de w, em revoluções cíclicas e dialéticas em que a evolução se dá por retomada de aprendizados (reencarnações??), mas sempre em um novo padrão vibratório, como numa escala musical, em que, saindo de dó e chegando a dó, repetimos a mesma escala mas em um novo padrão vibratório.

    Minha intenção não é aqui, contestar a obra de Pietro Ubaldi, mesmo porque, para tal mister, teria que estudá-la minuciosamente.

    Mas esses termos "espírito", "matéria" e "energia", são um tanto quanto redundantes e confusos, já que, a partir da Teoria da Relatividade, matéria e energia são uma mesma coisa, em estados distintos apenas. Por que então essa separação?

    Além disso, Freire - como ele mesmo sustenta assumidamente - retoma conceitos salvacionistas do fundamentalismo cristão, de que Jesus é o grande salvador, e de que o Reino dos Céus trata-se do Sistema, desse mundo espiritual e divino que é antípoda, e que é o Sistema.

    Isso é bastante constroverso. Retomar conceitos dogmáticos numa mistura com Doutrina Espírita e Espiritualismo ubaldiano para dizer que o Reino dos Céus está num local geográfico que transcende o Universo, é no mínimo, estrano. Desse modo, seria impossível a iluminação, porque os Espíritos atirados no AS teriam que, necessariamente, percorrer todas as séries de mundos, desde os primitivos até os mundos felizes, para somente então, poderem sair do AS.

    Não haveria esse "salto", que a Filosofia Oriental proclama, e os Budas e Cristos seriam constituintes dessas legião de Espíritos que "escolheram" amar a Deus, e que, vez que outra, descem à Terra para "retirar" os Espíritos rebeldes dos mundos materiais e recambiá-los a Deus.

    E até aqui não temos falado dos conceitos de "mal" e "bem" que Freire repetidamente emprega, nos moldes do fundamentalismo cristão: para nos salvar, "temos que dar a nossa vida pelo nosso semelhante, e não arrebatar a vida de outrem"; "temos que fazer o bem ao próximo, amar ao próximo", etc, etc, etc, e essa ladainha não pára no seu longo e cansativo artigo.

    O que o Freire fez, nesse seu artigo, foi apenas retomar alguns dogmas absurdos, como "Jesus salvador do mundo" - embora ele negue o refrão das religiões dualistas: "morreu na cruz para redimir nossos pecados", e a doutrina dos anjos decaídos - e por outro lado, utilizar a Doutrina Espírita para fundamentar o processo evolutivo desses "Espíritos rebeldes", do AS, para o S.

    E ele ainda afirma - empolgado com as previsões da moderna cosmologia de que o universo está se resfriando e caminhando para o seu fim - que, quando todos esses Espíritos rebeldes retornarem ao seio do Pai, o Anti-sistema será destruído! Shocked

    É assim, penso eu, que temos que saber olhar um extenso e cansativo artigo, eivado de retóricas, eloqüências e ornamentos lingüísticos pomposos e sofisticados, para retirar apenas o seu resultado líquido.

    Por que depois de 2000 anos se teria que fazer uma releitura da bíblia ao pé da letra somente porque um homem isolado emitiu essa opinião pessoal - claro que estamos falando de Pietro Ubaldi - quando sabemos que os textos bíblicos, particularmente os 4 Evangelhos assim como o Apocalipse, tratam-se de metáforas, mitos e parábolas para falar de realidades subjetivas? E não de mundos e universos objetivos que se situam além do nosso universo.

    Eu gostaria muito que o próprio Gilson Freire pudesse estar aqui conosco debatendo, porque eu mesmo teria muitas questões a colocar, e ele por sua vez, poderia nos esclarecer de forma mais simples as questões que coloca e defende, e que eu particulamente, julgo apenas opinião pessoal, ainda mais quando o seu estudo está baseado em apenas três referenciais: a bíblia - cujos textos ele toma ao pé da letra no mais das vezes -, Pietro Ubaldi e a Doutrina Espírita.






    Última edição por Monstrinho em Sex Ago 26, 2011 12:17 am, editado 1 vez(es)
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    Monstrinho

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    Re: O Conceito de Salvação em Pietro Ubaldi - Fundamentalismo Cristão e Doutrina dos Espíritos

    Mensagem  Monstrinho em Qui Ago 25, 2011 10:48 pm

    Azuramaya escreveu:A idéia do "Nosso Lar", segundo a visão Espírita, é igualmente um lamento pungente da alma que tende a se engastalhar com a paixão mundana, pois ao invés da separação total dela, o que inclue o ego e a vida terrena com o amor aos parentes e pessoas aqui próximas, persiste em continuar apegado aos entes terrenos, retornando nas mesmas orbes familiares.

    A Evolução somada à reencarnação, pela visão Espírita, é então uma forma de aperfeiçoamento conveniente onde podemos manter a proximidade com o ambiente de afeto que aqui o "ego" experimentou. Ao invés do "matar os parentes" de Ardjuna, há um meio termo, assim como no estado de salvação, quando o "indivíduo" também está adiante do seu "ser" sem identidade.

    Ora, se houvesse salvação, essa jamais se adequaria ao âmbito egóico já o "ego" morre e suas lembranças são perdidas, pois são fatores limitantes e não potenciadores.
    O "ego" parce ser o instrumento e não o fim da evolução ou a condução para a salvação.

    É interessante ver que a maioria das pessoas que admite a reencarnação imagina que quem reencarna é o "ego", sem a menor idéia de que até mesmo o corpo-causal pouco tem de identidade. A própria noção de Sangsara e Nirvana não é alcançada por causa da impossibilidade de se enxergar sem ser por meio do ego.


    E essa idéia é amplamente cultuada e apreciada pela grande maioria dos espíritas e demais simpatizantes. A felicidade imaginada no mundo espiritual é reduzida, como você mesmo faz notar, à clamorosa possibilidade de poder reaver o contato com aquilo que se deixou na Terra: parentes, familiares, idéias, saudosismos, amigos e inimigos entre tudo o mais que se possa imaginar em termos de apegos.

    A coisa é complicada, porque buscar saber quem somos, é como você sair da "clareira na floresta" se perder na vasta mata sem-fim, sem alguém para te orientar no caminho de volta. Como argumentou o Osho, além da clareira que a sociedade abre na nossa mente, a fim de sabermos "quem somos", ninguém se aventura no desconhecido, e o "auto-conhecimento" que temos, é assim, aquilo que os outros pensam de nós.

    Outra questão importante, e que eu destaquei em negrito aí no seu texto, é a questão dos espíritas acharem que quem reencarna é o ego. Mas também pudera, meu amigo! Aonde está o livro ou romance espírita que não diz repetidamente que a nossa vida atual é a continuação da vida anterior? Isso está colocado de maneira confusa até mesmo no Livro dos Espíritos, onde se diz que, a personalidade que temos, é a do Espírito - mas em outros trechos, de maneira velada, percebe-se que, se o Espírito escolhe uma nova prova - agora não mais como pai, mas como filho - então é o Espírito que está representando um papel fictício, uma personagem.

    Mas, de acordo com a "teoria de Nosso Lar", os pais terrestres continuam cuidando de filhos lá nas cidades espirituais.

    Outra idéia bastante difundida e acreditada é que "aqui é difícil evoluir, mas quando desencarnarmos, será mais fácil, porque aí reaveremos a nossa consciência espiritual".

    A maioria dos Espíritos nem sabe o que se passa após a morte. A grande maioria desencarna e permanece nos arredores do lar, continuam freqüentando os mesmos lugares que freqüentavam quando vivos. Mas, cria-se a ilusão de que o ego se dissipa com a morte do corpo - em alguns casos - e tem-se a ilusão de que se reencarnará com a mesma personalidade.

    Não sei se os espíritas têm culpa de acreditar em todas essas coisas, afinal está lá, escrito nos livros espíritas... E por quê se escreveram? Não sei.



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    Monstrinho

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    Re: O Conceito de Salvação em Pietro Ubaldi - Fundamentalismo Cristão e Doutrina dos Espíritos

    Mensagem  Monstrinho em Qui Ago 25, 2011 11:04 pm

    Swami Vivekananda deslinda (palavra assaz utilizada por Gilson Freire) a problemática das religiões dualistas e a questão da salvação:

    "A primeira escola de que vos falarei é chamada escola dualística. Os dualistas acreditam que Deus, Criador e Governador do universo, está eternamente separado da natureza, eternamente separado da alma humana. Deus é eterno, a natureza é eterna, e eternas são todas as almas. A natureza e as almas manifestam-se e mudam, mas Deus permanece o mesmo. Segundo os dualistas, Deus é pessoal, pelo fato de ter qualidades, não por ter um corpo. Tem atributos humanos. É misericordioso, justo, poderoso, onipotente; podemo-nos nos aproximar d'Ele, orar para Ele, amá-Lo. Ele retribui o amor, e assim por diante. Numa palavra, é um Deus humano, apenas infinitamente maior do que o homem, sem qualquer dos defeitos que o homem tem. Não pode criar sem materiais, e a natureza é o material do qual Ele se serve para criar todo o universo.

    A vasta massa do povo da índia é dualista. Todas as religiões da Europa e da Ásia Ocidental são dualistas: têm de ser dualistas. O homem comum não pode pensar em coisa alguma que não seja concreta. Gosta, naturalmente, de agarrar-se ao que o seu intelecto apreende. Essa é a religião das massas, em todo o mundo. Acreditam num Deus inteiramente separado delas, um grande rei, um poderoso monarca, por assim dizer. Ao mesmo tempo, fazem-no mais puro do que os monarcas de Terra; dão-lhe todas as boas qualidades e removem dele todos os defeitos, como se fosse possível o bem existir sem o mal, ou qualquer concepção de luz sem a concepção das trevas!

    Eis a primeira dificuldade no que se refere às teorias dualísticas: como é possível que sob a direção de um Deus justo e misericordioso haja tantos males no mundo? Essa pergunta se ergue em todas as religiões dualísticas, mas os hindus jamais inventaram Satã para dar uma resposta a tal indagação. Os hindus concordam em lançar a culpa sobre o homem, e é fácil para eles fazer isso. Por quê? Porque não acreditam que as almas tivessem sido criadas do nada.

    [...]

    Outra doutrina dos dualistas diz que todas as almas devem, finalmente, alcançar a salvação. Nenhuma delas ficará do lado de fora. Através de várias vicissitudes, através de vários sofrimentos e prazeres, cada uma delas sairá, por fim. Sairá de quê? A idéia comum é a de que todas as almas têm de sair deste universo. Nem o universo que vemos e sentimos, nem mesmo um universo imaginário, podem ser o certo, o verdadeiro, porque ambos estão mesclados com o bem e o mal. Segundo os dualistas, há, para além deste universo, um lugar cheio de felicidade e de bem, apenas, e quando esse lugar for alcançado, não haverá mais necessidade de nascer e renascer, de viver e morrer, e essa idéia lhes é muito cara. Ali não há mais doenças, não há morte. Existirá uma felicidade eterna, e eles estarão na presença de Deus todo o tempo, e gozarão essa presença para sempre. Acreditam que todos os seres, do verme mais baixo até os mais altos anjos e deuses, atingirão, mais cedo ou mais tarde, o mundo onde não mais haverá sofrimento. Mas nosso mundo jamais terminará. Continuará a existir infinitamente, embora movendo-se em ondas. Embora movendo-se em ciclos, jamais terminará. O número de almas que devem ser salvas, que devem ser aperfeiçoadas, é infinito.

    A verdadeira filosofia Vedanta começa com os que são conhecidos como não-dualistas qualificados. Declaram eles que o efeito jamais difere da causa; que o efeito é a causa reproduzida sob outra forma. Se o universo é o efeito e Deus é a causa, o universo deve ser o próprio Deus; não pode ser senão isso. Começam eles com a afirmativa de que Deus é, ao mesmo tempo, a causa eficiente do universo e seu Criador, e, ainda, o material do qual se projetou toda a natureza. A palavra "criação" de vossa língua, não tem equivalente em sânscrito, porque não há seita, na índia, que acredite na criação, tal como ela é vista no Ocidente, isto é, algo que veio do nada. O que entendemos por criação é a projeção do que já existia.

    Bem: o universo inteiro, de acordo com esta seita, é o próprio Deus. Ele é o material do universo. Lemos nos Vedas :
    "Assim como a aranha tece a linha tirada de seu próprio corpo, todo o universo, da mesma maneira, vem daquele Ser". Se o efeito é a causa reproduzida, a questão é a seguinte: como podemos achar que este universo ininteligente, bronco, material, foi produzido por um Deus que não é material, mas é inteligência eterna? Como, se a causa é pura e perfeita, o efeito pode ser tão diferente?

    Que dizem esses não-dualistas qualificados? A teoria deles é muito peculiar. Dizem que os três - Deus, natureza e a alma - são um. Deus é, por assim dizer, a alma, e a natureza, e as almas são o corpo de Deus. Tal como eu tenho um corpo e uma alma, todo o universo e todas as almas são o corpo de Deus, e Deus é a Alma das almas. Assim, Deus é a causa material do universo. O corpo pode ser modificado - pode ser jovem ou velho, forte ou fraco - mas isso em nada afeta a alma. É a mesma existência eterna, manifestando-se através do corpo. Corpos vêm e vão, mas a alma não muda. Mesmo assim o universo inteiro é o corpo de Deus, e nesse sentido é Deus. Mas a mudança do universo não afeta Deus. Desse material Ele cria o universo, e ao fim de um ciclo Seu corpo se torna mais fino, contrai-se, e no início de outro ciclo torna-se novamente expandido, e dele emanam todos esses mundos diferentes.

    Ora, tanto os dualistas como os não-dualistas qualificados, admitem que a alma é, por sua natureza, pura, mas, através de suas próprias ações, torna-se impura. Os não-dualistas qualificados expressam isso de uma forma mais bela do que os dualistas, dizendo que a pureza e a perfeição da alma se contraem e de novo se manifestam, e que o que estamos tentando fazer agora é a remanifestação da inteligência, da pureza e do poder que são naturais à alma. Cada má ação contrai a natureza da alma, e toda a boa ação a expande. E essas almas são, todas, parte de Deus. "Assim como do fogo violento voam milhares de faíscas da mesma. natureza, desse Ser infinito, de Deus, essas almas vieram."

    Todas têm o mesmo objetivo. O Deus dos não-dualistas; qualificados é também um Deus pessoal, só que interpenetra tudo no universo. É imanente em tudo e está em toda a parte, e quando as Escrituras dizem que Deus é tudo querem dizer que Deus interpenetra tudo, não que Deus se tornou uma parede ou que Deus está na parede. Não há uma partícula, não há um átomo do universo onde Ele não esteja. As almas são limitadas, não têm onipresença. Quando conseguem a expansão de seus poderes e tornam-se perfeitas, não há mais nascimento nem morte para elas, mas vivem em Deus para sempre."

    IN: Quatro Yogas de Auto-realização, Swami Vivekananda


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    Monstrinho

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    Re: O Conceito de Salvação em Pietro Ubaldi - Fundamentalismo Cristão e Doutrina dos Espíritos

    Mensagem  Monstrinho em Qui Ago 25, 2011 11:43 pm

    Daí se vai vendo como a idéia de Sistema e Anti-sistema, não é senão uma idéia dualista. O que Freire assevera é que o Anti-sistema - Universo material - é uma criação de Deus (mas não é o próprio Deus), para que os "Espíritos rebeldes" ou "anjos decaídos", possam novamente retomar a sua perfeição através da longa esteira evolutiva do tempo, estagiando na pedra, no vegetal, no animal, nas sociedades embrutecidas, e por fim nos mundos de regeneração e felizes.

    Freire argumenta que é mais lógico aceitar essa teoria do que dizer que Deus tenha criado os Espíritos "simples e ignorantes", e sujeitá-los como um pai inescrupuloso à essa longa escalada evolutiva. E então, cria, recriando o pensamento de Pietro Ubaldi, a idéia de que, a existência da longa jornada evolutiva, e em conseqüência os mundos materiais (Anti-sistema), é gerada pela "escolha" que certos Espíritos "perfeitos" fizeram de se prolongarem no culto ao egocentrismo.

    De certa forma, é claro, como vemos no texto do Vivekananda, há um ponto de contato entre a Filosofia Não-dualista e as Escolas dualistas, que é precisamente situar a "culpa" pela existência do mal, nos próprios seres. Mas, na Filosofia Vedanta, a partir dos hindus, o próprio homem é o "culpado" pela sua condição, enquanto que na teoria de Pietro Ubaldi, defendida por Gilson Freire, todo o drama teria começado na rebelião contra Deus.

    Obviamente que temos algumas perguntas ao senhor Gilson Freire, que ele mesmo não teve o cuidado de as fazer antes de redigir o seu eloqüente artigo: o que faziam os Espíritos quando foram criados perfeitos? Se então, não havia o Anti-sistema, e só havia o Sistema ou mundo divino, como os Espíritos puderam exercer algum tipo de egoísmo? Quando e como? Onde?

    Freire diz que, os Espíritos criados "simples e ignorantes" representam a fase em que estão condenados a recomeçar tudo de novo, reconstruir a sua perfeição passando pelas cruéis conjunturas dos variados mundos existentes no Anti-sistema.

    Claro que não resolve o problema escolher de duas uma: Deus criou os Espíritos simples e ignorantes como um "pai desleixado e mau", a fim de submetê-los à longa e penosa esteira da evolução, ou os Espíritos é que escolheram de bom grado a condição de viver nesse Anti-sistema cruel e de longas, quase perpétuas penas?

    Mas a "vantagem" da teoria que Freire defende, é que ela preconiza um deus bonzinho e eqüanime que deixa aos seus filhos escolherem entre o bem e o mal.

    Ora, se mesmo nós, já tendo filhos amadurecidos para a vida, já sabendo que eles podem escolher o seu próprio caminho, permitimos ou outorgamos a eles que se enveredem pelo caminho das drogas? Do crime? Se tais filhos fazem a opção de seguirem o caminho do mal, então é porque não estão amadurecidos o suficiente, assim como Espíritos "perfeitos" que escolhem seguirem o caminho do mal, não são, em verdade, Espíritos perfeitos. Wink, Concordam?

    Não há uma contradição aí no raciocínio do senhor Gilson Freire? Rolling Eyes

    São Espíritos burros, ao invés de perfeitos, se, podendo escolher entre o bem e o mal, escolhem viver num Anti-sistema que dura bilhões ou trilhões de anos, para pagarem o preço de não terem "escolhido" amarem a Deus. E que Deus é esse que permite que seus filhos "escolham" permanecer nesse doloroso e quase infinito Anti-sistema de dores incontáveis e sem-fim?

    Aprenderam agora, como se cria um deus bonzinho e um ser humano mau através de um artigo bem escrito e fundamentado no fundamentalismo cristão? affraid

    E aí, como se resolve o problema? Rolling Eyes ==> Criando a idéia de um salvador que irá redimir a humanidade das suas mazelas através de atos e ações exteriores, como "amar o próximo", "dar a sua vida pela do próximo", como diz Gilson Freire.


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    Re: O Conceito de Salvação em Pietro Ubaldi - Fundamentalismo Cristão e Doutrina dos Espíritos

    Mensagem  Monstrinho em Sex Ago 26, 2011 12:34 am

    Mais um pouco de Swami Vivekananda

    Conforme continuamos, verificaremos o quanto é difícil mesmo para o homem ou a mulher mais considerados de qualquer país o compreender o advaítísmo - pois nos fizemos tão fracos, pois nos fizemos tio baixos. Quantas vezes me pediram uma "religião que conforte"! Poucos são os homens que pedem a verdade, menor número ainda ousa estudar a verdade, e ainda mais insignificante é o total dos que ousam segui-Ia em todas as suas significações práticas. Não é culpa deles. Não passa de fraqueza do cérebro. Qualquer pensamento novo, especialmente de alta qualidade, cria uma perturbação, tenta fazer um novo canal, por assim dizer, na matéria cerebral, e isso desengonça o sistema, retira aos homens o seu equilíbrio. Estão habituados a certo ambiente e precisam dominar a massa imensa de velhas superstições, superstições ancestrais, superstições de classe, superstições da cidade, superstições do país, e, além de tudo, a vasta massa de superstições inata a todo o ser humano. Ainda assim há algumas almas corajosas neste mundo, que ousam conceber a verdade, que ousam recebê-la, e que ousam segui-Ia até o fim.

    Que declaram os advaitistas? O seguinte: Se há um Deus, esse Deus deve ser ao mesmo tempo a causa material e eficiente do universo. Não só é o Criador, mas é também o criado. Ele próprio é este universo.
    Como pode ser isso? Deus, o puro, o espírito, tornou-se universo? Sim, aparentemente é assim. Aquilo que todas as pessoas ignorantes vêem como universo, não existe, realmente. Que somos, vós e eu, e todas as coisas que vemos? Simples auto--hipnotismo. Não há senão uma Existência, a infinita, a sempre abençoada. Nessa Existência sonhamos todos esses vários sonhos. É o Atman para além de tudo, o infinito, para além do conhecido, para além do conhecível, e através disso vemos o universo. Essa é a única realidade. Ela é esta mesa, é a parede, é tudo, menos o nome e a forma. Retirai a forma da mesa, retirai--lhe o nome, e o que permanecer será a mesa. O vedantista não diz "ele" ou "ela", pois essas são ilusões, ficções do cérebro humano. Não há sexo na alma. As pessoas que estão sob a ilusão, que se tornaram como que animais, vêem a mulher ou o homem. Deuses vivos não vêem homens nem mulheres. Como podem vê-los, eles que estão para além de tudo que tenha idéia de sexo? Tudo e todos são Atman, o Eu - assexuado, puro, sempre abençoado. O nome, a forma, o corpo, é que são materiais, e fazem toda essa diferença. Se retirardes essas duas diferenças de nome e forma, todo o universo é um. Não há dois, ma un,4 por toda a parte. Vós e eu somos um. Não há natureza, nem Deus, nem universo - apenas uma Existência infinita, da qual, através de nome e de forma, todas essas coisas são manufaturadas.

    Como conhecer o Conhecedor? Ele não pode ser conhecido. Como podeis ver vosso próprio Eu? Só podeis refletir vós mesmos. Assim, todo este universo é o reflexo desse ser eterno, o Atman, e como o reflexo tomba sobre bons ou maus refletores, também imagens boas ou más são adicionadas. Assim, no assassino o refletor é mau, e não o Eu. No santo o refletor é puro. O Eu, o Alman, é, por sua própria natureza, puro. É a mesma, a única Existência do universo, que se reflete desde o mais baixo verme até o mais alto e mais perfeito dos seres. O todo deste universo é uma unidade, uma Existência, fisicamente, mentalmente, moralmente, e espiritualmente. Estamos considerando essa Existência única em diferentes formas e criando todas essas imagens sobre Ela. Para o ser que se limitou às condições de homem, Ela aparece como o mundo do homem. Para o ser que está em plano mais alto de existência, Ela pode parecer como o céu. Há apenas uma alma no universo, não duas. Não vem, nem vai. Não nasce, não morre, não se reencarna. Como pode morrer? Para onde pode ir? Todos esses céus, todas essas terras, são vãs imaginações da mente. Não existem, jamais existiram no passado, e jamais existirão no futuro.

    Eu sou onipresente, eterno. Para onde posso ir? Onde ainda não estou desde já? Estou lendo este livro da natureza. Página por página estou terminando-o, e voltando-as, e um por um os sonhos da vida se vão. Outra página da vida foi voltada, outro sonho da vida chega, e vai, rolando, rolando. E quando eu tiver terminado minha leitura, abandono-a e ponho-me de lado. Atiro fora o livro, e tudo estará terminado.

    Que pregam os advaitistas? Destronam todos os deuses que já existiram ou existirão no universo, e colocam naquele trono o Eu do homem, o Atman, maior do que o Sol e a Lua, mais alto do que os céus, maior do que este próprio grande universo. Nenhum livro, nem escrituras, nem ciência, podem jamais imaginar a glória do Eu que aparece como homem - o Deus mais glorioso que já existiu, o único Deus que já existiu, existe, ou jamais existirá.

    Devo adorar, portanto, apenas o meu Eu. "Eu cultuo o meu Eu" - diz o advaitista. "Diante de quem devo-me curvar? Eu saúdo o meu Eu. A quem devo pedir auxílio? Quem pode me ajudar, a mim, o Ser Infinito do universo?" Esses são sonhos aloucados, alucinações. Quem jamais ajudou alguém? Ninguém Onde virdes um homem fraco, um dualista, chorando e gemendo por auxílio vindo de algures, de cima dos céus, é porque ele não sabe que os céus também estão nele. Deseja auxílio dos céus, e o auxílio vem. Vemos que vem, mas vem de dentro dele própria, e ele se engana supondo que vem de fora. Às vezes, um doente jaz no leito e pode ouvir que batem à porta. Levanta-se, abre, e vê que ali não há ninguém. Volta ao leito e de novo ouve que batem. Levanta-se e abre a porta. Ninguém ali está. Por fim descobre que eram as panca as de seu próprio coração que lhe pareciam pancadas na porta.

    Assim o homem, depois de procurar em vão os vários deuses fora de si próprio, completa o ciclo e volta ao ponto do qual iniciou sua busca - a alma humana. E descobre que aquele Deus procurado sobre montes e vales, que buscava encontrar em cada livro, em cada templo, nas igrejas e nos céus, aquele Deus que ele imaginava sentado no paraíso, a governar o mundo, era seu próprio Eu. Eu sou Ele, e Ele é Eu. Só Eu era Deus e o pequeno "eu" jamais existiu.

    Entretanto, como pode iludir-se esse perfeito Deus? Nunca o foi. Como poderia um deus perfeito estar sonhando? Nunca sonhou. A verdade jamais sonha. A própria indagação de onde surgiu essa ilusão é absurda. A ilusão surge apenas da ilusão. Não haverá ilusão desde que a verdade seja vista. A ilusão sempre repousa na ilusão, jamais repousa em Deus, na Verdade, no Alman. jamais estais em ilusão, é a ilusão que está em vós, diante de vós. Uma nuvem aqui está. Outra vem, expulsa a primeira e toma o seu lugar. Vem uma terceira, que por sua vez expulsa essa. Assim como diante do céu eternamente azul nuvens de várias tonalidades e colorações surgem, permanecem por um. pequeno espaço de tempo, e desaparecem, deixando o mesmo e eterno azul, vós sois, eternamente, puros, perfeitos.

    Sois os verdadeiros Deuses do universo. Não, não há dois, só há' um. É um engano dizer "vós" e "eu". Sou eu quem está comendo através de milhões de bocas. Portanto, como posso ter fome? Sou eu quem trabalha através de um número infinito de mãos. Como posso estar inativo? Sou eu quem vive a vida de todo o universo. Onde está a morte para mim? Eu estou acolá da vida, acolá de toda a morte. Onde procurarei a liberdade, se sou livre por minha natureza? Quem pode constranger-me, a mim, o Deus do universo? As escrituras do mundo não passam de pequenos mapas, desejando delinear a minha glória, pois sou a única existência do universo. Então, que representam esses livros para mim? Assim fala o advaitista .

    "Conhece a verdade e liberta-te num momento.` Toda a treva desaparecerá, então. Quando o homem se tiver visto como ..um- com o Ser infinito do universo, quando toda a separação cessar, quando todos os homens e mulheres, todos os deuses e anjos, todos os animais e plantas, e todo o universo, se tiverem desvanecido nessa Unidade, então o medo desaparecerá. Posso magoar-me? Posso matar-me? Posso injuriar-me? A quem posso temer? Podeis temer a vós mesmos? Então, todo o desgosto desaparecerá. Quem me pode causar desgosto? Eu sou a Existência única do universo. Então, todos os ciúmes desaparecerão. De quem terei ciúmes? De mim próprio? Então, todos os maus sentimentos desaparecerão. Contra quem terei maus sentimentos? Contra mim mesmo? Não há ninguém no universo a não ser eu.

    Esse é o único caminho, dizem os vedantistas, para o conhecimento. Matai as diferenciações, matai essa superstição de que existem muitos. "O que está neste mundo de muitos, vê aquele Único. O que está nesta massa de inconsciência, vê aquele único Ser consciente. Quem está neste mundo de sombras, aprende aquela Realidade - e nela está a paz eterna e em ninguém mais, "em ninguém mais."

    São esses os pontos principais dos três passos que o pensamento religioso hindu tomou em relação a Deus. Vimos que ele começou com um Deus pessoal, extracósmico. Foi do Deus externo para o Deus imaneme no universo. E terminou identificando a própria alma com aquele Deus, e fazendo uma Alma, uma unidade, de todas essas várias manifestações do universo. Esta é a última palavra dos Vedas. O pensamento religioso hindu começa com o dualismo, passa através do não-dualismo qualificado, e termina em perfeito não-dualismo.



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    Monstrinho

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    Re: O Conceito de Salvação em Pietro Ubaldi - Fundamentalismo Cristão e Doutrina dos Espíritos

    Mensagem  Monstrinho em Sex Ago 26, 2011 12:59 am

    Olá,

    Postando um trecho do artigo do Freire. Vejam se isto aí abaixo tem alguma lógica plausível:

    Debulhemos, todavia, sem demora o assunto, para que o leitor compreenda tudo isso que estamos afirmando. Como podemos compreender a salvação tomando por base os ensinos de Pietro Ubaldi?

    O filósofo da Nova Era ensina-nos que o universo relativista em que vivemos, entretecido em tempo e espaço, energia e matéria, é uma criação deteriorada, produto de uma contração espiritual que se denominou queda do espírito. E essa criação deteriorada em que vivemos, Ubaldi chamou de Anti-Sistema (AS), por achar-se nos antípodas do universo original, o divino, por ele denominado Sistema (S). Essa queda foi motivada, resumidamente e até onde nossa razão pode alcançar, pela inadequada opção do espírito em vivenciar intensamente o egoísmo.

    Uma vez que o espírito arremeteu-se ao AS, detendo-se em sua trama de caos e destruição, somente uma força íntima, em ação na sua própria substância, poderia soerguê-lo da hecatombe do egocentrismo. Eis o novo conceito de salvação, que agora compreendemos como ação de resgate do espírito que caiu nas malhas do relativismo, imiscuindo-se em malogrados envoltórios físicos. De outra forma, não se entende por que Deus criaria seres necessitados de percorrer uma evolução, caracterizada, segundo predisposição natural, por expiações e purgações, dores e atritos, em permanente regime de purificação, como a própria doutrina espírita a define.

    Segundo a proposição de Ubaldi, e como aferido pela antiga tradição cristã, a evolução somente se justifica para seres que optaram pela revolta contra o amor. E evolução então, como um movimento de expansão do ser, seria nada mais que a reação a uma anterior avulsão de contração de potencialidades.

    Os detalhes dessa queda nos escapam na atualidade, pois ela extrapola o nosso concebível por haver ocorrido fora do tempo e do espaço, muito além do que pode a nossa parca razão atual alcançar. Apenas sabemos que ela se tornou possível na criação original por havermos sido gerados com o princípio de autonomia. O tema, contudo, não pode aqui ser abordado, pela extensão e a vastidão de suas implicações. Recomendamos ao interessado que leia Deus e Universo e O Sistema, obras nas quais Ubaldi detalha essas questões. Para quem deseja uma versão resumida e romanceada do assunto, recomendamos o livro Tabernáculo Eterno, um trabalho de inspiração mediúnica no qual tivemos participação especial, publicada pela Editora Inede.

    Mediante o conhecimento da queda do espírito, compreendemos agora que, antes de iniciar a evolução, o espírito sofreu um processo de condensação involutiva que o arremeteu à inconsciência, condição que o espiritismo designa como “simples e ignorante”. Nesse ponto, ele inicia a alçada evolutiva, agora vista como uma reação ao precedente movimento de involução. A evolução passa assim a ser entendida, de fato, como a salvação, ou seja, o movimento de recuperação do ser caído na matéria. Movimento operado por forças poderosas, restauradoras da ordem e da perfeição perdidas, veiculadas pela ação amorosa de Deus. Forças que lutam contra a imposição de desordem e destruição que passaram a imperar ao nosso derredor, as quais se originaram da queda e não propriamente do desejo do Criador. Essa é a maneira mais lógica de se explicar a presença desses processos negativos na criação divina, e aceitarmos o fato de que nosso universo é um palco de batalhas de interesses antagônicos – as forças adversas do AS, contra as potências regeneradoras e reconstrutoras do S. Ora, uma criação homogênea, advinda de uma expressão unitária que é Deus, não poderia admitir essa franca oposição de valores em seu bojo.

    Com a queda, patenteia-se que gravitamos entre os impulsos de destruição e do mal (forças AS) e as energias do bem e da ordem (forças S), em um universo dualizado, submetido a uma permanente oposição de valores. E justifica-se porque nosso cosmo se inicia em meio a uma fenomenal hecatombe, o Big bang, ao qual a inteligência divina trata de impor uma progressiva ordem e uma crescente complexidade. De outra forma, como aceitar que Deus, se nada existia, tenha gerado antes o caos para então organizá-lo na paciente esteira do tempo? Ora, o caos somente pode advir de forças desordenadas que se investem contra a ordem, jamais da inteligência suprema que creditamos à infinita Sabedoria do Criador.

    Uma vez que se formou, empreendido pelas forças rebeldes, esse reconhecido e ciclópico tumulto do universo físico primordial, de que todos participamos, as potências divinas, reconstrutoras da ordem e do equilíbrio, passaram a agir na sua intimidade fenomênica, a fim de soerguê-lo do caos. É assim que Ubaldi nos afirma que “nosso universo é uma doença no seio da eternidade” que será curada pelo paciente trabalho da evolução, sob orientação divina. A antiga revelação do Gênese mosaico engrandece agora surpreendentemente aos nossos olhos, ao recordarmos sua poética e singela linguagem a nos mostrar a ação divina operando a paulatina ordenação da desordenada massa cósmica na sucessão do tempo, os “dias” da criação.

    Evidentemente sempre vitorioso, esse dinamismo reconstrutor do universo desmoronado representa então a salvação de Deus, que, por amor, caiu junto com a criatura para resgatá-la do báratro de desordens em que se precipitou. É exatamente essa, a salvação pela graça divina, que foi definida nos Textos Sagrados, sobretudo no Novo Testamento, e concebida por elevada inspiração mediúnica de seus autores, como sabemos. Em luta contra a dor, a morte e o mal em todas as suas expressões, consequências diretas da queda, esse impetuoso impulso salvacionista, criador e organizador, soergue com êxito o espírito das cinzas de si mesmo, ajudando-o a refazer a organicidade perdida. E o faz por meio da longa e paciente elaboração evolutiva, no grande oceano do tempo, em seus quase intermináveis ciclos de vidas e renascimentos.


    Qual báratro de desordem? A desordem no mundo é apenas aparente! O mal é apenas a provisão de provas para uns e outros, entre uns e outros.


    Convidad
    Convidado

    Devaneios fora de órbita

    Mensagem  Convidad em Sex Ago 26, 2011 2:37 pm

    [quote]Evidentemente sempre vitorioso, esse dinamismo reconstrutor do universo desmoronado representa então a salvação de Deus, que, por amor, caiu junto com a criatura para resgatá-la do báratro de desordens em que se precipitou. É exatamente essa, a salvação pela graça divina, que foi definida nos Textos Sagrados, sobretudo no Novo Testamento, e concebida por elevada inspiração mediúnica de seus autores, como sabemos. Em luta contra a dor, a morte e o mal em todas as suas expressões, consequências diretas da queda, esse impetuoso impulso salvacionista, criador e organizador, soergue com êxito o espírito das cinzas de si mesmo, ajudando-o a refazer a organicidade perdida. E o faz por meio da longa e paciente elaboração evolutiva, no grande oceano do tempo, em seus quase intermináveis ciclos de vidas e renascimentos. (até aqui, citado)
    cyclops
    Isso me faz "devanear" sobre o princípio de Deus e a causa da queda do homem. Por que se resumiria em "fundamentalismo cristão x evolução espírita" as opções para a reintegração do homem a sua posse? Por que se multilaria o ego, a única prova espacial do homem no tempo de Deus? "Eu e o Pai somos Um". Mas este Eu maior é o Eu que o homem busca para reafirmar-se como filho. Ele é de fato um Eu caído, posto que era espírito e por uma desobediência talvez não premeditada, não arbitrada, ou quem sabe "iludido", tornou-se humano. Desta forma, concede-lhe Deus uma saga para si, uma oportunidade ímpar de trilhar os caminhos para Deus de olhos vendados... Cabe agora ao homem o seu próprio esforço não para a reconciliação pois este está cego, mas, para a sua reintegração! A cada aproximação com a Perfeição, o direito concedido pela conquista mediante o sensor Divino, uma oportunidade de percepção para reaver seus passos, o que fora capaz de construir em seu espaço, com seu talento, no mundo que Deus lhe permitira criar. O seu ego é o histórico de avaliação para Deus pois ao seu ego, Deus lhe concede também o direito de moldá-lo. Desta forma, teríamos na árvore do conhecimento a raíz para as duas formas de energia: uma para as Sombras e outra para a Luz. Apenas quando se tornasse em si mais intenso o desejar sincero à perfeição, o sensor Divino indicaria o quão carente do Pai, estaria o filho. Mas o que seria esta Perfeição de Deus visto o homem estabelecer de seus próprios conceitos a perfeição? Para esta questão, temos o Caminho, a Verdade e a Vida como respostas... o EU maior!
    "Ninguém se gloriará por suas próprias obras mas, pela abundância da Graça de Deus"!
    Abraços !

    Azuramaya

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    Re: O Conceito de Salvação em Pietro Ubaldi - Fundamentalismo Cristão e Doutrina dos Espíritos

    Mensagem  Azuramaya em Sex Ago 26, 2011 4:41 pm

    Crer na inssurreição causada pela independência "ad libitum" que o homem exerce no contato com a matéria, conforme Ubaldi e Freire, mas como?
    Nesse modelo percebemos a necessidade da individuação o que sempre amarra o homem ao egoísmo, porém dentro da esfera do que seria indivíduo (pura consciência "sat") e Universo externo a relação poderia ser diversa?

    Se a Mahat, a Mente Universal, não conhece o Universo, um jogo seria iniciado.
    Percebemos as duas esferas distintas. O nosso entendimento como foco de percepção e impressão totalmente separado do Universo como palco e razão da sua tentativa de pujança, como se um vaqueiro que tivesse de dominar um cavalo selvagem (conhecer e evoluir). Fica claro a tentativa de dominar, como se num jogo, onde o mundo externo seduz o "conhecedor" (Ãtman revestido de Manas e Kama) que busca interar-se com esse desconhecido Universo externo. As inúmeras armadilhas nessa relação levariam o "conhecedor" a se perder nas miragens e deleites sedutores. Com o tempo exíguo a etapa finda como uma estação e o sono letárgico ocorre (noite de Brahma) e a próxima etapa não tem relação com a anterior. A oitava da idéia estiva a própria reencarnação, quando o ego desaparece e o substrato do que foi incorporado permanece como conhecimento intuitivo atrelado às peias kàrmicas. Assim, a evolução prosseguiria na extensão da consciência em ampliação e previsivelmente haveria um ponto de exaustão ou equiparação com a própria Consciência que engendrara toda a maquinação.
    Òtimo, mas tudo isso pra que?

    O Princípio Criador ou Pensante estaria num jogo onde sua própria identidade não pudesse ser revelada?
    Sem ser Demiurgo tudo seria mais excitante?
    Como o Dono da fàbrica que pelos seus meandros perambula incógnito e sem lembranças do seu posto até que depois de funcionário por todos os postos ascender à gerência, vislumbrou todo o mecanismo que envolve a linha de produção que outrora concebera sem pensar, mas apenas volitiva e magicamente.
    Ótima forma de passar o tempo!

    Se preso na cela de Cronos, para não ficar insano com o tempo a consumir-lhe o jogo deveria acontecer. Note que o tempo é o agente que escraviza e magno.
    As idéias maniqueístas não me esclarecem, pois apesar da polaridade da Natureza, os opostos não existem como elementos reais, mas aparentes graus de uma mesma coisa que a todo momento teria a chance de anulação.
    O homem é mal definido e interpretado como "ente" mas o é apenas uma veste que define a posição do Universo em que a Mente quer estar como elemento do jogo.
    Por isso me imagino Deus sem saber.



    Por que tá me olhando assim... eu sou normal...! rsrsrs
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    Monstrinho

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    Re: O Conceito de Salvação em Pietro Ubaldi - Fundamentalismo Cristão e Doutrina dos Espíritos

    Mensagem  Monstrinho em Sex Ago 26, 2011 11:41 pm

    Azuramaya escreveu:
    Por que tá me olhando assim... eu sou normal...! rsrsrs

    Very Happy É como eu sempre digo: para ler os posts do Azu, temos que ter por perto um dicionário de "Azuramayês" Laughing

    Achei um trecho do Vivekananda que parece fazer coro com o artigo do Gilson Freire Rolling Eyes Será? Ele diz que só existe a Lei dentro do nosso Universo de causalidade, espaço e tempo. Que, raras são as almas que transcendem esse Universo, e que, a grande maioria, tem que "trabalhar", mas sem buscar resultados - essa seria uma forma de "evolução". E Vivekananda diz que tudo, desde o átomo até nós, trabalha em busca dessa transcendência.

    E, pergunto a todos, em que ficamos? Transcendência ou Imanência? Rolling Eyes (O velho problema da Filosofia Ocidental What a Face )

    Segue o texto do Vivekananda para apreciação de todos:

    Quarta parte

    A roda do mundo dentro de uma roda é um terrível mecanismo. Só há duas maneiras de se sair dela. Uma í abandonar toda preocupação com a máquina, deixá-la andar e ficar de lado - abandonar nossos desejos. Isso é muito fácil de dizer, mas quase impossível de fazer A outra maneira é mergulhar no mundo o aprender o segredo do trabalho. Não fujais das rodas da máquina-do-mundo, mas permanecei dentro dela o aprendei o segredo do trabalho. Através de trabalho adequado, feito no interior, também é possível realizar.

    Este universo é apenas uma parte da Existência infinita, atirada a um molde peculiar, composto de espaço, tempo e causalidade. Segue-se, necessariamente, que só pode existir lei dentro desse universo condicionado. Para além dele não pode haver lei alguma. Quando falamos do universo, queremos falar apenas daquela porção de Existência limitada pelas nossas mentes - o universo dos sentidos, que podemos ver, tocar, ouvir, conjeturar, imaginar. Só esta porção está. sob lei; mas além dela, a Existência não pode estar sujeita à lei, porque a causalidade não se estende para além do mundo das nossas mentes. O que quer que fique para além do âmbito de nossa mente e de nossos sentidos, não está preso à lei de causalidade, pois não há associação mental de coisas na região além dos sentidos, nem causalidade nem associação de idéias. Só quando o Ser ou Existência se amolda em nome e forma é que obedece à lei de causalidade e se diz estar sujeito à lei, porque toda a lei tem sua essência na causalidade.

    Vemos, portanto, que não há essa coisa a que chamam livre arbítrio. As próprias palavras são uma contradição, porque a vontade é o que conhecemos, e tudo quanto conhecemos está dentro do nosso universo, e tudo quanto está dentro do nosso universo é moldado pela condição de espaço, tempo e causalidade. Tudo quanto sabemos, ou podemos chegar a saber está sujeito à causalidade, e o que obedece à lei de causalidade não pode ser livre. Recebe a influência de outros agentes e, por sua vez, torna-se uma causa. Mas aquilo que foi convertido em vontade, e que antes não era vontade, mas que, quando cai no molde espaço, tempo e causalidade, converte-se em vontade humana, é livre. E quando essa vontade sai para fora do molde de espaço, tempo e causalidade, é livre de novo. Da liberdade ela vem, amolda-se a esse cativeiro, e dele sai e regressa de novo à liberdade.

    Tem-se indagado de quem procede este universo, em quem ele repousa, e para quem ele vai. E tem-se respondido que ele vem da liberdade, repousa no cativeiro, e volta à liberdade, novamente. Assim, quando falamos do homem como do Ser infinito que se manifesta, queremos dizer que apenas uma partícula disso é homem. Este corpo e esta mente que vemos são apenas uma parte do todo, apenas um ponto do Ser infinito. Este universo todo é apenas uma partícula do Ser infinito e todas as nossas leis, nossos cativeiros, nossas alegrias e nossos desgostos, nossas expectativas estão apenas dentro deste pequeno universo. Toda a nossa progressão e regressão estão dentro de seu pequeno perímetro.

    Para adquirir a liberdade devemos transpor as limitações deste universo. Não pode ser encontrada aqui. Equilíbrio perfeito, ou o que os cristãos chamam paz que ultrapassa toda compreensão, não pode ser adquirida neste universo, nem no céu, nem em parte alguma onde nossa mente e pensamentos possam atingir, onde os sentidos possam sentir, ou que a imaginação possa conceber. Tal lugar não nos pode dar liberdade, porque todos os lugares assim estariam dentro do nosso universo, e nosso universo é limitado pelo espaço, tempo e causalidade. Pode haver lugares que sejam mais etéreos do que esta nossa Terra, onde os prazeres sejam mais agudos, mas mesmo esses lugares estarão dentro do universo, e portanto, sob o cativeiro da lei. Assim, temos de ir além, e a verdadeira religião começa onde o universo termina.

    Aqui terminam essas pequenas alegrias e desgostos e esse conhecimento das coisas, e começa a Realidade. Enquanto não abandonarmos a sede de viver, o forte apego a essa nossa existência transitória, condicionada, não teremos esperança de obter sequer um relance daquela infinita liberdade do além.

    A razão percebe, então, que há apenas uma maneira de obter aquela liberdade, meta de todas as mais nobres aspirações da humanidade, e essa maneira é renunciando esta pequena vida, renunciando este pequeno universo, renunciando esta terra, renunciando o céu, renunciando o corpo, renunciando a mente, renunciando tudo quanto é limitado e condicionado. Se renunciar-mos nosso apego a este pequeno universo dos sentidos e da mente, imediatamente seremos livres. A única forma de sair do cativeiro é transcender as limitações da lei, transcender a causalidade.

    É, porém, uma coisa muitíssimo difícil renunciar ao apego a este universo. Poucos já o conseguiram. Há duas maneiras de fazer isto, mencionadas em nossos livros. Uma é chamada a Neti, neti (Isso não, isso não). A outra é chamada Iti (Isto). A primeira é a forma negativa, e a segunda é a forma positiva. A forma negativa é a mais difícil. Só é possível para homens de altíssimas mentes e vontade gigantesca, que apenas se erguem e dizem - "Não, não receberei isto". E a mente e o corpo obedecem à sua vontade, e eles têm sucesso. Mas essas pessoas são muito raras. A vasta maioria da humanidade escolhe a maneira positiva, o caminho através do mundo, fazendo uso de todos os cativeiros para romper esses mesmos cativeiros. Essa é também uma forma de renúncia, feita tão-só lenta e gradualmente, através do conhecimento das coisas, do gozo das coisas, obtendo-se assim experiência e conhecendo a natureza das coisas até que, afinal, a mente as deixe partir todas e se torne desapegada.

    A primeira forma de obter o desapego é através do raciocínio, e a última é através da ação e da experiência. A primeira é o caminho da Jnana-Yoga, que se caracteriza pelas ações práticas. Todos devem trabalhar no universo. Somente aqueles que estão perfeitamente satisfeitos com o Eu, cujos desejos não vão além do Eu, para quem o Eu é tudo - só esses não trabalham. O resto deve trabalhar.

    Uma corrente d'água precipitando-se de seu leito normal, tomba num vácuo e forma um remoinho. Depois de fluir um pouco nesse remoinho, emerge novamente sob a forma de corrente livre, continuando então sem tropeços. Cada vida humana é como essa corrente. Tomba no remoinho e fica envolvida neste mundo de espaço, tempo e causalidade. Rodopia um pouco exclamando: "meu pai, meu irmão, meu nome, minha fama -, etc., e, finalmente, dele emerge livre, obtendo mais uma vez sua liberdade original. Todo o universo está fazendo isso. Saibamos ou não, sejamos ou não conscientes disso, todos estamos trabalhando para sair do sonho do mundo. A experiência do homem no mundo é feita para possibilitar-lhe a saída de seu remoinho.

    Que é Karma-Yoga? P, o conhecimento do segredo da ação. Vemos que todo o universo trabalha. Para quê? Para a salvação, para a liberdade. Desde o átomo até o mais alto ser, trabalham todos para o mesmo fim: liberdade para a mente, para o corpo, para o espírito. Todas as coisas estão tentando conseguir liberdade, fugindo ao cativeiro. O Sol, a Lua, a Terra, os planetas - todos estão tentando escapar do cativeiro. As forças centrífugas e centrípetas da natureza são, realmente, típicas do nosso universo.

    Para encontrar saída do cativeiro do mundo, temos de atravessá-lo lenta e seguramente. Pode haver pessoas excepcionais, das quais acabei de falar, que conseguem ficar de lado e abandonar o mundo, como a cobra que abandona sua pele e fica a olhar para ela, ali ao lado. Não há dúvida que esses seres excepcionais existem. O resto da humanidade, porém, deve ir lentamente, através do mundo do trabalho. Karma-Yoga mostra o processo, o segredo e o método de fazer isso com os melhores resultados.

    Que diz ela? Trabalhai incessantemente, mas abandonai todo o apego ao trabalho. Não vos identifiqueis com coisa alguma. Mantende vossa mente livre. Tudo isso que vedes - as dores e as angústias - são apenas condições necessárias neste mundo, Pobreza, riqueza e felicidade, são momentâneas, apenas. Não pertencem absolutamente à nossa natureza verdadeira. Nossa natureza está muito além da angústia e da felicidade, além de qualquer objeto dos sentidos, além da imaginação. Ainda assim, devemos continuar trabalhando todo o tempo. A angústia surge do apego, não do trabalho. Assim que nos identificamos com o trabalho que fazemos, sentimo-nos angustiados, mas se não nos identificarmos com ele, não sentiremos essa angústia. Se um belo quadro pertencente a outra pessoa se incendeia, um homem geralmente não se torna angustiado, mas quando é seu próprio quadro que se queima, quão angustiado ele se sente! Por quê? Ambos eram quadros muito belos, talvez cópias do mesmo original, mas num caso é muito maior a angústia sentida do que no outro. Isto se dá porque num caso ele se identifica com o quadro, e no outro caso não.

    Esses "eu e meu" causam toda a angústia. Com o senso de posse vem o egoísmo, e o egoísmo traz angústia. Todo o ato ou pensamento egoísta torna-nos apegados a algo, e imediatamente nos tornamos escravos. Portanto, Karma-Yoga diz-nos que goze-mos a beleza de todos os quadro do mundo, mas não nos identifiquemos com nenhum deles. Nunca digais "meu". Sempre que dizemos de uma coisa que é "minha", a angústia aparece imediatamente. Não digais sequer - meu filho", em vossa mente. Se o fizerdes, virá a angústia. Não digais "minha casa", não digais "meu corpo". Toda a dificuldade está aí. O corpo nem é vosso, nem meu, nem de ninguém. Esses corpos vêm e vão segundo as leis da natureza, mas nós somos livres, permanecendo alheios como testemunhas. Este corpo não é mais livre do que um quadro numa parede. Por que nos apegaríamos tanto a um corpo? Se alguém pinta um quadro, faz isso e passa. Não projetais o tentáculo de egoísmo que diz: "devo possuir isso". Assim que ele é projetado, tem início a angústia.

    Aqui estão duas formas de desistir de todo o apego. Uma é para os que não acreditam em Deus ou em qualquer auxílio exterior. Esses são deixados aos seus próprios recursos, e têm, simplesmente, que trabalhar com sua própria vontade, com os poderes de suas mentes e discernimento, dizendo: "Não devo ser apegado". Para os que acreditam em Deus, há um outro caminho, que é muito menos difícil, Eles dedicam os frutos do trabalho ao Senhor. Trabalham e jamais se apegam aos resultados. O que quer que vejam, sintam, ouçam ou façam, é para Ele. Para qualquer bom trabalho que nos aconteça fazer, não reclamemos louvores ou benefícios. O trabalho pertence ao Senhor, e os frutos devem ser entregues a Ele. Fiquemos de lado, e pensemos que somos apenas servos, obedecendo ao Senhor, nosso Mestre, e que cada impulso para a ação nos vem d'Ele a cada momento. O que quer que cultueis, o que quer que compreendais, o que quer que façais - ofertai tudo a Ele, e ficai em paz.


    IN: "Quatro Yogas de Auto-Realização", Swami Vivekananda.

    E aí? O que acham? Esse texto do Vivekananda vai ao encontro do artigo do Gilson Freire ou o Vivekananda está querendo dizer outra coisa? Pois, ele próprio dissera, nos textos anteriores, que não existe "esse Universo" e "outro Universo"...

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    Monstrinho

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    Re: O Conceito de Salvação em Pietro Ubaldi - Fundamentalismo Cristão e Doutrina dos Espíritos

    Mensagem  Monstrinho em Sex Ago 26, 2011 11:55 pm

    Olá Diana!

    Diana escreveu:Mas este Eu maior é o Eu que o homem busca para reafirmar-se como filho. Ele é de fato um Eu caído, posto que era espírito e por uma desobediência talvez não premeditada, não arbitrada, ou quem sabe "iludido", tornou-se humano.
    Tornou-se humano ou acredita que é humano? Rolling Eyes

    Diana escreveu:Desta forma, concede-lhe Deus uma saga para si, uma oportunidade ímpar de trilhar os caminhos para Deus de olhos vendados...
    Qual seria essa "oportunidade ímpar"? E, "trilhar os caminhos para de Deus de olhos vendados" seria o que?


    Diana escreveu:Cabe agora ao homem o seu próprio esforço não para a reconciliação pois este está cego, mas, para a sua reintegração!
    Gostei dessa parte: a reintegração seria a tomada de consciência do Espírito (Doutrina Espírita) ou a retomada dessa consciência? (Pietro Ubaldi e Gilson Freire)


    Diana escreveu:"Ninguém se gloriará por suas próprias obras mas, pela abundância da Graça de Deus"!
    Abraços !
    Sim, concordo, mas então, não haveria a possibilidade de os Espíritos escolherem viver no egoísmo e terem que demandar o Anti-sistema de Pietro Ubaldi não acha??


    Abçs,



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    Re: O Conceito de Salvação em Pietro Ubaldi - Fundamentalismo Cristão e Doutrina dos Espíritos

    Mensagem  Convidad em Sab Ago 27, 2011 2:30 pm

    Interessante! Eu também me considero normal mas às vezes sinto que trafego por uma órbita de anormalidades... Sad

    Diana escreveu:
    Cabe agora ao homem o seu próprio esforço não para a reconciliação pois este está cego, mas, para a sua reintegração!
    Gostei dessa parte: a reintegração seria a tomada de consciência do Espírito (Doutrina Espírita) ou a retomada dessa consciência? (Pietro Ubaldi e Gilson Freire)


    Diana escreveu:
    "Ninguém se gloriará por suas próprias obras mas, pela abundância da Graça de Deus"!
    Abraços !
    Sim, concordo, mas então, não haveria a possibilidade de os Espíritos escolherem viver no egoísmo e terem que demandar o Anti-sistema de Pietro Ubaldi não acha??

    Sinto que há um engano, ou ilusão executada no mundo dos homens originária de uma verdade do mundo de Deus. A reintegração seria nada mais que vencer estas ilusões e restaurar em si mesmo o espírito e a consciência verdadeira do ser.

    Quanto aos Espíritos que escolheram viver no egoísmo, penso que não tinham a capacidade de arbitrar e/ou opção de recusar o arbítrio diante das escolhas. Para mim, livre-arbítrio nas questões de Deus nada mais é que uma forma de se encarcerar, ainda que de forma inconsciente, no universo que você diz se chamar de "Universo das causalidades". Transcender deste Universo marcado pelas "heranças espirituais e ideológicas" que nos legaram certos espíritos , só Imanando em um Espírito Superior". Eu sinto que Cristo é a porta mas que não conseguimos abrir sem esforços...
    Abraços!
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    Re: O Conceito de Salvação em Pietro Ubaldi - Fundamentalismo Cristão e Doutrina dos Espíritos

    Mensagem  Azuramaya em Sab Ago 27, 2011 6:45 pm

    Grato Monstrinho!
    Os ecos de Vivekananda ressoam há muito e nessa horas é sempre bom mais uma vez ouvir essa voz interna que nos assola e faz ser mais do que homens, aliás, com uma só boca e dois ouvidos!
    O Olho aberto de Dangma!

    Lindo! Mas também ouvindo isso, tudo é perfeição!

    http://www.youtube.com/watch?v=g8FPt6Ak4yo&feature=related
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    Monstrinho

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    Re: O Conceito de Salvação em Pietro Ubaldi - Fundamentalismo Cristão e Doutrina dos Espíritos

    Mensagem  Monstrinho em Dom Set 04, 2011 2:05 am

    Azuramaya escreveu:
    O "ego" parce ser o instrumento e não o fim da evolução ou a condução para a salvação. É interessante ver que a maioria das pessoas que admite a reencarnação imagina que quem reencarna é o "ego", sem a menor idéia de que até mesmo o corpo-causal pouco tem de identidade. A própria noção de Sangsara e Nirvana não é alcançada por causa da impossibilidade de se enxergar sem ser por meio do ego.

    Interessante essa observação sua. O "Corpo-causal" seria o próprio Self ou o próprio Espírito? Obviamente que, se o Espírito é criado perfeito e tem a necessidade de se reencarnar, é porque ele não tem conhecimento da sua identidade. De outro modo, porque o Espírito deveria ser submetido à dualidade, para primeiro construir uma identidade a partir do ego, e, talvez inexplicavelmente ter a dura tarefa de descobrir que esse ego é uma falsa identidade, para só após, ter o conhecimento da sua identidade enquanto "corpo-causal"? Shocked

    Fico com a opinião de que, a sujeição dos Espíritos a esses mundos inferiores, em que é preciso a existência da dualidade, não se dá por outro motivo que não o auto-conhecimento da própria identidade do Espírito - logo, o Espírito não sabe o que é. E por que isso? No Livro dos Espíritos é argumentado que o Espírito não teria mérito próprio, se ele já fosse criado com plena consciência da sua natureza divina, e por isso lhe é dado "escolher entre o bem e o mal".

    Essa seria, enfim, a justificativa da reencarnação? Estou certo ou falei besteira? Mad Rolling Eyes

    Abçs,

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    Monstrinho

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    Re: O Conceito de Salvação em Pietro Ubaldi - Fundamentalismo Cristão e Doutrina dos Espíritos

    Mensagem  Monstrinho em Dom Set 04, 2011 2:16 am

    Azuramaya escreveu:Grato Monstrinho!
    Os ecos de Vivekananda ressoam há muito e nessa horas é sempre bom mais uma vez ouvir essa voz interna que nos assola e faz ser mais do que homens, aliás, com uma só boca e dois ouvidos!
    O Olho aberto de Dangma!

    Lindo! Mas também ouvindo isso, tudo é perfeição!

    http://www.youtube.com/watch?v=g8FPt6Ak4yo&feature=related

    Poxa!! Por que não postou o vídeo? Sad O farei, ói só Very Happy :



    Wink

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    ENTRANDO NA CONVERSA DE DIANA E MONSTRINHO, DE 27/08/2011

    Mensagem  Convidad em Ter Set 06, 2011 7:18 pm


    Entrando na conversa entre a nova amiga Diana e o amigo Monstrinho, de 27 agosto, 12:55 am..

    Diana escreveu:Mas este Eu maior é o Eu que o homem busca para reafirmar-se como filho. Ele é de fato um Eu caído, posto que era espírito e por uma desobediência talvez não premeditada, não arbitrada, ou quem sabe "iludido", tornou-se humano.

    Cel: a nova amiga, Diana, me permita colocar algumas palavras: o homem (vamos dizer, espírito encarnado; não espirito), só busca qdo compreende e, como consequencia de haver compreendido, procura escapar da armadilha q é a vida, como interpretada polo ego. O espirito nada busca pois, se assim fizesse, seria o buscador buscando a si mesmo.

    O espírito é puro e perfeito, pois se confunde com “o” Espirito, com aquilo a q damos o nome de Deus. ( espirito + ego = homem; homem - ego = espirito). Só existe uma Mente, Consciencia universal, e nós, espiritos ilusóriamente separados e independentes, somos essa única Mente. Essa é a percepção e o entendimento de todos os místicos e, hoje, da ciencia mais avançada do planeta. A consciencia una está em tudo e é tudo (o q nada tem a ver com o panteísmo, pois este é apenas uma filosofia, produto da elocubrações mentais); esse entendimento vem de desde séculos ou milenios antes do cristianismo, até os dias de hoje, resultado, não do exercicio mental, mas de inúmeras experiencias realizadas por místicos orientais e ocidentais. Experiencias q são identicas (uma só) tenham ocorrido há milhares de anos ou agora, e aqui ou do outro lado do mundo; experiencia q foi batizada por notáveis, como Einstein e Jung, como “experiencia de concordância universal” (tb sempre foi compreendida assim pelos místicos e sábios).

    A consciencia está em tudo e é tudo, como dito acima e como disse Paulo. Assim, onde existir um ser cerebrado, por ele se manifesta; daí as gigantescas desigualdades entre humanos e entre não humanos.

    Toda manifestação, de qualquer teor q seja, é manifestação de Deus. Deus está m tudo e é tudo. Assim, qdo o discípulo perguntou ao mestre o q é procurar Deus, o mestre respondeu: “É cavalgar o boi para ir procurar o boi”. E, como ensinou Paulo: “Ele está acima e abaixo, à direita e à esquerda, à frente a atrás, dentro e fora”; já está aqui mas não sintonizamos essa realidade devido à estática do ego.


    Diana escreveu:Desta forma, concede-lhe Deus uma oportunidade ímpar de trilhar os caminhos para Deus de olhos vendados...

    Cel: nenhuma oportunidade concedida por Deus; a vida está apenas fluindo sem cessar e nós, cerebrados ou não cerebrados, somos levados em sua correnteza, cujo destino é incerto, como são imprevisiveis seus obstáculos. Não existe um objetivo, uma finalidade, um plano; apenas tudo é como é, como o universo é como é e como Deus é como é. Tudo já é perfeito, como é (muito embora não saibamos o q é ser perfeito); mas esse é o testemunho de misticos e sábios q compreenderam porq conheceram a verdade q liberta, como disse Jesus. Toda imperfeição é aparente, ilusória e tantas vezes, por acreditarmos q seja real, nos decepcionamos e sofremos devido a ela. O Ser é perfeito, o espirito é perfeito; toda imperfeição vem da interpretação equivocada do ego.


    Diana escreveu: Cabe agora ao homem o seu próprio esforço, não para a reconciliação pois este está cego, mas, para a sua reintegração!

    Cel: e o homem somente colocará esforço para esse empreendimento, não porq religiões, mestres, mandamentos ensinam q devem ou precisam colocar, mas tão somente (qdo e) porq lhe desperta, por sua ânsia de se libertar, a compreensão profunda de q não há saída para os problemas do mundo, nem nas ciencias, nem nas filosofias, psicologias, crenças e religiões, senão eliminar o ego; desfazimento do único obstáculo para a percepção de q “eu e o Pai somos um”.


    Diana escreveu:"Ninguém se gloriará por suas próprias obras mas, pela abundância da Graça de Deus"!

    Cel: não existem “obras próprias”, pois todas elas são consequencia do movimento da vida. Os homens nem mesmo podem reivindicar a paternidade de suas (aparentemente, ilusóriamente suas) obras. Por isso, o místico Paulo afirmou: “É o Senhor que opera em nós o pensar e o fazer”, “senhor” significando esse irresistivel movimento do universo, da vida, q a tudo arrasta e leva os seres, ou para “jardins floridos”, ou para “fétidos lodaçais”. Essa é a vida e nada podemos lhe opor, senão o esforço para eliminar o ego. Assim, eqto o ego está ainda operando, de nada adiantam orações, intenções, desejos, remorsos, pedidos de perdão, ou reclamar, ou propor negociações com a divindade. Por isso, outro sábio aconselhou: “Para viver melhor ante as dificuldades da vida, uma boa dose de humor e uma boa dose de indiferença”.

    Para reflexão dos amigos, outras palavras de Paulo: “Não é por vossas obras q sereis salvos, mas pela graça de Deus”.

    Abraços !



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    Re: O Conceito de Salvação em Pietro Ubaldi - Fundamentalismo Cristão e Doutrina dos Espíritos

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