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    SE VOCÊ MEDITAR O MUNDO SERÁ MELHOR

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    coronel

    Mensagens : 4
    Data de inscrição : 28/11/2012

    SE VOCÊ MEDITAR O MUNDO SERÁ MELHOR

    Mensagem  coronel em Sab Jan 05, 2013 7:53 pm


    (2) SE VOCÊ MEDITAR, O MUNDO SERÁ MELHOR (2006)

    O objetivo deste trabalho é tentar fazer compreender, como já compreenderam expoentes de nossa ciência mais avançada, a física quântica, que, o que pode nos levar à percepção do Sagrado, não são as religiões e crenças populares, mas o misticismo milenar, através da meditação. Como disse Krishnamurti, sábio contemporâneo: “As religiões impedem o acesso à Verdade”. E, ainda: “Aquele que se liga a religiões populares ou organizadas segundo escritos ditos sagrados é imaturo”.
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    - Acabar com todas as ilusões.
    Dizem q as pessoas precisam de ilusões, de esperanças, de consolo, de alguma coisa em que se agarrar... e todos vivem cheios de ilusões. Afinal, quem não está com a cabeça cheia de idéias, opiniões, ideais, suposições, crenças e esperanças em tantas coisas que nem sabe se, realmente, são verdades ou se algum dia vão acontecer?
    O que é isso a que damos o nome de Deus, céu, inferno, pecado, umbral, carma, espírito, alma, salvação, sacramento, reencarnação, ressurreição, aperfeiçoamento espiritual, santidade? Temos total certeza de que essas coisas são verdades absolutas só porque acreditamos que sejam, porque ouvimos falar sobre elas?
    Afinal, ilusões não existem na realidade; apenas na imaginação das pessoas!
    - A busca de Deus. A importância do assunto.
    O assunto de hoje: a busca da compreensão daquilo a que damos o nome de Deus. É possível que muitos estranhem o que vou falar, mas isso será, talvez, devido aos preconceitos. Estamos tão acostumados a ouvir, pensar e ler coisas tão diferentes que, talvez, achem até absurdo o que vão ouvir aqui.
    Primeiramente, o fato é que nós não damos atenção aos ensinamentos daqueles homens que atingiram o que chamamos de “reino de Deus” (ou reino dos céus, iluminação, consciência cósmica, consciência crística, consciência búdica, nirvana, samadhi, satori, e assim por diante, conforme a cultura de cada povo). Não damos quase nenhuma atenção àquilo que tentaram nos ensinar esses homens que tanta influência tiveram na história dos povos, na formação das civilizações porque, do que eles falaram, nasceram todas as religiões e crenças que existem até hoje!
    Não damos atenção às palavras q esses homens de mente aberta, iluminada, como, por exemplo, Jesus, nos deixaram. Achamos que esses assuntos são apenas para determinados momentos, como as cerimônias e festas religiosas, o culto do domingo e certas crises.
    No entanto, como estamos errados em pensar assim! Este assunto é importantíssimo, muito mais do que podemos imaginar com o que as religiões nos ensinam. Estas sempre nos deixam com muitas dúvidas, e não enfatizam as necessidades do homem em relação ao Sagrado.
    - Preconceito.
    Mas, para perceber como estamos enganados, temos de abandonar o maior obstáculo que existe em nosso caminho: o preconceito. Preconceito é achar que uma coisa é boa ou má, se serve ou não serve, mesmo sem conhecê-la, sem saber se, realmente, devemos aceitá-la ou não. É pensar que já sabemos tudo o que precisamos saber e, assim, recusar tudo o mais.
    O que faz com que não acreditemos plenamente nas palavras dos pregadores, ou das escrituras das religiões, é que sempre nos restam muitas dúvidas. Isso ocorre porque ainda não tivemos a experiência que os chamados iluminados tiveram, experiência q acaba com todas as dúvidas e nos leva a saber o que é fato e o que é ilusão, o que é verdadeiro e o que é falso, por experiência própria.
    - Conclusões da ciência moderna.
    Depois que a ciência mais avançada do mundo, a física quântica, concluiu que as meditações das tradições orientais podem levar a estados elevados de consciência, estados que, até há pouco tempo, nem eram considerados pela ciência ocidental, nos quais podemos entrar numa condição de felicidade indescritível, chamada de “bem-aventurança” pelos místicos e iluminados, muitos cientistas, psicólogos, religiosos e estudantes praticam técnicas de meditação.
    Mas, o objetivo dessa meditação não é, como acreditamos no ocidente, acabar com o estresse ou trazer saúde para o corpo. É muito mais do que isso: é perceber, conhecer a verdade; é conhecer o que ou quem realmente somos; conhecer aquilo a que damos o nome de “eu”, aquilo a que damos o nome de Deus.
    - Se realmente desejamos compreender está tremenda e incompreensível confusão q é a vida, seu significado, seu sentido; se queremos compreender o que é Deus e sentir o que os iluminados sentiram – bem-aventurança, serenidade e sabedoria -, vamos perceber que não podemos ficar só nas orações, nos pedidos aos céus, nas leituras de textos ditos sagrados, no comparecer aos cultos e rituais; nem no ouvir sermões emocionantes, ou nas promessas, confissões e comunhões.
    Todas essas coisas não passam de exterioridades, artificialidades, criações dos homens, como também o são as cerimônias e festas religiosas; músicas e cânticos sacros; vestes, posturas e gestos ritualísticos, incenso e velas acesas, atitudes e procedimentos em benefício dos semelhantes.
    - Exterioridades levam a nada.
    Como ensinam os iluminados, e as próprias escrituras cristãs, Deus nunca é encontrado nas exterioridades, nas coisas superficiais. As respostas que procuramos e Deus só podem ser encontradas em nossa interioridade mais profunda.
    Assim, se desejamos compreender o que é a vida, o que é o “eu”, e sentir Deus, isso requer muito mais... Requer que penetremos no sentido da vida total, requer que busquemos com perseverança, e que, em total silêncio, entremos em nosso próprio interior, porque o “reino de Deus já está dentro de nós” como ensinaram Jesus, Paulo e outros.
    - O que as religiões organizadas nos dão.
    As religiões organizadas, as populares, apenas nos dão pequenos momentos de satisfação, de alívio psicológico (como um refrigerante num momento de calor; o efeito passa e o calor volta). Nunca nos levam para uma compreensão total que é necessária para que fiquemos completa e definitivamente livres de todo sofrimento e de toda ignorância.
    Vejam: nós nem sabemos quem somos, porque existimos, porque estamos aqui, porque sofremos. Para todas as perguntas que fazemos sobre isso, nunca encontramos respostas que nos satisfaçam plenamente.
    E onde começam as dúvidas que nos deixam sempre insatisfeitos? Nas próprias escrituras cristãs! Um exemplo: o Antigo Testam nos mostra um Deus impaciente, vingativo, parcial, orgulhoso, nervoso e cruel; o Novo Testam nos fala de um Deus de misericórdia e de amor. Pelo AT, Deus era impiedoso e agia de modo a dar medo aos judeus. Já, no NT, Deus se torna um Pai amoroso. Mas, segundo certas crenças, esse Pai amoroso, ainda pune, com severidade, e por toda a eternidade, aqueles que não obedecem suas ordens.
    - O Deus das religiões organizadas e o Deus Real.
    Observem: o Deus das religiões populares, das religiões organizadas, é o Deus dos rituais e das cerimônias; é o Deus “inatingível”, ou só “atingido” pelos chamados “santos”. É um Deus que está num céu hipotético, longe de nós, ele lá, nós aqui; que, num julgamento também hipotético, premia os seres humanos que obedecem suas leis, e pune aqueles que não obedecem; é um Deus que não consegue derrotar o mal q leva com ele inúmeras almas, mostrando que, nem sempre, Deus tem poder sobre o mal.
    Esta é a visão que as religiões populares, em geral, nos dão de Deus. Uma visão pobre e mesquinha.
    Ao passo que o Deus real é o Deus que não conhecemos (há religiões, que lhe dão mais de “mil” nomes, pois nenhum o representa); é o Deus que, pensamos, criou o Universo, todas as coisas que existem; que não elege um povo para explorá-lo; que está em todo lugar, não longe de nós, mas dentro e fora de nós, como afirmaram Jesus, Paulo e outros; é o Deus que opera todas as coisas; que cria e destrói incessantemente e que, como ensinam os sábios, podemos vir a conhecer desde que nos esqueçamos de nós mesmos, nos momentos de meditação.
    Esse é o Deus que não está só nas palavras dos sacerdotes e ministros, ou nos templos; nem nos rituais, cerimônias e orações; é o Deus cujo percebimento nos revela, como disse Jesus, a verdade de que “eu e o Pai somos um”. É o Deus que está dentro de nós e que, assim, não precisamos de intermediários, como “santos”, sacerdotes, gurus, pastores, espíritos e médiuns para alcançá-lo. É o Deus, cujo percebimento, acaba com toda ignorância, nos coloca numa condição de extrema felicidade, amor incondicional e sabedoria, e nos liberta de todos os sofrimentos, como afirmam os místicos e como afirmou Jesus.
    - Capra e Krishnamurti.
    Fritjoff Capra, renomado físico quântico, ouviu o místico Krishnamurti afirmar que, se queremos o “aperfeiçoamento” espiritual, ou encontrar Deus, temos de fazer cessar o pensamento e o raciocínio.
    Ele ficou perturbado; estava começando a carreira de cientista e, para o cientista, pensamento e raciocínio são ferramentas essenciais.
    Capra perguntou: “Como posso ser um cientista se tenho de fazer cessar o pensamento e o raciocínio?”.
    Krishnamurti respondeu: “Primeiro, você não é um cientista, você é um ser humano; depois, você é um cientista. Primeiro você tem de se libertar de todos os problemas, ignorância, dúvidas e conflitos e essa libertação não é alcançada nem pelo pensamento, nem pelo raciocínio. Ela é vem da meditação, que traz a compreensão da totalidade da vida, sem qualquer forma de fragmentação. Uma vez que você tenha compreendido a totalidade da vida, pode se especializar como cientista, sem qualquer problema”.
    - A totalidade da vida. Jesus e Gautama.
    O que quis Krishnamurti quis dizer com “Compreender a totalidade da vida”? Não será isso o que aconteceu com Jesus, com Gautama e com outros?
    Vejam: a história conta que Gautama (que, mais tarde, seria “o Buda”) só conhecia o luxo, fartura, facilidades de todo tipo. Isso era a parcela de vida que ele conhecia, seu fragmento de vida; não a vida total.
    Quando, um dia, deixou o palácio, veio a conhecer as misérias do mundo: sofrimento, doença, fome, injustiça, dificuldades de todo tipo, a outra parte da vida que ele ainda não conhecia.
    Perturbado e penalizado com aquilo, e tentando compreender como Brama, o Criador, permitia contrastes tão grandes, entregou-se à meditação e se iluminou; tornou-se um Buda, que quer dizer o Desperto, aquele que abriu os olhos e q pode ver, a quem chegou a luz, que está iluminado, que compreendeu.
    Com Jesus (mais tarde, “o Cristo”), deve ter acontecido coisa semelhante. Ele nasceu e cresceu numa terra dominada pelos romanos e oprimida pela nobreza da própria terra. Desde criança, sentiu a revolta do povo sujeito a todo tipo de exploração e abuso, enquanto os romanos e a nobreza judia viviam no luxo e na fartura. Jesus, como Gautama, deve ter tentado compreender esses tremendos contrastes. Como o Deus-Pai permitia tanta desigualdade, injustiça e sofrimento? Por isso deve ter meditado e, finalmente, chegou à iluminação; tornou-se um Cristo, um Buda, isto é, despertou, tornou-se um iluminado.
    - Costume ou indiferença.
    Parece que nós nos acostumamos e nem percebemos que nem tudo vai bem. Muitos estão sofrendo, enquanto outros vivem no gozo e na fartura. A maioria aceita a vida como ela é, e a vida continua. Jesus e Gautama não devem ter aceitado essa condição de injustiça e de desigualdade. Devem ter tentado compreender por que uns gozam enquanto outros sofrem. Talvez, assim, tivessem chegado a perceber a totalidade da vida, isto é, seu fragmento de vida e o fragmento dos demais.
    - Ação dos homens e ação de Deus.
    Devem ter percebido, então, não só o sofrimento vindo da ação dos homens, mas, também, o sofrimento causado pela ação da natureza, desastres naturais, doenças e tantas coisas mais que não vêm da ação do homem. E, parece, então, que vêm da ação daquilo a que chamamos Deus.
    - Os fatos mostram: não existe igualdade, nem justiça.
    Será que isso é compreender a totalidade da vida? Não ficar preso à maneira em que você vive, mal ou bem, mas tentar conhecer como toda a vida é? Como a vida é com todos os seres? Quando ficamos presos apenas ao nosso modo de viver, quando não alargamos nossos horizontes para compreender a vida total, permanecemos cegos, mergulhados apenas em nosso fragmento de vida.
    Mas, a vida, quando é observada friamente, sem preconceitos, mostra muito mais, que há dor e sofrimento, mesmo que, conosco e com os nossos, tudo possa estar bem. Mostra que há misérias desconhecidas, que há muitas coisas que parecem erradas, e que, pelo q os fatos mostram, não existem igualdade ou justiça, nem na ação do homem, nem na ação da natureza (no “Tao Te Ching”, já dizia Lao Tse, 600 a.C: “O que se passa no mundo mostra, àquele que está acordado, a total desapiedade dos acontecimentos”).
    - Avaliações x Fatos.
    Observem q esses contrastes existem em todo lugar. Mas, não tirem conclusões apressadas, não façam julgamentos, nem comparem o que estou dizendo com qualquer outra coisa que vocês já ouviram, pensaram ou leram. Só observem se são ou não são fatos... Só isso!... Não julguem, porque julgamentos não são fatos; julgamentos são apenas avaliações e a avaliação de uma pessoa pode ser completamente diferente da avaliação de outra. Mas, fatos são sempre fatos.
    - Como sair da escuridão.
    Pois bem, observando a vida, dentro e em torno de nós e nas notícias que chegam sobre o mundo, mais ficamos convencidos de qual é a solução para sairmos da escuridão em que estamos mergulhados. E, conforme os místicos (isto é, os buscadores de Deus) e os iluminados de todas as partes sempre afirmaram e, hoje, os cientistas quânticos e psicoterapeutas dos mais respeitados do mundo, essa é a única solução!...
    - Vida de lutas e de compromissos.
    A vida é cheia de lutas e compromissos difíceis e desgastantes. Lutas de todo tipo: pela saúde; para conseguir “aquele” emprego; para se habilitar a uma profissão; para criar os filhos; para suprir a família; para atender às obrigações profissionais. E mais lutas para disputar afetos e os primeiros lugares nessa competição sem fim, do dia-a-dia, de tentarmos nos igualar, ou ultrapassar os que têm mais do que nós (um trabalho mais bem remunerado, um carro mais novo, uma casa melhor, um corpo mais forte ou mais bonito), e tantas coisas mais que a inveja, a ambição, a capacidade de inventar e o enorme desejo de imitação do homem trouxeram...
    E, como eu dizia, a única solução para sair dessa escuridão é a ensinada pelos místicos e pelos iluminados de todos os tempos, por aqueles homens que conheceram aquilo que, na verdade, o ser humano é.
    - Caminhada para a morte. A única certeza.
    Observada friamente, a vida nada mais é do que uma caminhada para a morte. A única coisa totalmente, absolutamente certa, à nossa frente, é a morte. Não temos certeza de mais nada; se vamos estar em casa esta noite; o que poderá acontecer na próxima esquina!
    Nossos queridos e nós mesmos, hoje estamos bem; amanhã, de repente, estamos doentes; ficamos apreensivos, sofremos, mas a crise passa e tudo volta ao normal. Mas, mais dia, menos dia, vem de novo aquela fase de dor; a crise vai, volta, até que, naquele momento esperado com medo, o ser querido se vai para sempre. Isso está acontecendo o tempo todo!
    - Turbilhão de incertezas.
    Assim, estamos mergulhados num turbilhão de incertezas; tudo é imprevisível! Vejam o ‘tsunami’! Quem, entre aqueles milhares de vítimas, podia imaginar que aquelas praias lindas e cheias de sol de repente iriam se transformar em palco de tragédia tão grande!
    Portanto, nada podemos afirmar sobre o minuto seguinte. Um ‘tsunami’, um acidente, um novo vírus letal, a falência, a demissão repentina, a doença inesperada, a falta de dinheiro para as necessidades básicas, a violência e as guerras destruindo tudo o que o homem construiu e matando e levando sofrimento a milhares de inocentes, como a mídia mostra todos os dias...
    - Conosco, tudo bem. E com os outros?
    E continuem observando os fatos, mas sem fazer julgamentos. Nós estamos aqui, bem alimentados, vestidos, aparentemente saudáveis; os filhos, a esposa, o marido, tudo vai bem. Mas, debaixo daquela ponte, ou vasculhando depósitos de lixo, e nos hospitais e prisões, outros seres, iguais a nós, humanos como nós, estão passando dificuldades tremendas, sofrimentos tremendos que nada e ninguém conseguem aliviar...
    Restaurantes cheios de gente bem vestida, enquanto, na esquina, aquela família, suja e mal alimentada, mendiga migalhas!...
    E os hospitais psiquiátricos, os manicômios, verdadeiros depósitos de seres humanos que a vida esqueceu...?!
    E os menores jogados às ruas, à prostituição e ao crime?
    - Os recém-nascidos e os mais velhos.
    Observem mais: crianças que, para sofrimento delas e dos pais, já nascem com deformações físicas ou mentais, ou com males incapacitantes, e os mais velhos andando com dificuldade sobre articulações desgastadas; a visão e a audição falham; os pulmões enfraquecidos no ganho do pão para os filhos em ambientes envenenados; o coração doente pela angústia e ansiedade no trato da família, nos desencontros da vida, e tanta coisa mais que vemos todos os dias...
    - Filas.
    E as filas em frente dos institutos de seguro social, dos hospitais públicos? As filas quilométricas sob sol ou chuva ou frio, na ânsia de conseguir aquele empreguinho mal pago e insalubre?!
    Qual a razão de tudo isso, de todo esse sofrimento, que ninguém compreende, mas que é tão comum que ninguém mais se surpreende com essa miséria sem fim? Quem, aqui, pode afirmar que compreende tudo isso? Pode até, em face do que ensinam certas doutrinas, imaginar ou pensar que compreende; mas, compreende mesmo?
    - Qual a razão do sofrimento?
    Como é difícil, ou mesmo impossível, explicar a razão do sofrimento, muitos dizem ser conseqüência de provas, da “lei de causa e efeito” ou de “carma negativo”, enquanto outros afirmam que isso faz parte dos “insondáveis desígnios de Deus”.
    - Tudo é incerto.
    Ao lado de tudo isso, a enorme luta do homem na ânsia de conservar a juventude, a saúde, os afetos, as posses. Mas, tudo é incerto e nada é permanente: saúde, beleza, felicidade, riqueza, poder, apegos, afeições e amores, tudo isso pode acabar de um momento para outro.
    E, quando se dá conta, o tempo passou. E vem a velhice com seus outros numerosos problemas: os órgãos, a audição e a visão não mais ajudam, surgem os males da coluna, a memória falha; e vêm a hipertensão, a osteoporose, o diabetes, quando não surgem enfermidades dolorosas que fazem sofrer o doente e a família. Nós vemos isso todos os dias!
    - Hospitais, consultórios, laboratórios.
    Todos conhecemos esses problemas em nossas famílias ou nas vizinhas. Hospitais, laboratórios e consultórios médicos sempre cheios; crianças, jovens e velhos, homens e mulheres esperando, ansiosos, sofrendo.
    - Armadilhas.
    E as armadilhas da genética e das mil espécies de bactérias e vírus; a imprevisão das epidemias; drogas e mais drogas, destinadas à cura, mas que, muitas vezes, trazem mais mal do que bem; cadeiras de rodas, próteses, muletas, andadores, tubos de oxigênio, salas de cirurgia, mal de Parkinson, mal de Alzheimer, e tantos outros nomes esquisitos que nós nem sabemos o que são...
    E as grandes dores, físicas ou morais, que nenhuma droga faz passar e que fazem com que a vaidade, o orgulho, a beleza, o dinheiro, percam todo o valor que lhes damos!!?
    Será que tanto sofrimento tem explicação? Será isso produto do “carma” ou da “insondável vontade do Criador”?
    - Nascer: um jogo no escuro.
    Observem se não é assim: o nascimento de uma criança, que é sempre esperada com alegria pelos pais, não passa de um “jogo no escuro”. Ninguém sabe como ela virá ao mundo, se estará perfeita ou não; nem o que o futuro, o que o amanhã reserva para ela...

    - Momentos de descontração e alegria.
    E continuem observando, sem a suposição de que eu esteja sendo demasiado pessimista, pois estou apenas relatando fatos que todos conhecem.
    A vida só tem pequenos momentos de descontração e alegria: na infância e na adolescência, quando a responsabilidade ainda não chegou; na conversa com os amigos; na vitória do seu time; no olhar correspondido pelo ser amado; no progresso dos filhos; no almoço do domingo, a família reunida, o netinho no colo; no encaminhamento dos filhos para a vida, mas uma vida também cheia de incertezas; numa viagem de lazer; no alívio temporário que a medicina oferece...
    Alegrias só em pequenas coisas. O resto são essas questões sem fim que enchem o pobre ser humano de preocupação, ansiedade e medo.
    Enquanto tudo vai bem, o homem, a mulher, os jovens, as crianças, estão alegres e acham que vale a pena viver. Mas, essa alegria para sempre; mais dia menos dia, e a vida nos apanha nas suas malhas de dor e sofrimento, de conflitos, desencontros e perdas. E, quando o sofrimento vem, chegamos até a questionar o significado da vida. E nunca encontramos o que nos ajude a compreender o significado da dor.

    - Sofrimento e religiões ocidentais.
    Devido a tanto sofrimento, todas as religiões do Ocidente, consideram a vida penosa e difícil. E, como o sofrimento vem desde cedo, foi até criado o conceito de “pecado original”, um pecado que não é nosso, mas que nascemos com ele e que podemos vir a sofrer por causa dele.
    Mas, vejam: para os católicos, estamos “num desterro neste vale de lágrimas”; para os espíritas, “num mundo de expiação e provas”; para os evangélicos, “num mundo onde vivemos sob o assédio constante de Satanás” e, embora, como afirma o Apocalipse, “no final dos tempos, Satanás seja lançado aos abismos, depois de mil anos ele será solto para, novamente, enganar as nações”; para outras crenças, devido a tantos males, nem é Deus quem governa o mundo, é Satanás; e, ainda para
    ....................... Continua.........

      Data/hora atual: Sab Fev 25, 2017 1:44 am